PE: Camponeses e trabalhadores da antiga Usina Frei Caneca em protesto reivindicam: Terra para quem nela trabalha e vive!

Barricada em manifestação exigindo terras é erguida por camponeses e antigos trabalhadores da Usina Frei Caneca na PE-126. Foto: Reprodução

Na manhã do dia 02 de agosto, camponeses e trabalhadores da antiga Usina Frei Caneca, protestaram exigindo a regularização da posse da terra, expondo cartaz com a consigna Basta de violência no campo: terra para quem nela trabalha e vive! Os manifestantes colocaram fogos em pneus e galhos de árvores, bloqueando a PE-126 no município de Jaqueira, na Mata Sul, Pernambuco (PE).

Camponeses erguem faixa exigindo terra para quem nela trabalha e vive, em Jaqueira. Foto: Reprodução

Outros cartazes de reivindicações foram levados com frases como: “1500 famílias produzindo alimentos X Usina falida que deve milhões, governador qual é o seu lado?”.

Atualmente são 300 famílias, com cerca de 1500 pessoas entre homens, mulheres e crianças, formando oito comunidades nessa região, onde vivem há mais de 50 anos algumas propriedades são parte de pagamento de dívidas trabalhistas da antiga usina.

Há cinco anos moradores sofrem com ameaças de morte, perseguições, tiroteios, prisões e destruição de suas plantações, depois que as terras do latifúndio, massa falida da antiga usina Frei Caneca, passaram a ser administradas pela empresa Negócio Imobiliária S/A. Após alteração do nome, hoje ela é chamada de Agropecuária Mata Sul Ltda. A terra arrendada pela empresa corresponde a 60% do município de Jaqueira.

Os ataques do latifúndio

Moradores têm denunciado os ataques cometidos a mando dos latifundiários,  mas que se intensificou na pandemia. No começo do ano de 2020, a empresa enviou um ônibus com funcionários à comunidade de Barra Branco, cortaram a plantação destruindo cerca de 10 mil bananeiras, além da utilização de pulverizador de agrotóxico como tentativa de evitar que a plantação voltasse a crescer.

Bananeiras dos camponeses são cortadas por capangas do latifúndio. Foto: Reprodução

No mês de abril do mesmo ano, a empresa Agropecuária Mata Sul Ltda, novamente utilizou um helicóptero para despejar agrotóxico, causando intoxicação nas pessoas da comunidade, além da tentativa de criação de uma cerca exatamente onde fica a fonte de água da região, mas com a resistência dos camponeses esta não foi concretizada.

Em julho, um camponês de 22 anos sofreu tentativa de assassinato. Ele foi atingido com sete tiros por um pistoleiro funcionário da Agropecuária Mata Sul. Atualmente na comunidade há vários moradores vivendo sob ameaça de morte.

Em abril de 2021, os moradores foram trabalhar na terra para aproveitar o período de chuva, quando novamente pistoleiros a mando da empresa chegaram atirando, enquanto os camponeses entre mulheres e crianças corriam para a comunidade. 

Toda vez que moradores tentam plantar algo aparecem pistoleiros ameaçando e intimidando, segundo as recorrentes denúncias.

Percebendo que a intimidação não estava sendo efetiva diante da resistência dos camponeses, a empresa latifundiária utilizou-se de dissimulação, na tentativa de criminalizar a luta pela terra.  Acusaram três trabalhadores de realizarem tráfico de drogas. Os camponeses falsamente acusados ficaram presos por 2 dias. As acusações, ao final, se provaram falsas, quando foi realizada a busca e apreensão na residência dos camponeses e nada foi encontrado.

Os latifundiários também realizaram uma falsa acusação sobre outro camponês de tentativa de homicídio contra a gerente da empresa Agropecuária Mata Sul Ltda, no município de Ribeirão. Sem qualquer prova contra ele, injustiçado, o camponês ficou por 32 dias no presídio de Palmares.

História das terras camponesas em Mata Sul

Em 1800, o governo do estado de Pernambuco comprou terras que pertenciam à colônia Isabel, local onde posteriormente foi fundada a Usina Frei Caneca, formada por 16 propriedades agrícolas. Além de ter em suas terras 27 quilômetros de ferrovias da antiga Great Western, que transportava o produto direto para o Porto do Recife.

Em momento seguinte, a terra foi arrendada por um político influente da região, o deputado federal Leopoldo Lins, que a repassou ao senador Fábio da Silveira e sucessivamente deixou a propriedade aos herdeiros.

Hoje, quem reivindica ser proprietário destas terras é Guilherme Cavalcanti Petribú de Albuquerque Maranhão, acionista da empresa Agropecuária Mata Sul Ltda, que se apresenta como proprietário também falida da Usina Estreliana no município de Ribeirão, onde seu irmão de Marcelo Petribú Maranhão é prefeito do município (PSB). Segundo o advogado Bruno Ribeiro em entrevista ao portal Brasil de fato os latifundiários utiliza das terras para criação de gado e especulação imobiliária, 

Dívidas do latifúndio

A ex-Usina Frei Caneca soma dívidas que chegam aproximadamente a R$ 350 milhões, superior ao valor especulado da própria propriedade. De acordo com o Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), o latifúndio tem mais de 150 processos trabalhistas, conformando, também segundo o BNDT, parte de uma lista onde os latifundiários constam entre as 100 maiores devedoras da Justiça do Trabalho de Pernambuco.

Leia também: PE: Policiais invadem casa de camponesa e latifúndio segue promovendo

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