MS: Pistoleiros atacam Tekoha Avaeté II em Dourados, a mando do latifúndio

Cartuchos encontrados no terreno dos Guarani Kaiowá. Foto: Banco de dados AND

Desde o dia 10 de julho, pistoleiros a mando do latifúndio, realizam ataques contra a Tekoha Avaeté II, uma retomada localizada no município de Dourados no Mato Grosso do Sul. Casas foram incendiadas e pessoas feridas. Os indígenas resistiram com arco e flechas e prometem não recuar.

Segundo denúncia recebida pela redação de AND, os pistoleiros que possivelmente atuam como “seguranças particulares” de latifundiários vizinhos cujas plantações fazem limite com a retomada, chegaram sempre no período da noite em uma caminhonete branca de luzes apagadas, abrindo fogo sobre indígenas. 

Durante os ataques iniciados no domingo e que percorreram ao menos três dias (10 a 13/07), utilizando-se de armas de fogo de calibre 38, balas de borracha e incendiando moradias, o bando armado tentou aterrorizar o povo que ali vive. Uma pessoa foi atingida na perna com bala de borracha. Os criminosos levaram panelas e cobertas, deixando ao relento crianças e idosos.

Moradias foram destruídas em meio ao ataque. Foto: Banco de dados AND

Ferimentos de balas na perda de uma das pessoas. Foto: Banco de dados AND

Ferimentos de balas na perda de uma das pessoas. Foto: Banco de dados AND

Marcas do fogo ateado contra a tekoha. Foto: Banco de dados AND

Os indígenas estão determinados a resistir

Os Guarani Kaiowá convocam os setores populares a denunciarem o ataque e apoiarem a resistência do povo da tekoha. Apontam que por só terem arco e flechas, têm que recuar diante dos ataques, mas não sairão das terras.

A liderança Silvia, afirmou em meio às denúncias: “Quando o fazendeiro vem, pra matar mesmo, mas nós não vamos recuar, vamos morrer e nós enterrar nossos guerreiros aqui! Porque nesse Avaete II atiravam em muitas pessoas no passado, mas agora nós vamos lutar pra gente ganhar”.

Declarou também: “Nós vamos morar aqui, nós não vamos desistir agora. Nós vamos ficar aqui e nós vamos morrer mesmo aqui!”

Uma mobilização de apoiadores ocorre na região para recolher roupas, comida e lonas, pois todos os pertences dos indígenas foram perdidos em meio aos incêndios criminosos.

Os indígenas denunciam militares: “não são bem-vindos a tekoha!”

Em meio a situação calamitante é possível que o braço armado do velho Estado seja acionado para dar cabo ao conflito, como recentemente ocorreu com os Mundurukus e Yanomamis diante dos conflitos agrários em outras regiões do país. 

Porém, em meio às denúncias recebidas pelo AND, os indígenas afirmam: “Tem o segurança do Getam* [...] a gente não confia mais, não estamos precisando deles”. Dizem ainda: “Os militares, quando chega eles vem com os fazendeiros, e como a gente vai confiar no militar, não seja bem vindos esses militares”.

*Getam é o nome dado a uma das forças de repressão chamada Grupamento Tático Motorizado.

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