África do Sul: Massas se rebelam em meio à crise do capitalismo burocrático

Massas sul-africanas se levantam diante da profunda crise do capitalismo burocrático. Foto: EPA

Confiscos de lojas (mal chamados de saques), bloqueio de rodovias e portos, explosões de caixas, interrupção nas refinarias de petróleo e redes de comunicação: as massas sul africanas se rebelam desde a segunda semana do mês de julho, em meio a profunda crise do capitalismo burocrático no país.

A prisão do ex-presidente Jacob Zuma foi o motivo que rebentou os protestos, pois acrescentou ainda mais elementos de instabilidade no barril de pólvora da sociedade sul-africana. Essas enfrentam, desde o ano passado, a pior crise econômica já registrada na história do país, além do desemprego que afeta 33% da população, e atingindo 74% dos jovens.

Diante disso, nas duas cidades mais populosas do país e as mais importantes politicamente, a capital Joanesburgo e a cidade que comporta o porto mais importante economicamente do país, Durban, as massas foram às ruas e confiscaram em massa todos tipos de produtos, incluindo os mais básicos, como comida e remédios. Caminhões de transporte também foram incendiados pelas massas rebeladas.

Mais de duas mil pessoas foram presas, 212 pessoas foram mortas e os danos foram avaliados em cerca de 1 bilhão de dólares. Tamanha fúria popular é o que o monopólio de imprensa ianque The Washington Post chamou de “aviso para o mundo”: “o que aconteceu na África do Sul é o que acontece quando a grande desigualdade que molda toda uma sociedade ferve.”

O governo de turno chegou a pedir por 25.000 soldados extras por três meses, isso é sem precedentes e é o maior destacamento deste tipo desde o fim do apartheid. Foi declarado também estado de emergência.

 

Crise do capitalismo burocrático levanta as massas

Há exato um ano, neste mesmo mês, o AND noticiava os protestos do povo sul-africano por direito à moradia, emprego e à energia elétrica. As massas, em diferentes cidades, bloquearam ruas com pneus em chamas, atacaram prédios do velho Estado e combateram a repressão policial com paus e pedras.

E, desde o início do ano de 2020, quando a pandemia do novo coronavírus ainda não era uma realidade mundialmente e não se classificavam as crises econômicas geradas pela crise de superprodução relativa do capital como “Crise do Corona”, o AND já demonstrava os efeitos da crise do capitalismo burocrático no país.

“A receção no país manifesta a sua condição semicolonial em relação aos países imperialistas, sendo a maioria dos produtos exportados pelo país o ouro, diamante, platina e outros metais e minérios brutos. Em contrapartida, os produtos mais importados pelo país, devido à dominação sobre a indústria local, são maquinários, equipamentos, produtos químicos, derivados de petróleo, instrumentos científicos e alimentos. 

Devido a essa relação comercial semicolonial, as exportações do país atingem o valor de 69.1 bilhões de dólares, enquanto que as importações batem o valor de 73.7 bilhões de dólares (dados de 2016), quadro que agrava o estrangulamento da economia nacional e sua fragilidade.

Dados de 2012 também mostram que, entre muitos “parceiros comerciais”, a África do Sul mais importa do que exporta: com a China, o país importa 14,4%, e exporta 11,8%; com a Alemanha, exporta 5,7% e importa 10,1%; entre outros.”

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