Famílias despejadas de terreno em Itaguaí reclamam de falta de água em abrigo da prefeitura

Famílias resistiram altivamente durante a brutal operação das forças de repressão. Foto: Reprodução

As famílias que foram expulsas da ocupação urbana em Itaguaí reclamam de falta de água, comida, colchões e outros itens básicos, no abrigo em que foram colocadas. As famílias foram expulsas durante uma operação de guerra do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM), em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que deixou uma pessoa morta, no dia 1° de julho.

As famílias estão no Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) 496, em Itaguaí. As denúncias dão conta que falta água na escola, que por sua vez é administrada pela prefeitura. Tal problema impede as pessoas de tomarem banho, utilizarem os banheiros e lavarem as mãos, alimentos e objetos, situação que é ainda mais grave em tempos de pandemia, em que a correta higiene é fundamental na prevenção ao novo coronavírus.

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Os moradores denunciam também que os banheiros do Ciep estão sem luz , que os kits de higiene entregues não foram suficientes para todas as pessoas, que a comida fornecida está chegando estragada e que não estão podendo sair e entrar livremente no abrigo. A prefeitura de Itaguaí afirma que há 350 pessoas abrigadas no Ciep 496 e na Escola Municipal Wilson Pedro.

Uma das pessoas que está no abrigo é Josilane Oliveira, de 43 anos. A mulher conta que vivia no acampamento desde o dia 1° de maio, dia da ocupação. Ela conta que assim como muitos outros moradores, perdeu tudo que tinha, durante a brutal ação de despejo.

“A gente não teve tempo de tirar nossos pertences. Perdi fogão, bujão, minhas roupas. Estou com duas mudas de roupa, porque foi o que eu consegui tirar”, afirmou Josilene.

Despejo e organização popular

O acampamento denominado Campo de Refugiados Primeiro de Maio, recebeu este nome por conta da data do seu início e também em referência ao dia internacional do proletariado.

No dia 1° de maio de 2021 cerca de mil famílias ocuparam o terreno. A maioria delas vindas da baixada fluminense e da zona oeste do Rio. Em pouco tempo, devido a crise econômica e sanitária que atinge principalmente a população mais pobre, o endividamento, a inflação e o aumento no preço do aluguel, a ocupação cresceu rapidamente e chegou ao número de três mil famílias acampadas.

Antes do acampamento ser destruído e seus moradores expulsos pelas forças reacionárias do velho Estado, o local contava com enfermaria, cozinhas comunitárias e quadras improvisadas para que seus moradores praticassem esportes. Havia também pequenos comércios como: salões de beleza e mercearias.

Uma enfermaria, cozinhas comunitárias, uma creche e quadras que foram improvisadas para que as crianças praticassem esportes. Entre as tendas e barracas também havia cabeleireiros, barbeiros e mercearias. Tudo foi destruído pela ação covarde das tropas repressivas.

Acampamento contava com cozinha comunitária.  Foto: Gabriel de Paiva

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