Enquanto operação leva terror a milhares, paramilitar é presa acusada de importar peças de AR-15

Elaine e Ronnie Lessa, integrantes do grupo paramilitar mafioso Escritório do Crime. Foto: Reprodução

Elaine Pereira Figueiredo Lessa, integrante do grupo paramilitar com vínculos de extrema-direita acusado de matar Marielle Franco e Anderson Gomes, foi presa na manhã de domingo, dia 19 de julho, acusada de importar 16 peças de fuzil AR-15. Ela foi encontrada em casa, em uma luxuosa morada em Jacarepaguá, e foi levada por agentes até a unidade prisional de Benfica. 

Em contraparte, no mesmo dia, horas antes, a Polícia Militar (PM) do Rio de Janeiro finalizou uma mega-operação no Complexo da Maré em que moradores denunciaram que casas foram arrombadas, carros alvejados por tiros e o clima de pânico contra os moradores se instaurou por mais de 24 horas. Apenas um fuzil foi apreendido. 

O contraste é claro: enquanto milhares de trabalhadores são atazanados por tropas sedentas por sangue para apreender uma quantidade irrisória de materiais ilegais, nos palacetes dos novos-ricos, uma vez mais, é onde se encontram enormes quantidades de armas.

Moradores se protegem de tiros na favela da Nova Holanda, no Complexo da Maré. Foto: Maré Online

Peça é usada em confronto entre facções e grupos paramilitares mafiosos

As investigações de que Elaine e Ronnie Lessa estavam pessoalmente envolvidos com tráfico internacional de armas começaram após uma encomenda vinda de Hong Kong ser apreendida pela Receita Federal no Aeroporto do Galeão, no Rio, em 23 de fevereiro de 2017. A encomenda, um pacote, tinha 16 peças de AR-15 conhecidas como “quebra-chamas”.

No pedido de prisão feito pela Polícia Federal (PF) apontava que as peças importadas ilegalmente por Ronnie Lessa e sua esposa são usadas em confrontos armados e/ou emboscadas, e tem por função ocultar as chamas dos disparos no objetivo de não revelar a posição do atirador. Ainda segundo a PF, “tais acessórios seriam empregados em confrontos armados entre organizações criminosas que assolam o Rio de Janeiro, ou na eliminação sumária e velada de inimigos e desafetos”.

O destino final das 16 peças seriam um apartamento de Ronnie Lessa em que o mesmo fazia a montagem de armas. O paramilitar está preso por ser apontado como o principal responsável pelo assassinato da ex-vereadora. Além disso, ele e sua esposa são acusados de tráfico internacional de armas de uso restrito.

Ronnie está preso e deve ser julgado ainda esse ano. Elaine Lessa, por sua vez, tinha deixado a cadeia há sete dias. O processo que envolve o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco possui novo delegado, o quarto desde o início das investigações. Duas promotoras se retiraram do caso denunciando que está havendo interferência externa nas investigações.

Maré: 40 presos por organizar evento

A operação policial no Complexo da Maré começou no dia 16/07, inicialmente na favela Parque União e terminou somente na manhã seguinte, no sábado, após ser estendida para várias outras comunidades. Moradores denunciaram casas violadas, motos roubadas e carros alvejados por balas. A operação, que contou com mobilização de policiais oriundos de três batalhões (o 16º, 17º e 22º) teve como reforço um helicóptero e um veículo blindado, que foram usados pelos agentes.

Kombi de um morador foi alvejada por tiro, que entrou furando o teto do veículo e saiu estraçalhando o vidro. Foto: Voz da Comunidade

A Linha Vermelha também ficou parada por cerca de uma hora por conta da intensa troca de tiros provocada pela operação policial. A importante via expressa faz a ligação do centro do Rio aos municípios da Baixada Fluminense e também ao Hospital do Fundão.

A alegação feita pela PM era a de que uma escola estava sendo usada como base para preparação de um evento no interior de uma escola. A partir disso, foi iniciada a operação que afetou milhares de pessoas por mais de 24 horas.

O resultado obtido pela PM foi ínfimo para tanta interferência na vida da população carioca: um fuzil, um revólver e uma quantidade não especificada de drogas. Mais de 40 pessoas foram detidas e levadas para a 21ª Delegacia de Polícia.

Durante a operação, 18 movimentos de favelas emitiram um Comunicado intitulado A maré não será silenciada em que questionam se uma operação de semelhante tipo seria possível nos condomínios da Zona Sul e da Barra da Tijuca (regiões nobres da cidade), onde de fato são encontradas enormes quantidades de armas sem disparar um único tiro, como já denunciado e reafirmado no caso de Elaine Lessa. As organizações também denunciaram violações de direitos fundamentais e exigiram o fim das operações policiais feitas pelo velho Estado.

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