RR: Sob ataques, Yanomami denunciam invasão, assassinato, desvio de vacinas e ataque de pistoleiros 

Em meados do mês de julho e agosto, um bando paramilitar com 12 integrantes declarou em vídeo guerra contra os indígenas Yanomami. O fato se deu próximo a comunidade Palimiú que recentemente foi palco de confronto entre paramilitares e indígenas na disputa pelo território. Desde então os indígenas seguem resistindo e denunciando os sucessivos ataques.

A principal ameaça é causada pelos grandes mineradores atrás do ouro e de outros minérios que podem ser encontrados na região. Com o aval do velho Estado, que fornece até armamentos conforme denunciado por AND recentemente, os exploradores impulsionam invasões às terras indígenas por pequenos e médios garimpeiros e se intensificam as lutas pela terra na região. 

Pistoleiros ameaçam guerra contra Yanomami em vídeo

Paramilitares portando diversos armamentos sob embarcação no rio Uraricoera ameaçam Yanomami. Foto: Reprodução

O Território Indigena (TI) Yanomami é constituído por 10 milhões de hectares divididos entre os estados de Roraima e Amazonas e faz fronteira com a Venezuela. De acordo com a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), foram identificados 43 pontos de garimpo ativos, sendo a aldeia de Palimiú epicentro geográfico da guerra do garimpo ilegal a serviço das grandes mineradoras.

Um dos inquéritos levados a cabo pela própria polícia federal revelou que a maior parte do ouro extraído na TI Yanomami são compradas por grandes e luxuosas joalherias como a HStern, Ourominas e D’Gold, que tem lojas em cidades Nova Iorque e Londres.

No dia 10 de agosto, circulou vídeo que mostra cerca de 12 paramilitares fortemente armados em uma embarcação no rio Uraricoera próximo a comunidade Palimiú. a rede Amazônica teve acesso após um deles ser preso em Boa Vista. Este mesmo local foi palco de confrontos entre garimpeiros ligados ao latifúndio e os indígenas em maio.

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Em vídeo, um paramilitar em tom de ameaça e intimidação diz: "Que negócio de índio mandar aqui? Quem manda aqui é nós, porra! Vai ver como funciona o bagulho”, e mostrando uma de suas armas complementa: “Fazer a guerra neguinho”.

No dia 09 de agosto, um dos criminosos que aparecem no vídeo foi preso com pistola, uma grande quantidade em dinheiro, três celulares e posteriormente foi identificado como Janderson Edmilson Cavalcante Alves, de 30 anos, estava foragido desde 2013, pois realizava “serviço” de paramilitar escoltava garimpeiros e ainda realizava tráfico de drogas no local. 

Um cruel assassinato

No dia 28 de julho, por volta das 14h30,  na aldeia Homoxi, às margens do rio Mucajaí, em Roraima, indígena Edgar Yanomami, 25 anos, foi assassinado, atropelado por um avião monomotor de garimpeiro, enquanto caminhava pela via em direção ao posto de saúde.

Relataram testemunhas ao portal Amazônia, que o piloto garimpeiro conhecido como Marreco, durante a ação criminosa, primeiro freou, depois acelerou, atingiu o yanomami e decolou. O mesmo “piloto” há 2 meses atrás atropelou no mesmo lugar, uma trabalhadora do garimpo que faleceu ali mesmo.

De acordo com denúncias, “garimpeiros” que estavam no local alteraram a cena do crime. O corpo do indígena yanomami com o crânio fraturado foi levado para aldeia Yamasipiu, na região vizinha de Haxiu, assim como sua esposa e seus três filhos. 

Mapa: Giovanny Vera/Amazônia Real

Junior Hekurari, presidente do Conselho de Saúde Indígena (Condisi YY), foi informado da situação quatro horas após a ocorrência do crime, pela radiofonia. Logo solicitou à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) um voo de helicóptero, mas obteve como resposta da Sesai que a aeronave estava em manutenção. Somente com voo de helicóptero era possível chegar na comunidade onde estava escondido o corpo do yanomami.

No dia seguinte, Junior foi para a aldeia Homoxi, onde vivia o indígena. Para a aeronave pousar foi necessário negociar a autorização com os garimpeiros. Enquanto não obtinham a autorização eles sobrevoaram sobre a “pista”, dando cerca de dez voltas. 

Júnior Hekurari relata: “Os yanomami estão dormindo debaixo de acampamento de lona que os garimpeiros dão, porque onde tinha comunidade deles, o que tinha, os próprios garimpeiros destruíram, derrubaram tudo. É um garimpo muito grande. O movimento de helicóptero também. Enquanto eu estava lá, cerca de dez helicópteros pousaram, carregando material, deixando material”.

A farsa do “combate ao garimpo ilegal” promovida pelo velho Estado

Foi realizada a Operação “Verde Brasil 2” em abril, onde segundo informação do exército, as tropas acharam 30 pessoas e recolheram sete motores, classificaram “resultado como pífios”. O fato é que nessa mesma região existem cerca de 20 mil garimpeiros que contando com a conivência do velho Estado, utilizam de bombas de uso exclusivo do Exército, conforme já noticiado na AND.

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Militares parte da Operação "Omama" entram na TI Yanomami. Foto: Reprodução

Prosseguindo com as ações genocidas de guerra, vacinas destinadas a Yanomami são desviadas para invasores

Hekurari esteve na Unidade Básica de Saúde Indígena (UBSI), e também relatou que o local é controlado pelos garimpeiros invasores. A unidade faz parte de uma das três UBSI denunciadas por desvio de vacinas destinadas à comunidade indígena. Elas foram trocadas por ouro por meio de alguns profissionais da saúde para realizar a vacinação dos garimpeiros.

Segundo a denúncia, o desvio aconteceu entre os meses de março e maio deste ano. Nesse mesmo período, o ouro chegou a ser cotado pelo Banco Central a R$ 319,82 a grama. Foram desviadas um total de 106 doses que daria equivalente a R$ 500 mil.

Casa da UBSI no Homoxi na TI Yanomami denuncia desvio de vacinas destinadas aos indígenas. Foto: Condisi-YY

Em junho, o portal "Repórter Brasil” e “Amazônia Real” flagraram servidores vendendo ouro em Boa Vista. Em outras comunidades Yanomami também houve denúncias de desvio de vacinas, como na comunidade Komamassipi, região do Parafuri, onde foram vacinados 45 supostos garimpeiros em troca de 15g de ouro por cada vacina. Caso semelhante ocorreu também na Parima e Homoxi onde 61 garimpeiros foram vacinados com unidades destinadas aos indígenas, totalizando 106 vacinas desviadas.

Jovens guerreiros yanomami na comunidade Palimiú. Foto: Alexandro Pereira

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