Senegal: Estudantes se rebelam por todo o país exigindo melhores condições de estudo e de vida

Durante todo o mês de junho estudantes universitários senegaleses se rebelaram diante do sucateamento das universidades públicas, das suas infraestruturas, da falta de profissionais, e até mesmo da impossibilidade de fazer cursos de mestrado. Em face disso, os jovens foram às ruas e interromperam vias com pneus em chamas e enfrentaram as forças de repressão em suas tentativas de dispersar os protestos.

Na Universidade Iba Der Thiam (Uidt), no dia 15/06, cidade de Thiés, após várias semanas de greve, os estudantes aprofundaram sua luta pela construção das instalações de aprendizado e de moradia estudantil, sendo que os recém ingressos na faculdade estavam impossibilitados de terem aulas e dormindo nas salas comuns da universidade.

Contra isso, os estudantes bloquearam a principal via que conduz à entrada na cidade de Thiés, ao que foram reprimidos pelas forças da reação. Os manifestantes, no entanto, seguiram em seu protesto, queimando um veículo da prefeitura.

Durante horas, os manifestantes interromperam o tráfego em vários locais sensíveis da cidade. Ocorreram confrontos violentos durante os quais os estudantes conseguiram frustrar repetidamente as tentativas das forças de repressão, que por sua vez não hesitaram em usar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

Os estudantes denunciaram especialmente "a injustiça, a anarquia e a ditadura que reinam na universidade", e juraram que lutariam até suas demandas serem cumpridas: “Enquanto os alojamentos não forem entregues, nós não desistiremos”.

A comunidade estudantil denunciou que "os estudantes chegam ao local da Uidt e vivem em condições deploráveis tanto socialmente quanto pedagogicamente". As salas de TV, assim como os escritórios das associações, são convertidas em dormitórios para acomodar os recém-formados [da escola] que muitas vezes não têm lugar para ficar em Thies. Os alunos não podem assistir às aulas por falta de salas de aula". O mesmo é verdade "no nível da recepção", como os setores de serviços da universidade.

Estudantes da Ussein protestam. Foto: Le Quotidien

Um dia antes, em 14/06, estudantes da universidade de Universidade de Sine-Saloum El Hadj Ibrahima Niass (Ussein), na cidade de Fatick, capital de Sine, foram reprimidos e confrontaram a polícia em meio à manifestações pela abertura do processo de mestrado na universidade, que estava suspenso, assim como pela finalização das construções de infraestrutura na Universidade, entre outros problemas.

Os manifestantes queimaram pneus e ergueram barricadas em vários locais da Estrada Nacional nº 1, desde as proximidades da agência Senelec até a ponte localizada na saída da cidade, indo até Kaolack. Diante dos manifestantes muito determinados e bem preparados, a polícia encontrou dificuldades para os dispersar, de acordo com um meio de comunicação local. 

Após um longo confronto na Estrada Nacional n°1, os estudantes universitários seguiram na via para a cidade de Mame Mindiss, ao que foram se juntando ao protesto os alunos da escola secundária Coumba Ndoffène Diouf.

Em seguida, estudantes da Faculdade de Educação Média (Cem) Khar Ndoffène Diouf somaram à luta, antes de seguirem para o centro da cidade com a intenção de ir à delegacia de polícia para libertar seus 13 companheiros presos anteriormente. Os manifestantes chegaram ao portão da delegacia de polícia e conquistaram a libertação dos estudantes presos. 

À tarde, uma dúzia de policiais se encontravam de plantão em frente à casa do Presidente da República, com medo de que a revolta dos estudantes pudesse chegar até lá.

 "As autoridades da Universidade nos informaram que não abrirão o mestrado porque não há professores titulares suficientes para isso", disse Maimouna Sarr, um estudante da Ussein. 

"Quando nos registramos na Ussein em 2019, foi para o sistema de Bacharelado em Doutorado Mestre (Lmd). Portanto, não aceitaremos que limitemos nossos estudos ao nível da graduação. Temos a mesma dignidade que os estudantes de outras universidades públicas.", disse outro estudantes.

Um manifestante que protesta contra a reforma do código penal é preso em Dakar, em 25 de junho de 2021. Foto: Leo Correa.

No dia 25/06, foi votada e aprovada com urgência pelos deputados senegaleses uma “lei antiterrorismo”, em resposta às mobilizações estudantis e das massas na sociedade civil como um todo, que ocorreram durante o mês de junho.

Contra a lei reacionária, que poderá enquadrar qualquer manifestante enquanto “terrorista”, ainda mais manifestações foram realizadas, principalmente na capital, na Universidade de Dakar, onde já haviam ocorrendo protestos devido à falta de pagamento das bolsas estudantis. No dia 25/06, os estudantes e manifestantes contra a lei montaram barricadas próximas à universidade e combateram as forças de repressão que tentavam dispersar o protesto.

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