Fura-Filas: 130 agentes da Abin e 30 mil militares das FFAA são vacinados privilegiadamente

Exército vacinou militares e agentes da Abin de forma privilegiada. Foto: Reprodução

Enquanto jovens militares de 22 já estão se vacinando, os moradores de Brasília estão estacionados nos 40 anos de idade na fila de vacinação em uma campanha de imunização problemática e caótica.

A campanha de vacinação para os civis conta com um sistema de agendamento que sai do ar diariamente. As doses que chegam à cidade são insuficientes o que leva a um sorteio de vacinas. Com isso muitos moradores tentam se vacinar em cidades do estado de Goiás.

No entanto, militares das Forças Armadas, agentes de inteligência e demais membros de outras forças de repressão estão obtendo privilégios na ordem de vacinação.

O Ministério Público Federal (MPF) teve acesso a uma lista com nomes de 130 agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que se vacinaram contra a Covid-19 de forma privilegiada juntamente com 30 mil militares das três Forças Armadas. Outros agentes de outros órgãos de segurança também foram vacinados dentro do esquema de fura fila no Distrito Federal.

O caso é investigado em um Inquérito Civil Público instaurado no dia 25 de junho. Tal ação, que ocorreu sob ordens do Exército, contraria as diretrizes do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. O PNI utiliza critérios como idade ou condições especiais como gravidez e pessoas com comorbidades para terem preferência na fila de vacinação.

No dia 1° de julho, a procuradora da república Ana Carolina Roman, responsável pelas investigações, consultou duas técnicas do PNI durante uma reunião virtual. Estava presente também o antigo diretor do Departamento de Imunização do Ministério da Saúde, Laurício Monteiro Cruz, que foi demitido do cargo uma semana após a reunião, sob a suspeita de negociação paralela de vacinas para o Ministério da Saúde.

Na reunião, Roman perguntou sobre o episódio da vacinação dos agentes de inteligência e a técnica Gava respondeu que “Tivemos esclarecimento com o governo do Distrito Federal. A coordenação de imunização entrou em contato conosco, perguntando sobre esses profissionais [da Abin]. No PNI, esses profissionais não estariam contemplados, por não disporem de ações diretas [relacionadas à atuação em segurança]", afirmou a técnica do PNI.

Secretário de saúde justificou a ‘furada de fila’ enquanto povo estava sem vacinas

Sobre o motivo das vacinações dos agentes, o secretário de saúde do DF, Osnei Okumoto, disse que "por fazerem parte do grupo de funcionários da força de segurança, houve o pleito de vacinação por parte da associação dos servidores da Abin para vacinação de 130 profissionais a serem contemplados, considerando o critério de exposição de risco epidemiológico decorrente do trabalho por parte desses servidores", cita no ofício enviado ao MPF.

A vacinação deveria ser discreta, sem chamar a atenção. Isso é o que confirma o documento que também indica que a vacinação ocorreu na Praça dos Cristais em Brasília, em uma parceria entre a secretaria e o Comando Militar do Planalto, do Exército. "A listagem foi enviada diretamente para o Exército, considerando a importância da discrição quanto ao sigilo das atividades e nomes desses servidores."

O diretor da Abin, Alexandre Ramagem, após receber um pedido do MPF para dar explicações, confirmou a vacinação e argumentou que os agentes prestam serviço essencial.  "Não se pode deixar de afirmar o caráter de órgão de segurança de Estado e da sociedade da Abin, bem como a essencialidade da atividade de inteligência", disse Ramagem em ofício.

A mesma justificativa foi dada pela Associação Nacional dos Oficiais de Inteligência, autora do pedido de vacinação.

Porém, a procuradora Ana Roman afirma que a vacinação dos agentes desrespeitou normas técnicas do Ministério da Saúde.

A procuradora ainda questionou, durante uma reunião ocorrida no dia 29 de junho, a enfermeira Christiane Braga de Brito, subsecretária de Planejamento em Saúde do Distrito Federal, sobre o porquê e como se deu a vacinação dos agentes da Abin.

A subsecretária respondeu que a vacinação dos fura-filas militares “foi ratificada pelo ministério que eles faziam parte desse processo de segurança pública. O efetivo são 30.927 profissionais [de segurança] do DF mais PF, PRF, Depen, Ministério da Justiça e Força Nacional. A Abin foi considerada dentro desse grupo", afirmou.

Christiane Braga de Brito, também afirmou que tal operação é feita com a participação das Forças Armadas: “O Ministério da Saúde tem encaminhado quantidades específicas para as Forças. É operacionalização nossa, mas essas doses são federais. E hoje tem concentrado isso no QG [do Exército]. É feito com a participação das Forças Armadas. Encaminhamos as doses e o público-alvo", afirmou a subsecretária.

Prova disso é o fato de que o Ministério da Defesa apresentou ao Ministério da Saúde um total de 29,6 mil militares da ativa pertencentes às três Forças Armadas para serem vacinados como grupo prioritário. O número corresponde a todo o efetivo atuando em Brasília.




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