SP: Ativistas Galo e Géssica são presos por ato político 

Após a perseguição aos ativistas, manifestantes exigiram sua liberdade imediata. Foto: Reprodução

Nesse 28 de julho, os ativistas Paulo Roberto da Silva Lima, mais conhecido como Galo, e Géssica de Paula da Silva Barbosa, tiveram suas prisões anunciadas pela Justiça de São Paulo, por suspeita de terem participado do incêndio à estátua do bandeirante Borba Gato, infame genocida e abusador de mulheres. Os dois são ativistas do movimento social Revolução Periférica, que assumiu autoria pelo ato político. 

A prisão foi anunciada logo após o casal se apresentar ao 11º Distrito Policial. Enquanto Paulo afirma ter participado do ato, com intuito de abrir um debate sobre a figura do bandeirante Borba Gato, Géssica atesta que não participou da manifestação. 

Além do casal, outro manifestante também foi indiciado, acusado de ter dirigido o caminhão utilizado no ato e adulterado sua placa, o homem responde pelo crime de associação criminosa e incêndio. 

Após a prisão dos dois ativistas, houve uma enorme repercussão nas redes sociais, em que artistas, ativistas e intelectuais expressaram sua solidariedade à Galo e Géssica. 

Advogas denunciam ilegalidades na prisão de géssica

O advogado de Géssica também fez uma declaração, em que afirma que a decisão de sua prisão é "absolutamente ilegal", sendo justificada apenas por uma postagem de Géssica em suas redes sociais do incêndio. Ou seja, não há nenhuma prova de sua participação efetiva. 

O delegado da Polícia Civil, Júlio Jesus, encarregado das investigações, confirma a visão dos advogados de defesa. Júlio Jesus, em depoimento, disse que "a prisão serve para dar continuidade às investigações. Se for constado que ela não participou, a prisão pode ser revogada. Durante as investigações, foi verificado que o telefone utilizado por Paulo está em seu nome. Nas suas redes sociais, ela publica fotos do ato, mas não dá para perceber se ela está lá ou não. Por isso o pedido de prisão dela, para continuar as investigações.".

Galo e Géssica, embora possuam residência fixa, não tenham antecedentes criminais e estejam colaborando com as investigações, continuam presos. A Polícia Civil de São Paulo entendeu que era necessário prender os dois para que as investigações pudessem continuar, e a Justiça autorizou a prisão.

RECONSTRUÇÃO DA ESTÁTUA 

Ainda do lado reacionário, foi confirmada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, a doação de um empresário, por enquanto com a identidade anônima, para a reconstrução da estátua de Borba Gato. 

Sobre isso, a historiadora Deborah Neves, em entrevista à Agência Pública, contesta a decisão do prefeito sobre acatar a doação do desconhecido empresário, “Por que a voz de um empresário que está se dispondo a financiar a recuperação desta estátua tem mais valor do que este coletivo que decidiu dizer que esta memória tem de ser questionada?”, pergunta a historiadora. 

Os democratas questionam o absurdo da iniciativa de uns poucos ricassos terem mais voz na discussão acerca da memória nacional do que ativistas e militantes populares. Os questionamentos que criticam a exaltação do bandeirante genocida não são levados em conta, ou, quando muito, são indicados os ‘caminhos constitucionais’ de questionar a existência de estátuas.

Ato contínuo, as prisões são utilizadas para criminalizar o ato político realizado pelo coletivo Revolução Periférica. A ação realizada foi uma ação política, e não um ato de mero “vandalismo”. “Ilegal”, como vimos, são as prisões arbitrárias de Géssica e Galo. 




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