Desigualdade nas grandes cidades atinge maior nível desde 2012

O Observatório das Metrópoles divulgou recentemente estudo sobre a desigualdade no período de 2021. Foto: Reprodução

O Boletim Desigualdade nas Metrópoles do Observatório das Metrópoles, divulgado em 08 de julho, apontou que ao longo do primeiro trimestre de 2021 a desigualdade nas grandes cidades alcançou o maior nível desde 2012. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o aumento da desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres foi de quase 5%, representando também o maior aumento de desigualdade nas grandes metrópoles brasileiras.

O índice utilizado para mensurar a desigualdade pelos pesquisadores é o coeficiente de Gini, que apresenta variação entre 0 e 1, onde o valor zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. O valor um está no extremo oposto, isto é, uma só pessoa detém toda a riqueza. No primeiro trimestre de 2021, a média móvel deste índice nas Regiões Metropolitanas foi de 0,637. Esse foi o período em que o nível de desigualdade do trabalho foi o mais elevado.

24,5 milhões vivem com menos de R$ 275

Outro dado que a pesquisa revela é de que mais de 24,5 milhões estão abaixo da linha da pobreza. A pesquisa indicou que 24.533.659 de pessoas vivem com uma renda menor que R$ 275. O número equivale a cerca de 30% dos habitantes das grandes cidades. A linha de pobreza é avaliada em 1,90 dólares diários (cerca de R$ 9,70). O valor de R$ 275, que representa hoje um quarto do salário mínimo (R$ 1.100), representam R$ 9,15 diários. 

Renda média da população caiu em 2021

Houve queda do rendimento médio no conjunto das Regiões Metropolitanas de 8,5%. A renda que se encontra hoje em cerca de R$ 1.300 representa a mesma média do início de 2012. No ano anterior, essa renda média era de cerca de R$ 1.423.

Mais pobre perderam um terço da renda

Se a média geral dos moradores das regiões metropolitanas já indica uma notável queda, quando a análise é feita entre os 40% mais pobres a queda é amplificada e ainda maior. A própria pesquisa aponta que “apesar de ter ocorrido redução de rendimentos em todos os estratos de renda, a queda foi muito mais pronunciada para os mais pobres”, tendo os 10% mais ricos ganhado, em média, mais de 40 vezes mais do que os 40% mais pobres.

Grandes cidades e o monopólio da terra

Ainda que a pesquisa relute em apontar a vinculação direta entre a desigualdade entre campo e cidade, sabemos que a miséria crescente nas cidades guarda relações com o interior do país. Tanto pela fome, que atinge mais profundamente as regiões Norte e Nordeste (ali, a população atingida pela chaga social de não ter o que comer é de 60% e 70%, respectivamente), mas também por uma outra razão: a origem da massa empobrecida que vaga pelas cidades, sem emprego, sem saúde e, muitas vezes, sem comida, são as cidades interioranas.

Rui Facó, grande autor marxista cearense, afirmava em Cangaceiros e fanáticos sobre o destino de milhares de camponeses desalojados de suas terras pelo latifúndio que “as levas de nordestinos sertanejos flagelados que nas épocas das longas estiagens, as secas, deixam o sertão, transitam rapidamente por essas cidades, que são para elas apenas um porto de embarque. Quando não conseguem passagem para a Amazônia ou para os cafezais de São Paulo, abrigam-se precariamente nos arrabaldes urbanos, e aí são pasto da fome e de toda sorte de doenças dela resultantes. Não há indústrias que possam absorver sequer uma parte insignificante dessa mão de obra expulsa pelo latifúndio em seus estertores acrescidos pela seca. As mesmas débeis indústrias alimentares ou têxteis têm sua situação agravada pelo fator climático, e em vez de admitir operários, despedem-nos” (sublinhado de AND).

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