PR: Em meio a pandemia, mais de 100 famílias ocupam Gleba Guarani e realizam corte da terra

No dia 1 de junho, foi ocupada uma área de dois hectares na região da Gleba Guarani em Foz do Iguaçu, Paraná. No 28º dia de ocupação oficiais de justiça notificaram as 130 famílias que o juiz Marcos Antônio de Souza Lima decretou uma ordem de despejo em favor dos latifundiários. Apesar disso, as famílias seguem ocupando: os camponeses em luta limparam todo o terreno e dividiram em 130 lotes de 10x12 para cada família. 

Ocupação Resistência 2, em Foz do Iguaçu, Paraná. Foto: Marcos Labanca

A área de ocupação estava há mais de 30 anos abandonada, segundo os camponeses da região. Os atuais moradores denunciam também que há mais de sete anos não é pago o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) do local que estava coberto de mato. 

A ocupação, que foi batizada pelas famílias de Resistência 2. Começou com três famílias, foi crescendo frente a crise sanitária vigente gerenciada pelo governo militar genocida dos generais/Bolsonaro, também atrelada à crise do capitalismo burocrático que agravou a desigualdade social. Com o aumento do número de desempregados, aumentou também o cenário de vulnerabilidade dos mais pobres, onde de acordo com as denúncias, as pessoas se veem tendo que escolher pagar aluguel ou comer.  Apenas 10% dessas famílias  desta ocupação estão empregadas.

Famílias afirmam que irão lutar juntos pela regularização. Foto: Marcos Labanca

Em entrevista ao portal local H2Foz, moradores enfatizam: “Comida, leite, o básico para viver está muito caro, vamos lutar todos juntos pela regularização dessa área para não precisar mais pagar aluguel”. Argumentam também: “Quero ter meu cantinho e deixar de pagar aluguel, vamos permanecer aqui, pois não tenho para onde ir”. 

Famílias afirmam que irão lutar juntos pela regularização. Foto: Marcos Labanca

“Justiça” tenta expulsar famílias

Além das dívidas com IPTU, os supostos proprietários não cumpriam com a função social da terra. Segundo define a própria justiça burguesa, essa seria uma terra destinada à distribuição, na chamada “reforma agrária”, uma vez que é terra improdutiva e com dívidas. Ocorre que frente à luta dos camponeses, a organização latifundiária busca por meios legais garantir o monopólio da terra.

Camponeses limpam a área que de acordo com denúncias está há mais 30 anos abandonada e realizam o corte da terra. Foto: Marcos Labanca

O processo de reintegração de posse foi movido por Janete Pelicer de Medeiros e Jane Pelicer de Medeiros, apresentadas como filhas e herdeiras de José Irineu de Medeiros e Maria Onira Pelicer, mencionados como “proprietários” da área ocupada. O juiz da 3º Vara Cível em favor de latifúndio decretou o despejo, em um prazo de 30 dias, o que coloca a família em maior situação de vulnerabilidade, ferindo os direitos fundamentais à saúde, à moradia, à dignidade e à vida humana.

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