Editorial semanal – Quem deterá os criminosos fardados?

Comandantes das três forças, Ministro da Defesa e o presidente fascista. Da esquerda para direita: Paulo Sérgio Nogueira (Exército), General Braga Neto (Defesa), Almir Garnier (Marinha) e Carlos Alberto Batista (Aeronáutica). Foto: Reprodução

Já virou rotina, no Brasil, o pronunciamento de militares da ativa sobre questões políticas. Após o discurso de Pazuello, o Carniceiro, em comício de Bolsonaro no Rio, rasgando o que determinam de modo explícito as próprias leis, segundo as quais a existência e missão das Forças Armadas é defender seu cumprimento (inclusive o Regulamento do Exército), os próceres de farda dobraram a aposta: no último dia 7, em nota oficial, o Ministro da Defesa e os Comandantes das três Forças Armadas se pronunciaram repudiando declarações de um certo senador na CPI. No dia seguinte, o Comandante da Aeronáutica, numa linguagem muito comum entre os matadores da Baixada Fluminense, reiterou a nota golpista, dizendo que “homem armado não ameaça”. Só faltou puxar o revólver da cintura e dizer ao repórter que o entrevistava: “Teje preso!”.

São todos eles, portanto, apenas por isso, baderneiros e criminosos confessos, a violar o que determina a própria disciplina militar (burguesa) a que estão obrigados e dizem defender. Desta vez, não foi apenas o general desacreditado, mas toda a cúpula militar, que se pronunciou em público. Se isto é o que vem à tona, imaginem o nível de agitação e efervescência política que grassa, agora mesmo, dentro dos quartéis – cenário que se agrava se nele incluímos o quadro crítico das polícias, civis e militares, que todos os dias demonstram seu “patriotismo” nas vielas e becos escuros, agredindo e assassinando prisioneiros inermes.

Ocorre que os crimes daqueles veteranos de coquetéis e cursos, entremeados por incursões temporárias em favelas cariocas ou haitianas, não se encerram no desrespeito aos próprios regulamentos. Para não retrocedermos à história (os crimes de tortura e assassinato praticados nos porões entre 1964 e 1985, e aqueles de esparramada ladroagem tramados nos palácios em Brasília no mesmo período), basta lembrarmos o que veio à tona nos últimos 12 meses: tráfico de drogas em avião presidencial, compra superfaturada de insumos para produzir cloroquina, aquisições estratosféricas de cerveja e picanha, tramoias escandalosas no Ministério da Saúde (envolvendo aquisição de testes e de vacinas), a gestão genocida da pandemia (liderada por Pazuello), a omissão no socorro à mortandade em Manaus (que só não foi maior devido ao envio de oxigênio, via caminhões, pela Venezuela), a recusa em abrir os leitos ociosos dos hospitais militares (financiados pelo Tesouro) quando brasileiros e brasileiras morriam de Covid-19 sem conseguir acessar os hospitais públicos.

É esta a folha de serviços prestados, ou a folha corrida, dos senhores oficiais-generais ao povo brasileiro. Eles são a infantaria do nosso atraso secular; desde sempre, a quinta-coluna da nacionalidade. Como se vê, são crimes continuados contra a pátria e contra o povo, alimentados pela cumplicidade servil dos “três poderes” acovardados.

Engana-se quem pensa que estas forças estão “fechadas” com Bolsonaro, assim como engana-se quem pensa que elas não podem ser, por ele, arrastadas como medida extrema para salvaguardar a unidade e hierarquia internas. Tudo depende da movimentação das distintas forças, dinâmica muito fluida em cima da qual agem, como condicionantes, os acontecimentos objetivos sobre os quais nem os generais e nem Bolsonaro podem controlar.

O Alto Comando das Forças Armadas, como instituição, sabe que Bolsonaro é um instante, ao passo que aquele primeiro perdurará até que a revolução vindoura o ponha na guilhotina (se não a de madeira, a guilhotina política, isto é, a perda de poder). Neste contexto, a ocorrência ou não de eleições próximas é tema secundário – agitação e ameaças da extrema-direita para barganhar, fazer ordem unida de suas hordas e também desviar a atenção do público quando vão no auge as denúncias contra Bolsonaro. A tendência principal é que as haverá, pois que até o Iraque e o Afeganistão ocupados por centenas de milhares de tropas invasoras ofereceram uma lista de candidatos títeres aos eleitores amordaçados, tão logo alterado o status quo. Os generais não precisam necessariamente cancelá-las para garantir o rumo da marcha política (caso apenas extremo!), mas podem e, pelo desenvolvimento das tendências eleitorais, vão conduzir e influenciar diretamente em seus resultados por processos outros. Os últimos 30 anos provam que as eleições periódicas não são empecilho para o alijamento das massas do processo político, senão que, em situações normais de temperatura e pressão, são mesmo a forma mais eficaz de fazê-lo. A chamada tutela militar, embora tenha se agravado extraordinariamente e tomado forma de golpe militar de Estado contrarrevolucionário desde 2017, na essência existiu sempre, e tende a se reforçar, com ou sem Bolsonaro, e talvez até mais sem ele.

Se uma coisa provam os recentes episódios é que não está nas urnas a solução para a tragédia brasileira. Esta radica na luta das massas do campo, principalmente, e também da cidade, mobilizadas em defesa dos seus interesses mais sentidos, e passo a passo engajadas na luta pelo Poder. Contra esta muralha, nada poderão os criminosos fardados.

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