Japão: Continuam as manifestações contra as Olimpíadas em Tóquio em meio à alta da Covid-19

Massas japoneses protestam contra a realização das Olimpíadas e carregam faixa escrita As Olimpíadas matam os pobres!. Foto:Yuichi Yamazaki

As massas japonesas têm protestado durante os últimos meses contra a realização das Olimpíadas em Tóquio, em meio a uma alta nos casos da Covid-19 e um processo lento de vacinação da população. Agora, às vésperas do evento, as manifestações têm se intensificado. Uma pesquisa mostrou que 83% dos japoneses não querem as Olimpíadas realizadas. Durante os protestos contra a realização dos jogos, as massas carregavam faixas com dizeres As Olimpíadas matam os pobres! e Não às Olimpíadas em qualquer lugar! 

De acordo com dados do monopólio de imprensa Reuters, os casos da Covid-19 atualmente já representam 53% do que foi o seu pico em janeiro de 2021 e estão crescendo cada vez mais, com quase 3.500 casos confirmados por dia. Além disso, apenas 29,3% da população foi vacinada.

Os manifestantes afirmaram que perderam seus empregos durante a pandemia no mesmo período em que o governo do Partido Liberal Democrático do Japão (que está quase que continuamente no governo desde 1995, com muitos de seus membros sendo abertamente fascistas, reivindicando posições “ultranacionalistas”, monarquistas e extema-direitistas) gastou bilhões de dólares nas Olimpíadas. As denúncias das massas contra o governo tratam do fato de que o governo ignorou as necessidades mais urgentes das massas, como a alta na fome, desemprego e os efeitos desastrosos da crise de superprodução relativa do capital. Também são feitas outras reivindicações. Vale lembrar que ainda não foram reconstruídas as áreas afetadas pelo desastre de Fukushima em 2011.

Em entrevista ao South China Morning Post, um manifestante denunciou que, enquanto os pequenos negócios enfrentam inúmeras limitações em seu funcionamento o governo incentivava as Olimpíadas, que beneficia os monopólios internacionais patrocinadores dos jogos, aos quais terão liberdade de comercializar serviços e venda de produtos. As limitações foram chamadas de “pena de morte” para os trabalhadores.

A Associação de Praticantes da Medicina de Tóquio, que representa cerca de 6 mil médicos, se pronunciou contra a realização das Olimpíadas e disse que “tinham suas mãos cheias [de casos da Covid-19] e quase nenhuma capacidade sobrando [para tratar novos casos]”.

Os casos de oficiais das Olimpíadas quebrando as regras de uso de máscaras em uma cidade sob estado de emergência para os jogos.

Cerca de 11.000 atletas olímpicos e 4.400 paraolímpicos viajarão para a capital japonesa nas próximas semanas, ao lado de 41.000 técnicos, juízes e outros oficiais.

Comitê Olímpico Internacional teme protestos políticos dos próprios atletas

Em meio a uma série de protestos populares que tomam vários países no mundo,, quando diversos atletas se manifestaram a favor dos protestos, mesmo durante eventos de esportes, e contra o assassinato do povo preto e pobre pelas forças de repressão dos Estados reacionários, o Comitê Olímpico Internacional (COI) ameaçou os atletas a “evitar” declarações “divisionistas”.

O chefe do COI, ex-campeão olímpico de esgrima pela Alemanha, disse que não apoiaria ativismo de atletas durante as ocasiões mais importantes dos jogos. “O pódio e as cerimônias de medalha não são feitas... para uma manifestação política ou outra”, ameaçou. 

Entretanto, tais manifestações já aconteceram, como durante as provas olímpicas do Estados Unidos (USA) no mês passado, quando a lançadora de martelo Gwen Berry deu as costas à bandeira dos Estados Unidos durante o hino e colocou uma camiseta na cabeça com os dizeres "Atleta Ativista".

O povo é quem mais perde com as Olimpíadas

Dados mostram que os efeitos da crise de superprodução relativa do capital, combinada ao da crise sanitária da Covid-19, foram desastrosos no Japão. O país, por mais que considerado a “terceira economia do mundo”, tem uma taxa de pobreza de 15,7% de sua população, que só tem se agravado durante a atual crise. Além disso, a taxa de desemprego esteve em aumento contínuo de cinco meses até maio, quando chegou ao seu pico.

A crise de fome no Japão também aumentou notavelmente, pois o fornecimento de refeições diárias e consistentes às crianças pararam depois que as escolas fecharam.

O Produto Interno Bruto do país, inclusive, em 2020, na taxa de crescimento real anual, teve um marco de -4.8% em relação ao ano anterior.

Enquanto isso, o COI arrecadou 4,5 bilhões de dólares (cerca de R$ 23 bilhões) para as Olimpíadas de 2018 (Olimpíadas de Inverno) e 2020 (Olimpíadas de Verão) no Japão, sendo que muitos denunciam como esse sendo o único motivo para a manutenção de uma Olimpíada em meio à pandemia. 

O Comitê inicialmente ofereceu a Tóquio 1,3 bilhão de dólares para cobrir parte do que está gastando nas Olimpíadas, embora o contrato permita pagar uma quantia diferente a critério do COI. Segundo uma estimativa, a perda dos espectadores estrangeiros pessoalmente pode custar ao Japão até 23 bilhões de dólares (R$ 119 bilhões).

Isso parece não afetar o Estado imperialista japonês o suficiente para o cancelamento do evento, visto que, como se comprovou na realização dos megaeventos no Brasil, eles configuram uma ótima oportunidade para os governos reacionários deixarem ainda mais endinheiradas as grandes empresas e realizarem trocas de favores, além da oportunidade para desvio de verbas. Entretanto, tudo isso é completamente rechaçado pelas massas locais, que sempre acabam recebendo a conta da farra.

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