RJ: Agentes do velho Estado montam operação de guerra para despejar moradores; uma pessoa morreu

Famílias resistem a ação da PM em Itaguaí. Foto: Reprodução

No dia 1° de julho, foi montada uma mega operação  para despejar cerca de três mil famílias que moravam em um acampamento localizado em um terreno abandonado, no município de Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro. Uma mulher morreu devido a ação covarde da Polícia Militar (PM)

A operação contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Batalhão de Choque da Polícia Militar e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Um veículo blindado foi posicionado em frente ao portão da ocupação.

Por volta das 7 horas da manhã, a PRF bloqueou a entrada da cidade para impedir que os acampados recebessem apoio. Logo após, militares do Choque arrombaram o portão do acampamento. Moradores se posicionaram e montaram barricadas para resistir ao injusto despejo. Os PMs, após, lançaram bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral e tiros de bala de borracha contra os moradores, inclusive crianças. Causando a morte de uma mulher e também o incêndio das construções feitas pelas famílias.

Em resposta, os moradores responderam atirando paus e pedras contra os militares e incendiando objetos para impedir o avanço dos policiais. Por conta do despejo, milhares de famílias estão sem ter para onde ir.

Quatro mil famílias moravam no acampamento Campo de Refugiados Primeiro de Maio. Foto: Movimento do Povo

Luta por Moradia

Corpo de Bombeiros lança jatos de água nos moradores. Foto: Reprodução

O acampamento denominado Campo de Refugiados Primeiro de Maio fica no bairro Ponte Preta, na avenida Deputado Octávio Cabral, em um terreno cedido pela Prefeitura de Itaguaí a Petrobras para a construção do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj). Posteriormente, a construção foi feita no município de Itaboraí e, portanto, o terreno ficou abandonado durante anos.

No dia 1° de maio de 2021 cerca de mil famílias ocuparam o terreno. A maioria delas vindas da baixada fluminense e da zona oeste do Rio. Em pouco tempo, devido a crise econômica e sanitária que atinge principalmente a população mais pobre, o endividamento, a inflação e o aumento no preço do aluguel, a ocupação cresceu rapidamente e chegou ao número de três mil famílias acampadas.

Contudo, a Petrobras entrou com um pedido de “reintegração de posse” para reaver o terreno e expulsar as famílias. No dia 30 de junho, a 2ª Vara Cível de Itaguaí determinou o despejo  que deveria ocorrer entre os dias 30/06 e 06/07.

Com isso, o despejo foi cumprido rapidamente e sem aviso prévio as famílias, na manhã do dia 01/07. A decisão liminar foi expedida por edital e sequer cumpriu o prazo de 20 dias para resposta. O processo segue em segredo de justiça, o que dificulta o acesso tanto dos moradores como da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), fato atípico em processos de reintegração de posse.

“Estamos falando de pessoas com fome, sem moradia, sem emprego e sem renda, é inadmissível um processo desses sendo emplacado pela alta administração da Petrobras, tendo em vista que o terreno está abandonado. Deixa as famílias lá, pelo menos para ver em que situação ficará esse terreno que não está sendo utilizado e nem será pela Petrobras, lembrando que foi um terreno doado pela Prefeitura de Itaguaí”, explicou o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar.

A FUP organizou uma campanha de doação de alimentos para as famílias acampadas. Este fato fez com que a estatal demitisse o dirigente sindical do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Alessandro Trindade. Tal medida escancara a política de perseguição adotada pela Petrobras contra seus funcionários contrários às políticas draconianas e privatistas da petrolífera.

PMs atiraram com balas de borrachas em moradores. Muitas crianças estavam no local. Foto: Estefan Radovicz

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