Retirada de tropas do Afeganistão não cessa a intervenção imperialista

Avião da Otan sobrevoa a capital afegã, Cabul, 29/06/2020. Foto: Agência Reuters

Frente à retirada das tropas estrangeiras lideradas pelo imperialismo ianque (Estados Unidos, USA) que ocupam o Afeganistão desde 2001, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tem intenções de instalar bases militares nas proximidades do país para treinar grupos paramilitares lacaios. Segundo informações do monopólio de imprensa Reuters, agentes da Otan abordaram em junho o Catar, país no Golfo Pérsico, em busca de garantir uma base que possa ser usada para treinar forças especiais afegãs. 

"Estamos conversando para marcar uma base no Catar para criar um campo de treinamento exclusivo para membros seniores das forças afegãs", informou anonimamente um oficial de segurança ocidental em Cabul, capital afegã. Uma segunda fonte, em Washington, afirmou que uma oferta foi feita, mas que "cabe às autoridades do Catar decidir se se sentem confortáveis ​​com a Otan usando seu território como campo de treinamento".

Já uma terceira fonte da Reuters, um diplomata baseado em Cabul, disse que trazer "membros da força especial afegã ao Catar para cerca de quatro a seis semanas de treinamento rigoroso" estava em discussão. Duas fontes disseram que o USA, a Inglaterra e a Turquia estão entre os membros da Otan que pretendem enviar agentes para treinar afegãos no Catar. 

No início de junho, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, declarou que a organização imperialista estava "estudando como podemos fornecer treinamento fora do país para as forças de segurança afegãs, especialmente as forças de operações especiais". 

Historicamente, as potências imperialistas, e em especial o USA, treinam grupos paramilitares locais para servirem aos seus interesses, para atuarem de forma menos direta na política local. Dessa forma, evitam uma ocupação militar direta que gera críticas demais e alarga o campo da Resistência Nacional. 

Nas últimas décadas, muitas forças paramilitares foram treinadas pela CIA para atuar a favor dos interesses ianques no Afeganistão e na fronteira do Paquistão, incluindo o próprio Talibã, durante os anos 1980, na época da invasão do social-imperialismo russo ao país. Casos similares se repetem hoje na Colômbia, na fronteira com a Venezuela, e no Haiti, assim como ocorreu nos países latino-americanos no decorrer do século XX. 

Um porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que o grupo não tinha conhecimento do plano da Otan de treinar forças afegãs no Catar. "No caso de soldados afegãos que recebem treinamento militar no exterior (...) Se a paz for estabelecida, então talvez os bem treinados devam ser contratados para servir o Afeganistão, mas se eles vierem e lutarem contra nós e sua nação, então, é claro, eles não vão ter a nossa confiança", ele declarou à Reuters

A saída final das forças estrangeiras se dá em meio à intensificação do avanço do Talibã sobre províncias anteriormente controladas por forças do governo afegão apoiado pelo USA. Em apenas um dia, as forças do governo lacaio foram expulsas de seis centros distritais. Desde o início da retirada oficial do USA, em 1º de maio, pelo menos 23 distritos foram recapturados pelo Talibã, totalizando o seu controle sobre 34 províncias e cerca de 400 distritos.

OTAN QUER MANTER CONTROLE SOBRE INSTALAÇÕES

No dia 12 de junho, o Talibã lançou um comunicado oficial após a Otan decidir manter controle sobre o aeroporto da capital afegã, Cabul. Nele, o grupo adverte que isso seria inaceitável e um erro. Frente à retirada das tropas do imperialismo ianque do país até 11 de setembro, a Turquia, que é membro da Otan, demonstrou interesse em administrar o aeroporto. 

Na declaração, o Talibã afirma: "A presença de forças estrangeiras sob qualquer nome ou país em nossa pátria é inaceitável para o povo afegão e o Emirado Islâmico [referindo-se ao governo do Talibã]”. Diz também que “ninguém deve ter esperança de manter presença militar ou de segurança” no Afeganistão, e que “Se alguém cometer tal erro, o povo afegão e o Emirado Islâmico os verão como ocupantes e tomarão uma posição contra eles como tomaram contra os invasores ao longo da história”.

Sem controle sobre essa instalação, o USA perde controle sobre qualquer presença no Afeganistão, quem entra e sai, inclusive diplomática, o que acarreta nas relações políticas desenvolvidas pelo país – o qual por tantos anos o USA buscou isolar. 

No entanto, com a presença da Turquia no principal aeroporto do país, se garantiria a continuidade do acesso ao Afeganistão. Assim, a Turquia agiria como força indireta do imperialismo ianque dentro do país, além do que, fortaleceria seu papel dentro da Otan. 

Em resposta, o Talibã solicitou a retirada de todas as tropas turcas do Afeganistão até o dia 11/09, junto de todo o resto da coalizão da Otan, liderada pelo USA. 

A Turquia ainda mantém cerca de 500 soldados no país como parte da missão "Resolute Support" da Otan, que manteve forças militares de 36 países em apoio ao USA, durante duas décadas da guerra de agressão imperialista. Enquanto ainda restam cerca de 2,5 mil soldados ianques no Afeganistão, há aproximadamente 7.000 forças de outros países, como Austrália, Nova Zelândia e a Geórgia. 

No dia 11/06, os líderes da Otan acordaram em manter o financiamento para o aeroporto de Cabul mesmo após a saída da sua missão no país no final de 2021. Em declaração, a organização imperialista afirmou que: "Reconhecendo sua importância para uma presença diplomática e internacional duradoura, bem como para a conectividade do Afeganistão com o mundo, a Otan fornecerá financiamento de transição para garantir o funcionamento contínuo do Aeroporto Internacional Hamid Karzai".

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