Sangria do povo brasileiro: conta de luz aumentará

Bolsonaro e o almirante da Marinha Bento Albuquerque, ministro de Minas Energia. Em pronunciamento, Bento Albuquerque afirmou que governo executará ações contra a chamada "crise hídrica". Foto: Sérgio Lima

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) declarou que a bandeira vermelha da conta de luz aumentará 52%. A taxa se refere ao aumento da bandeira vermelha, que passa do patamar 1 para o 2. O valor divulgado no dia de ontem, 29 de junho, indica que o valor cobrado será R$ 9,49 a cada 100 kWh. A agência culpa a “pior crise hídrica desde 1931” enquanto governo vê população ser prejudicada sem nada fazer, além de corroborar com os aumentos.

O aumento da cobrança pela utilização de energia elétrica, por sua vez, elevou as projeções da inflação, que deve ultrapassar o teto estabelecido pelo governo. A expectativa para o IPCA, que é o índice mais usado para medir inflação no país, subiu para 6,71%. Isso se dá pois o aumento da tarifa de luz exercerá impacto sobre todas as mercadorias.

O índice de desemprego segue subindo. Reajustes salariais não estão sendo feitos com a desculpa da pandemia do coronavírus. A informalidade segue como a maior possibilidade para um número cada vez maior de brasileiros conseguir uma maneira para sobreviver. A renda do brasileiro, enfim, segue descendo a ladeira. A carestia de vida segue massacrando os mais pobres.

Entre a parte da população que está com carteira assinada, muitos estão hoje no trabalho remoto (home-office), o que implica em dependência direta do uso da energia elétrica.

A razão apontada para o aumento da conta de luz é a mesma tanto para a agência de energia, quanto para o ministro de Minas e Energia e também para o próprio governo: crise hídrica. A previsão para os próximos meses é que se mantenha o período de seca, o que agravará ainda mais o nível já crítico dos reservatórios das usinas de geração de energia.

o controverso racionamento de energia 

A necessidade de racionamento de energia havia sido citada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, que voltou atrás logo após. O ministro de Minas e Energia, o almirante da Marinha Bento Albuquerque tem batido na tecla que não haverá racionamento. Sua justificativa é de que o governo acompanha o nível das hidrelétricas. O ministro militar não apresentou maiores garantias de que não haverá racionamento da energia nos próximos meses, que o país atravessará ainda estando na pandemia do coronavírus. Ao que parece, o governo não permite que se fale em racionamento. A existência do controle impositivo do uso de energia elétrica encontraria uma situação política explosiva.

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O governo de Bolsonaro publicou uma Medida Provisória (MP) sobre a chamada "crise hídrica". A MP institui a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg). O objetivo do governo foi montar um grupo para monitorar e tomar decisões em cima da crise hídrica. A primeira versão do texto continha um trecho que abria a possibilidade para o racionamento de energia, com uma “racionalização compulsória”. O trecho foi excluído na versão final.

A MP, além de estabelecer a Creg, aponta para o pagamento de uma taxa extra nas contas de luz. Trata-se do Encargo de Serviços do Sistema (ESS), que será pago por todos os consumidores. Também de acordo com o texto, o ministro de Minas e Energia, o militar da Marinha Bento Albuquerque, poderá adotar medidas de forma individual antes de deliberações conjuntas pelo grupo estabelecido.

Ainda que não esteja especificado as ações que podem ou não ser tomadas no contexto de crise hídrica, o governo pode lançar mãos do racionamento de energia nos próximos meses.

O ministro Bento Albuquerque pediu para que a população “use com consciência a água e energia” no objetivo de diminuir a pressão no sistema elétrico do país. O militar também afirmou que está finalizando um programa com a indústria para afastar o consumo dos horários de pico.

crise hídrica é usada para aumentar sangria do povo

A razão para o aumento das contas de luz, assim como para a possibilidade de racionamento nos próximos meses, reside na inexistência de um sistema que integre energicamente todo o país. Ainda que a alegada crise hídrica seja a pior em 90 anos, ela atinge mais fortemente algumas hidrelétricas, enquanto outras continuam com a capacidade para funcionar. Algumas hidrelétricas, localizadas em regiões que não foram afetadas com a seca (como o Norte do país, por exemplo) chegam mesmo a jogar fora a energia por falta de demanda nas regiões em que estão localizadas.

A privatização da Eletrobras assume a proporção de um crime contra a Nação e intensifica os efeitos da crise hídrica, jogando para o povo brasileiro os efeitos da falta de soberania energética. No mesmo momento em que a conta de luz sofre aumentos são feitos, em contexto de pandemia, a venda da empresa estatal servirá para elevar ainda mais as taxas. Essa é a sangria acelerada do povo realizada pelo governo militar genocida de Bolsonaro.

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