Peru: Oficiais do exército reacionário beneficiaram empresas com mais de 2 milhões de dólares

Imagem: Convoca.pe

Oficiais, suboficiais e funcionários da Polícia Nacional e do Exército cometeram crimes de omissão e favorecimento a determinadas empresas nos processos de compra de equipamentos de proteção pessoal e implementos de limpeza durante o primeiro momento da pandemia. O órgão de supervisão encarregado da investigação chegou a descobrir que a polícia e os oficiais militares buscavam formas burocrático-administrativas para beneficiar as empresas que não haviam cumprido os contratos.

Com o dinheiro angariado às custas dos impostos cobrados ao povo, equipamentos de proteção foram comprados, não foram entregues no prazo, outros materiais foram comprados para encobrir a falta desses materiais. Não foram aplicadas multas ou penalidades contra as empresas responsáveis.

De acordo com os relatórios, os valores totalizaram 2,2 milhões de dólares, ou seja, cerca de R$ 11,6 milhões. Isso significa um beneficiamento direto das empresas que não foram cobradas pelo velho Estado. As multas por não cumprir os prazos chegariam a mais de 20 mil dólares (cerca de R$ 40 mil).

Além disso, para suprir a falta de produtos que já deveriam ter sido entregues, as instituições reacionárias compravam outros produtos de outras empresas com urgência, e mentiam em documentos alegando que os produtos originais haviam sido entregues na data prevista.

Não foram somente as forças de repressão as envolvidas. Outros 419 funcionários de 52 entidades estatais estiveram envolvidos em outros escândalos de corrupção, entre março de 2020 e maio de 2021, de acordo com informações oficiais do projeto transfronteiriço "Vigie a pandemia".

Há 90 queixas por crimes no Exército e 17 no Ministério do Interior, totalizando 107 no total. Os crimes mais recorrentes são apropriação de dinheiro público (35), conluio (24) e negociação incompatível (17).

O sujo histórico das Forças Armadas peruanas

Enquanto ocorrem os escândalos de corrupção nas Forças Armadas e em diversas outras instituições do velho Estado Peruano, os casos de Covid-19 no Peru já atingem dois milhões, com quase 200 mil mortes e casos diários que já ultrapassaram 3 mil infectados em diferentes dias no mês de julho.

Entretanto, não é a corrupção o problema das FA, ou mesmo do velho Estado peruano, ou o que causa a grande mortandade pela Covid-19 no país.

As FA peruanas, em conluio e consenso com o velho Estado peruano que, por sua vez, não passa de um comitê para gerir os negócios da burguesia , são desde a sua criação o braço armado que mantém as classes exploradas subjugadas através da repressão.

Exemplo do seu papel antipovo fora a repressão, desde os anos 40, das lutas dos camponeses que reivindicavam o seu direito à terra historicamente negado, quando essas tomaram maior vulto e que só se intensificaram e consolidaram com o passar dos anos. A guerra contra os camponeses que ousaram se insurgir contra o latifúndio se deu através de execuções sumárias do povo no campo do país, além de sequestros, da utilização de armas químicas contra o povo, com a pulverização de veneno no ar, da criação de milícias no campo organizadas pelas FA para perseguir e massacrar as massas em luta. As forças armadas reacionárias peruanas implementaram, ainda, o alistamento forçado de jovens camponeses e indígenas ao exército mediante ameaças ou caso o jovem não pagasse a propina requerida pelos agentes de repressão. Há também vastas denúncias de esterilização forçada de milhares de camponesas e indígenas como tentativa de “controle da pobreza”. As FA peruanas nunca foram responsabilizadas por esses e outros crimes.

Além disso, evidenciou-se uma relação promíscua entre velho Estado e FA, desde a ditadura militar pela qual o país passou (1968-1980), e também com a eleição de candidatos à presidência de acordo com o apoio ou não de certos grupos dentro do exército. Os generais peruanos exerceram uma tutela direta de diversos presidentes, como foi o caso ocorrido durante o governo Fujimori (1990-200), em que o fascista aplicou o chamado “autogolpe” com a assessoria de Vladimiro Montesinos, ex-Comandante Geral do Exército durante o governo das Forças Armadas.

Novas eleições: o país se estabilizará?

Os atuais crimes de corrupção vêm à tona pois não é possível esconder que o dinheiro que deveria ser repassado à população e que está sendo apropriado pelos burocratas. Tais casos emergem em meio à uma crise política muito mais profunda, sintomático quadro de crise geral do capitalismo burocrático nesse país que há pouco tempo atrás teve três presidentes diferentes em sete dias.

O novo presidente eleito do Peru, Pedro Castillo, aclamado pela esquerda oportunista por ser professor pesquisador das “desigualdades sociais” e dirigente sindical, se insere na situação política peruana como uma tentativa de trazer estabilidade. Essa estabilidade, no entanto, não será atingida.

A atual crise do capitalismo burocrático, acompanhada da pandemia, aumentou a pobreza no país em 10%, empurrando três milhões de novos pobres para a precariedade. Hoje existem 10 milhões de pobres no país andino de cerca de 30 milhões de pessoas.

Também, desde o ano passado dezenas de milhares deixaram as cidades com seu desemprego imenso e altos aluguéis e custo de vida para voltar ao campo. O que apenas aumenta a chama da luta pela terra no país.

Além disso, a ilusão com a esquerda oportunista na presidência já foi desmascarada muito antes de Castillo: o partido Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA) iniciou sua vida política se alegando um partido de “esquerda e antiimperialista”. Em pouco tempo, no seu trajeto eleitoreiro, revelou o seu caráter fascista, corporativista, de direita e contrarrevolucionário, sendo o seu momento mais evidente durante a presidência do “aprista” Alan García.

Foi Alan García que ordenou um dos mais abjetos crimes de guerra já ocorridos contra prisioneiros políticos no mundo: o bombardeamento das prisões de Lurigancho, Callao e na Ilha do Frontón. Assim como foi um dos quatro ex-chefes do velho Estado peruano investigados de receber suborno da construtora brasileira Odebrecht.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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