MA: Camponeses protestam contra uso de veneno por latifúndio e denunciam intoxicação

Camponeses da comunidade do Araçá enfrentam latifúndio contra a devastação de suas terras. Foto: Reprodução

No dia 29 de junho, camponeses que vivem há mais de 100 anos na comunidade de Araçá, no município de Buriti, leste do Maranhão, protestaram contra o abuso do uso do agrotóxico que tem provocado intoxicação aos moradores, além de destruição do meio ambiente. Os alvos das denúncias dos camponeses em luta são os latifundiários André Introvini, (proprietário da Fazenda São Bernardo), e Sérgio Strobel, (proprietário da Fazenda Europa).

Dentre os moradores que protestavam estavam homens, mulheres e crianças que bravamente se postaram na frente de maquinários e impediram naquele dia que os tratoristas continuassem o trabalho. A família Introvini, conhecida em praticar crimes ambientais, recebeu uma multa de R$ 1.498.100 em Coxim (MS), por desmatamento, no ano de 2006.  

A população local tem sofrido com a produção violenta da monocultura desses latifundiários: no dia 22 de abril, um helicóptero pulverizando agrotóxicos atingiu casas e a comunidade local por três dias consecutivos, situação que acontece além da comunidade de Araçá em outras 32 comunidades rurais.

Infertilidade do solo, intoxicação e depressão em crianças

O agrotóxico além de causar a infertilidade do solo, causa intoxicação na população. Muitos relatam ter apresentado algum dos seguintes sintomas, fruto do contato com o veneno: falta de ar, tonturas, vômito, diarreia, febre, dor de cabeça, ardência no rosto, reações na pele e falta de apetite.

Inclusive crianças têm sido afetadas, André Lucas de apenas oito anos de idade foi contaminado, os ferimentos causados pelo agrotóxico gerou “mau cheiro”. Por conta disso, André logo perdeu a vontade de ir à escola (por conta da humilhação causada pelo veneno do latifúndio). Também se encontra com depressão e não tem vontade de sair de casa, querendo apenas ficar no quarto. A família da criança tem enfrentado dificuldade para comprar a medicação.

As mãos do pequeno camponês André demostram a agressão promovida pelo latifúndio. Foto: Luiza Sansão

A comunidade de Araçá, assim como os povos tradicionais da região (entre eles os ribeirinhos do Parnaíba e camponeses do Cerrado maranhense), foram impactadas com o avanço do latifundiário e a destruição ambiental nesta região. São camponeses que vivem da agricultura e do extrativismo principalmente de bacuri, do pequi, do murici, babaçu e complementam a alimentação com de aves como juriti, lambu e jacu, e outros animais, como tatus e veados. Animais que hoje são difíceis de serem encontrados na região.

Em entrevista ao portal de Olho no ruralistas, o advogado Diogo Cabral afirma: “é muito preocupante o cenário, tendo em vista que, no Maranhão, essas comunidades são numerosas, é um estado rural que tem o maior número de comunidades quilombolas do Brasil. É muito triste perceber comunidades inteiras passando fome, porque não têm onde produzir, porque simplesmente foram expulsas de suas terras e tem se agravado nos últimos meses por causa da pandemia”.

O estado do Maranhão que em apenas um ano cresceu em 102,85% os conflitos por terra, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), segundo o advogado o aumento da violência está diretamente ligado à grilagem de terras, à expansão da fronteira agrícola sobre territórios tradicionais e consequentemente a destruição de biomas e modos de vida das comunidades.

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