Organizações populares denunciam oportunistas por acordos com PM e agressões

Policiais invadindo a manifestação do dia 24 de julho no Rio de Janeiro. Foto: Banco de Dados AND

Diferentes organizações políticas denunciaram a prática de delação feita por alguns partidos políticos eleitoreiros que, dias antes do ato, combinaram como seriam os protestos com a Polícia Militar (PM). As denúncias foram motivadas por agressões e prisões de militantes no Rio de Janeiro (RJ) e em São Paulo (SP). 

Em SP, as tropas policiais realizaram apreensões de bandeiras de organizações políticas que não participaram do acordo com a PM e promoveram ataques contra manifestantes após o horário determinado para o fim do ato. No RJ, as denúncias foram motivadas pela agressão orientada pela direção do Partido Comunista Brasileiro (PCBrasileiro) contra ativistas que tentavam se desvencilhar do cerco policial durante a manifestação. Na capital fluminense também houve a prisão de um manifestante durante a dispersão do ato.

Acordo com PM, agressão e alcaguetação

Dias antes, foi divulgada a ata de uma reunião ocorrida em São Paulo com o 11º Batalhão da PM e organizações políticas, entre eles as direções do Partido da Causa Operária (PCO), da CSP-Conlutas e do PCBrasileiro. Horas antes do ato do RJ, divulgava-se entre grupos de mensagens um “roteiro” do ato, indicando o horário minucioso em que cada atividade ocorreria.

No RJ, durante todo o ato, diferentes pelotões estavam dispostos ao redor do centro da Cidade, porém os únicos dois pelotões presentes imediatamente na manifestação acompanhavam de perto toda a movimentação de alguns movimentos específicos, do chamado “Bloco Autônomo” e de organizações democrático-revolucionárias. Um dos pelotões era formado por agentes da Rondas Especiais para Controle de Multidões (Recom), unidade especial de repressão. Nenhuma outra unidade policial acompanhava o ato diretamente. O fato indica uma provável delação entre as cúpulas dos movimentos oportunistas para a PM.

A denúncia se intensificou quando dirigentes do PCBrasileiro agrediram ativistas que buscavam se desvencilhar de um cerco policial. Ao se deslocarem para o centro do ato, ativistas de organizações populares que não participaram dos acordos feitos dias antes foram agredidos por militantes do PCBrasileiro simplesmente por estarem próximos ao bloco. A direção do PCBrasileiro já havia se pronunciado acerca das repressões contra setores independentes do velho Estado, afirmando em nota da Comissão Política Regional de SP que: “Se tomam ações irresponsáveis, que arquem com elas!”.

Diferentes manifestantes denunciaram que a agressão era covarde, posto que tais ativistas buscavam apenas escapar do cerco policial. Aproveitando-se disso, a PM invadiu a manifestação e lançou spray de pimenta contra os ativistas. Uma manifestante foi atingida e chegou a ficar desacordada por certo momento. A equipe de reportagem de AND registrou esse momento.

A nota da torcida “Flamengo Antifascista” denunciou que “no ato da mudança de direção, as mulheres que carregavam nossa faixa frontal foram impedidas de prosseguir por integrantes do PCB [referindo-se ao PCBrasileiro]”, que iniciaram uma barreira em um ponto que havia um “vácuo de pessoas na rua”. Ativistas da CasaNem denunciaram que “um dos integrantes da UJC/PCB deu um soco no peito” de uma trabalhadora. E que, em seguida, partiram para arrancar a bandeira da organização.

A nota da Mídia Independente Coletiva (MIC) relatou e repudiou a agressão a uma jornalista que compõem o coletivo. A MIC, que também divulgou cenas do momento da agressão, afirmou que “absolutamente nada justifica as ações do PCB naquele momento e as ameaças que se seguiram depois, através de redes sociais”.

Jornalistas do AND também estiveram presentes no momento em que a agressão ocorreu. Nesse mesmo momento, foi avistado um rapaz de blusa vermelha saindo do bloco do PCBrasileiro e indo na direção de uma tropa da PM para conversar. Momentos antes, em discussão com os ativistas, um dirigente do PCBrasileiro disse: “Vocês querem polícia aqui?! Então para!”, ameaçando delatá-los.

Acordos justificam prisões em todo país

O ato contra o governo militar genocida no RJ, assim como em SP, foi precedido de reuniões entre representantes de partidos e movimentos vinculados ao velho Estado (PCBrasileiro, PCO, UNE, entre outros) e comandantes da PM. A reunião ocorrida em SP teve sua ata divulgada dias antes. Nela é possível ver o Batalhão da PM colocando as condições para o ato ocorrer (na prática, cerceando o direito à livre manifestação das massas) em conluio com tais forças oportunistas, que manifestaram sua concordância na reunião. 

No dia do ato, foram realizadas detenções de bandeiras do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e da Unidade Vermelha - Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR) juntamente com ativistas. Os militantes ficaram impossibilitados de participarem da manifestação, tendo sido retidos pela PM.

Em nota intitulada As ruas são das massas, e não de meia dúzia de oportunistas!, o MEPR afirmou que não “surpreende a ata ‘vazada’ sobre a reunião daquelas organizações com a PM de São Paulo, em que tramaram da forma mais covarde a repressão à juventude e movimentos independentes”. E também que a prática dessas organizações é “capituladora e até delatora”. E que “não à toa, enquanto PT, PSOL, PCBrasileiro e outros se reuniam com o comando da PM de Doria - os assassinos de Paraisópolis - nós tivemos nossa bandeira apreendida e exibida como ‘troféu’ por esta mesma corporação genocida”.

Sobre o fato do Rio de Janeiro, os estudantes revolucionários denunciam que “também ficou explícita a ‘Santa Aliança’ destes ‘revolucionários de Youtube’ com a Polícia Militar: durante a manifestação, a direção da UJC - União da Juventude Capituladora formou um cordão de bloqueio impedindo a passagem de um grupo do chamado ‘Bloco Autônomo’, no que foi auxiliada pela polícia, que se aproveitou do fato para a invadir a manifestação e agredir ativistas, apenas entre os independentes, claro”.

Sobre a razão para esse fato, é apontado que “estes oportunistas depositam suas últimas fichas de sobrevivência” na eleição de 2022 de Lula com “‘unidade’ com Renan Calheiros, Jader Barbalho e outros”. Os estudantes afirmam ainda que os setores oportunistas insistem “na vã esperança de negociarem os rumos da insatisfação das massas populares”: “Estes politiqueiros fracassados preferem se ajoelhar diante dos mesmos policiais que entram nas favelas, periferias e massacram a juventude preta e pobre do País, e reprimem os camponeses em luta pela terra”. 

A nota do MEPR pode ser lida na íntegra clicando aqui.

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