Pegasus e Sherlock: Governo militar impulsiona a espionagem

NSO Group, a empresa israelesne que comercializa o programa Pegasus. Foto: Jack Guez/AFP

Em 19 de maio, diversos meios de comunicação do monopólio reportaram uma tentativa do vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) de realizar uma licitação para um programa de espionagem intitulado Pegasus, desenvolvido pela empresa israelense NSO Group.

A notícia veio à tona na véspera de uma audiência pública na Câmara Federal em que estaria presente o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Governo militar e espionagem de dissidentes

O programa de espionagem desenvolvido pela empresa israelense é usado por governos reacionários ao redor do mundo com a finalidade de espionar dissidentes ao regime. O mecanismo de atuação israelense consegue invadir celulares sem indicar o responsável pelo acesso. Ele também permite o monitoramento de indivíduos e empresas sem uma decisão judicial, cabendo apenas o julgamento pessoal daqueles que possuem permissão para acessar o programa de espionagem. Tal fato abre a brecha para que a espionagem ocorra sem qualquer determinação judicial.

Na tentativa de implementar a utilização do aplicativo espião Pegasus, o filho “02” do presidente fascista Jair Bolsonaro articulou juntamente com o ministro da Justiça, Anderson Torres, o edital de licitação nº 03/21 no valor de R$ 25,4 milhões. 

No pregão eletrônico, um dos concorrentes a oferecer a “melhor proposta para o governo brasileiro” para o uso do programa está a próprio NSO Group, dona do Pegasus, que ofereceu a utilização por 12 meses por cerca de R$ 60 milhões.

O Ministério da Justiça afirmou, em nota, que o objetivo seria “combater o crime organizado” e que a licitação não tem “nenhuma relação com o sistema Pegasus”.

Questionado sobre o programa, o Ministério Público (MP) divulgou nota afirmando que o programa não era um programa de “espionagem”, mas uma “ferramenta a ser eventualmente contratada”, que “possibilita a realização, de forma mais ágil, de pesquisas e coletas de informações em fontes abertas, isto é, informações acessíveis a todo e qualquer usuário da internet”.

Programa de espionagem Sherlock

Quase três meses depois das acusações envolvendo o programa de espionagem israelense, foi divulgado no dia 03/08, pelo site da Uol, uma nova tentativa de Carlos Bolsonaro de adquirir programas de espionagem. 

Sendo considerado um programa melhor do que o Pegasus para a invasão de computadores, o programa de espionagem Sherlock contém uma ferramenta apelidada de Devil’s Tongue (em português, “Língua do Diabo”) especializada em achar falhas no Windows, para através delas invadir qualquer máquina Microsoft, que é o sistema operacional mais utilizado entre as máquinas do governo. 

Carlos Bolsonaro aproveitou a primeira viagem presidencial à Israel, em 2019, para desenvolver um acordo sobre a ferramenta com a empresa em Tel Aviv. O contato aconteceu por meio de outro integrante da comitiva presidencial, o deputado Chico Rodrigues (DEM). 

Assim como a primeira acusação, o portal do monopólio de imprensa não determinou com exatidão qual era a fonte, apenas indicou que se trata de alguém “ligado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI)”. 

De acordo com o Uol, Carlos procurou importar o programa de espionagem Sherlock, também desenvolvido em Israel. Nesse sentido, o Pegasus serviria para espionar indivíduos de fora do governo enquanto que a função do Sherlock seria a de monitorar pessoas no próprio governo.

A terceira tarefa reacionária

O sentido que a reportagem do grupo monopolista dá é que a família Bolsonaro estaria por trás da busca por programas de espionagem, no sentido de vigiar e monitorar ativistas e indivíduos considerados como ameaça ao governo, como jornalistas, advogados do povo e veículos da imprensa popular e democrática. Indicam, ademais, que é a família Bolsonaro quem terá a possibilidade de também antecipar e monitorar conflitos internos dentro do próprio governo.

O que, decerto, está apenas parcialmente correto - e também errado na mesma medida.

Mais ainda quando, também segundo dados da imprensa monopolista Uol, é revelado que em 2019 ocorreu uma reunião do Alto Comando das Forças Armadas (ACFA) em que uma ferramenta concorrente do Pegasus foi apresentada a sete generais. Santos Cruz estava presente entre eles. Seguindo as informações do Uol, o ACFA buscava um programa-espião que garantisse que a invasão fosse “indetectável e que os dados coletados não fossem enviados ao exterior”. 

De quem esteja partindo a proposta de compra, do ACFA ou de Carlos Bolsonaro, isso importa muito pouco. O fundamental é que a utilização do programa de espionagem é uma medida a mais da ofensiva contrarrevolucionária como golpe militar preventivo: militarizar a sociedade e o próprio aparelho de Estado para impedir que grandes protestos e rebeliões sejam desatados, assim como exercer controle mais amplo possível contra tudo que possa ser inconveniente para o plano golpista. Para tanto, contam com o monitoramento massivo, transgredindo aspectos jurídicos e, com isso, deformando o próprio sistema judiciário.

Frente a uma séria e real ameaça de rebeliões populares que atentem contra o sistema político das classes dominantes, o ACFA, dentro de seus cálculos políticos e em última instância, está disposto a fazer de tudo (pugna e conluio).

Leia também: Editorial semanal - A crise está delineando o seu desfecho

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin