Militar que coordena a Funai ameaça “meter fogo” em indígenas

O tenente de reserva do exército, Henry Charlles Lima da Silva, que é também o atual coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Vale do Javari (AM), ameaçou “meter fogo” em povos isolados, durante uma reunião que ocorreu em 23 de junho.

É o que revela um áudio gravado em meio a reunião na aldeia Vida Nova com o povo Marubos, e vazado pelo jornal monopolista Estado de S. Paulo. “Eu vou entrar em contato com o pessoal da Frente [de Proteção Etnoambiental] e pressionar: ‘Vocês têm de cuidar dos índios isolados, porque senão eu vou, junto com os marubos, meter fogo nos isolados’”, afirmou o tenente Henry.

Antes mesmo da Funai existir, o papel que o tenente se propôs a cumprir já era executado pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) criado em 1918 e coordenado pelo exército reacionário a partir das experiências promovidas pela Comissão do reacionário Marechal Rondon que encabeçou uma verdadeira campanha de guerra contra os povos indígenas. Sob a alegação de progresso e desenvolvimento, os militares proporcionaram a expansão da semifeudalidade e do capitalismo burocrático no interior do país  e ataque a diversos povos originários.

A SPI, parte das ações comandadas por Rondon, foi responsável por massacres e extinção de diversos povos, fato denunciado amplamente investigado e comprovado pelo próprio velho Estado que se viu obrigado a mudar o nome de SPI para Funai em 1967, que segue cada vez mais repleta de denúncias como a que assombrava o antigo aparato.

O militar do Exército reacionário alegou ainda que não tratará de política, mas afirmou que o atual governo não pode aplicar suas políticas por questões ideológicas. 

Contradição no seio do povo

O que relatam os Marubo (povo que vive na Área Indígena Vale do Javari no estado do Amazonas) é que semanas antes da reunião, indígenas isolados tentaram sequestrar uma mulher de 37 anos, que foi encontrada quatro horas depois com as mãos amarradas. Eles afirmam que esta foi a terceira tentativa de sequestro.

O registro do aparecimento de povos isolados na região é de responsabilidade da Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javari, que ainda investiga o caso.

O coordenador, durante a reunião afirmou que os supostos ataques são promovidos por povos que já falam português e recebem cestas básicas do velho Estado, declaração que leva a uma agudização do conflito, uma vez que sendo povos isolados ainda sob investigação, não tem como garantir que estes falam português, menos ainda estabelecer entrega de cestas básicas. 

Outro fator relevante no conflito estimulado é o fato que o acesso a armas de fogo, amplamente incentivado pelo tenente, é possível apenas aos povos não isolados, o que representará um massacre.

Em carta emitida por uma das organizações dos Marubo, chamada Organização das aldeias Marubo do rio Ituí (OAMI), os indígenas afirmam: “A orientação de guerra declarada pelo atual Coordenador da CR-Vale do Javari não será processada em nossas mentes, pois temos ciência que o Javari é um território compartilhado por distintos povos, e a nossa maior guerra é combater o descaso e a inoperância da Funai”.

Atualmente cerca de 90% dos povos indígenas isolados em todo o mundo vivem em sete países da bacia amazônica e chaco paraguaio.

Imagem retrata povos isolados. Foto: Reprodução

Mais denúncias contra a Funai

O coordenador da Funai, mostra novamente que as legislações e a própria Constituição são tidas como letra morta pelo velho Estado, uma vez que o órgão na teoria deveria proteger os povos indígenas sujeitos a vulnerabilidades é quem realiza as ameaças de massacres.

Além destes claro incentivo ao massacre pelo representante do órgão, a Funai é apontada por usar menos de 1% da verba destinada à saúde pública dos povos indígenas. Isso em meio à pandemia.

Dados oficiais apontam que do total de R$ 41 milhões destinados no primeiro semestre de 2021 para ações de enfrentamento da pandemia, apenas R$ 383,5 mil foram empenhados.

Mais de 1,1 mil indígenas já foram mortos em decorrência da Covid-19 e 57 mil totalizam os registros de contaminados em todo país, segundo dados contabilizados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e o Instituto SocioAmbiental (ISA).

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