Editorial - Grandes perigos, grandes perspectivas

I

As manifestações que tomaram todo o Brasil no dia 19 de junho, sucessoras das ocorridas em 29 de maio, indicam um potencial ascenso do movimento de massas. Essa possibilidade é um fator de extraordinária importância, quando a crise faz agudizar as confrontações entre os interesses mais imediatos das massas populares e os das classes dominantes. Tanto mais quando o núcleo político dirigente da reação, o seu aparelho de Estado, acha-se comandado por um desmoralizado governo militar genocida, amparado por um achincalhado Congresso de corruptos e malfeitores.

O estopim de uma grande mobilização de massas que se una à torrente da Revolução Agrária com suas tomadas de terras no campo é o peso que pode desequilibrar toda a correlação de forças na luta entre contrarrevolução e revolução, a favor desta última; é o fator que pode barrar e impor importantes reveses na marcha da ofensiva contrarrevolucionária preventiva e à culminação do golpe militar de Estado.

II

Enquanto isso, nos rincões de Rondônia, uma organização camponesa de massas enfrenta uma hidrofóbica contrarrevolução sedenta por sangue. Trata-se da Liga dos Camponeses Pobres (LCP). O Acampamento Manoel Ribeiro organizado por ela, que viveu meses de cerco militar, fustigamentos, espionagem e outros meios de guerra (combinados com execuções de apoiadores da luta pela terra nas pequenas cidades, intimidação de pequenos posseiros vizinhos e invasões policiais às casas de moradores da região e à sede do movimento), apesar disso tudo, saiu vitorioso. As famílias, por decisão unânime de sua Assembleia Popular, empreenderam fato histórico: da área, completamente cercadas, se retiraram silenciosamente na escuridão da madrugada, deixando apatetados os comandantes e as tropas repressivas que, dias depois, ao assaltarem o acampamento, se depararam apenas com uma frase desafiadora e magnificente escrita num trapo feito de faixa: Voltaremos mais fortes e mais preparados!

Os camponeses e sua gloriosa luta pela terra despertaram a solidariedade de centenas de entidades populares, organizações revolucionárias do país e internacionais, associações e personalidades democráticas dentre intelectuais e artistas para a grande verdade de nosso tempo: é preciso dar todo apoio e força, nas cidades, para a sagrada luta pela terra conduzida sob direção revolucionária. Sem ela, não há, nem pode haver, qualquer transformação, menos ainda a construção de um Brasil Novo, de nova democracia, independente e desenvolvido: a República Popular do Brasil.

III

Percebamos: existe no país um estado de espírito revoltoso e generalizado nas massas populares das cidades – manifestado nas jornadas de Junho de 2013-2014 e depois pelos seus protestos dispersos e diuturnos –, combinado com um auspicioso movimento camponês combativo, e tudo dentro de uma crise geral do capitalismo burocrático e, também, no aparelho de Estado.

Diante desse verdadeiro “terror” – é essa a sensação que assalta os canalhas diante do povo em luta – os reacionários, em particular o Alto Comando das Forças Armadas, desataram uma ofensiva contrarrevolucionária preventiva, cuja marcha – após depor a presidente Dilma – desembocou num governo militar de fato de Bolsonaro, marcado por pugnas para definir seu comando entre a extrema-direita deste e a direita hegemônica do ACFA. Bolsonaro promove maquinações para impor um regime militar consumando o golpe, e o ACFA para esquartejar a presente Constituição com “reformas” contrarrevolucionárias impostas por coações. O objetivo de ambas as forças reacionárias anticomunistas e americanófilas é impor uma linha e direção únicas na forma de centralização absoluta do poder no Executivo para com seu respectivo projeto sair da crise e, para tanto, buscam submeter alguns grupos das classes dominantes, privilegiar outros e “limpa o terreno” para impor sua linha.

Essa profundíssima crise, que produz as ameaças de fascismo e o ressurgir do golpe militar de Estado, trata-se de fato social de raízes profundas, a saber, a divisão da sociedade em condições tão extremamente antagônicas, como a que opõe uma famélica massa de mais de 100 milhões de camponeses e proletários à opulência de alguns milhares de grandes burgueses e latifundiários, além das corporações imperialistas.

O que estamos assistindo é a conformação crescente de dois polos, cujo peso e atração gravitacionais obrigam toda a Nação a alinhar-se a um deles. Os polos são a reação, em pugna interna entre ensandecidos bolsonaristas e seus apaziguadores militares, por um lado, e as amplas massas populares, por outro. E qualquer democrata sincero exclama, hoje, que o centro gravitacional das massas populares está transferindo-se gradualmente para o caminho da luta radicalizada e revolucionária, expresso notoriamente na LCP. Lutas em torno das quais, gradual e crescentemente, irá conformando-se uma nova frente de forças democráticas revolucionárias e de massas em confronto aberto ao governo militar genocida de Bolsonaro, ao velho Estado de grandes burgueses e latifundiários, serviçal do imperialismo, principalmente norte-americano e de modo inseparável do combate ao revisionismo e o oportunismo eleitoreiro e de toda laia. Exata e justamente por ser o contrário deste governo, a sua negação mais radical e com as verdadeiras condições de impor-lhe derrotas profundas.

Essa fissura na velha sociedade precede e, ao mesmo tempo, prepara guerras e confrontações verdadeiramente épicas e nas quais são decididos os destinos da Nação e mesmo de todo o mundo. São grandes perigos e, ao mesmo tempo, grandes perspectivas, estas últimas impossíveis sem serem acompanhadas dos primeiros. A catástrofe que assombra o país e pauperiza o nosso heroico povo brasileiro é o ambiente graças ao qual vai sendo produzido o determinado contingente de revolucionários proletários, que, tornando-se consciente e instruído, se adestra, cada vez mais, na marcha ziguezagueante dos acontecimentos. Junto a ele, instruir-se-á e somar-se-á, por ondas e num tempo prolongado, um imenso mar de massas cansadas das aviltantes exploração e opressão nas quais se acham submersas. Se conscientes, sob a guia da correta e justa ideologia do proletariado internacional e dirigidas por seu reconhecido Estado-Maior, essa imensa massa humana realizará feitos como verdadeiros milagres. Nesse sentido, e com essa perspectiva, é preciso dizer sem reservas covardes: por mais estremecedoras e tormentosas, bem-vindas sejam as tempestades!

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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