Índia: Regime de Modi assassina padre defensor dos direitos do povo

Stan Swamy foi retratado em arte realizando protesto. O democrata afirmou preferir à morte do que retornar aos hospitais gerenciados pelo governo fascista indiano. Foto: Avani News

O falecimento do padre Stan Swamy, no último dia 10 de julho, foi rechaçado por democratas e revolucionários indianos. Sua morte foi causada diretamente pela atitude do governo fascista de Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia. Stan Swamy ficou meses em cárcere após ser preso em outubro de 2020 pela Agência Nacional de Investigação (ANI) acusado de ser um membro do Partido Comunista da Índia (Maoista). A prisão da pessoa mais velha acusado de "terrorismo" pelo velho Estado indiano foi acompanhada de uma série de violações de direitos que culminou na morte do democrata e defensor dos direitos do povo indiano.

Em declaração ao monopólio de imprensa Hindustan Times, seu colega PM Tony disse que "Stan Swamy era um homem com muita força interna; sei que ele teria vivido mais quinze anos se não fosse o seu encarceramento". Tamanho é o respeito do povo indiano ao Padre Stan Swamy que o monopólio o louva enquanto 'campeão dos direitos dos povos tribais', e se vê obrigado a denunciar, ainda que de forma limitada, a agressão do velho Estado fascista a este grande democrata.

Stan Swamy: a vida de um verdadeiro democrata

Stan Slas Lurd Swamy nasceu em 26 de abril de 1936, em Tiruchirapalli, no estado de Tamil Nadu, na Índia. Em 1956, iniciou seus estudos religiosos. Na década de 1970, realizou sua pós-graduação em Sociologia na Universidade de Manila, em Filipinas, onde ele presenciou e foi influenciado pelo amplo movimento de massas - dirigido pelo Partido Comunista das Filipinas - que se desenvolvia contra o regime do fascista Ferdinard Marcos. No período em que estudou em Bruxelas, capital da Bélgica, se aproximou de líderes cristãos e, através do trabalho social com pessoas pobres, comum a vários líderes religiosos, desenvolveu seu desejo de servir ao povo. Em especial, foi influenciado pelo trabalho social do Arcebispo Católico brasileiro, Dom Helder Câmara. Tais influências o levaram a se tornar diretor do Instituto Social de Bangalore de 1975 a 1986. Lá, ele já questionava a incapacidade do velho Estado de solucionar os problemas dos povos originários adivasi. 

Ele já havia visitado Jharkhand, na Índia, em 1956, ainda em treinamento religioso, mas é em 1991 que ele se integra à Organização de Jharkhand por Direitos Humanos, e posteriormente funda seu próprio instituto, Bagaicha, onde trabalhou servindo aos povos oprimidos, especialmente os povos originários, pelas últimas três décadas.

Em documento homenageando a vida de Stan Swamy, o PCI (Maoista) escreve: "O Padre Stan Swamy trabalhava à luz dos ideais dos heróis dos povos originários, Birsa Munda, Tilak Majhi e, Siddho-Kanho, que representavam os direitos dos povos originários à floresta. Ele construiu suas colunas memoriais. Ele se uniu à Província de Jamshedpur de Jesus enquanto padre. Ele se opôs ao roubo de terras dos povos originários, perpetrados pelos governos central e estadual para a construção de mega-barragens, mineração e cidades em nome do "desenvolvimento" e lutou ao lado dos povos oprimidos. Portanto, os povos originários amam, respeitam e seguem o Padre Stan Swamy. As classes oprimidas e as comunidades sociais especiais do país perderam um grande ativista.".

Seu primeiro confronto direto com as forças reacionárias foi em 2018, onde ele foi acusado de incitar violência numa celebração anual da Batalha de Bhima Koregaon, evento de altíssima importância para os dalits, pessoas de castas inferiores. O Padre informou que não estava presente na região durante aquele período, mas o velho Estado insistiu que ele era, supostamente, diretamente associado ao evento, e, assim como fazem diariamente com todos aqueles que ousam lutar, o acusou vagamente de "simpatizante do Maoismo", com base no fato de que o Padre havia fundado o Comitê de Solidariedade aos Prisioneiros Políticos (CSPP), que lutava pela libertação de mais de três mil homens e mulheres que foram imputados a mesma acusação: de serem combatentes maoistas.

No dia 8 de outubro de 2020, Stan Swamy foi preso pela Agência de Investigação Nacional da Índia, uma força-tarefa 'anti-terrorista', durante invasão da sede do Instituto Social Bagaicha, desta vez sob as alegações de que o Padre seria membro do PCI (Maoista). Em vídeo circulado alguns dias após sua prisão, Stan Swamy demonstrou altíssima consciência acerca do interesse do velho Estado em impedir seu trabalho social, denunciando a ação anti-povo do Estado hindu-fascista: "O que está acontecendo comigo não é um evento isolado, e sim um processo amplo, que está ocorrendo em todo o país. Todos sabemos como intelectuais proeminentes, advogados, escritores, poetas, ativistas, estudantes, etc., são todos colocados na cadeia porque expressaram sua discordância ou levantaram seus questionamentos sobre os poderes governantes da Índia. [Os prisioneiros políticos] são parte desse processo. De certa forma, estou feliz em fazer parte deste processo.". Ressaltando, também, os grandes perigos da luta imputados àqueles que servem ao povo, colocou em destaque sua grande coragem: "Não sou um espectador silencioso, mas parte do jogo político, e estou pronto para pagar o preço por isso, seja ele qual for.".

PCI (Maoista) expõe crimes do velho Estado e convoca todo o povo a apoiar Stan Swamy

O Partido Comunista da Índia (Maoista) realizou, em documento publicado no último dia 10 de julho, homenagens revolucionárias na ocasião do falecimento do Padre Stan Swamy, "que foi morto devido à atitude burocrática das forças hindu-brahmânicas do país".

"Os povos Dalit e as comunidades originárias e oprimidas do país perderam seu grande benfeitor e genuíno democrata. [...] O Padre Stan Swamy estava sendo cuidado no Hospital da Santa Família, em Bandra de Mumbai, desde 28 de maio deste ano, vindo a falecer às 13:30, no dia 5 de julho, em decorrência de um ataque cardíaco. O Comitê Central do Partido saúda o Padre Stan Swamy", disse o PCI (Maoista), em declaração assinada por Abhay, porta-voz do Partido Comunista.

Os maoistas expressaram suas profundas condolências aos familiares, amigos e colegas de Stan Swamy, afirmando que "Sua morte é uma perda incalculável para os membros de sua família, parentes e colegas de trabalho do Bagaicha - Centro de Treinamento em Plantações e Pesquisas Sociais - que ele administrava", e reforçou sua grande devoção ao povos oprimidos do país, desejando que os membros do Bagaicha - a organização de trabalho social fundada por Stan Swamy - "fortaleçam sua dedicação para cumprir os ideais do Padre Stan Swamy".

Em seu documento, o PCI (Maoista) denuncia, de forma contundente, as prisões arbitrárias do governo de turno fascista de Narendra Modi. Nele, os maoistas ressaltam o papel da CSPP, co-fundada por Stan Swamy, "uma organização que luta por fianças e soluções rápidas para tais casos", e que o Padre, em seu livro, conheceu mais de três mil adivasis aprisionados sob acusação de "maoismo", onde menciona que, em mais de 97% dos casos, tratam-se de acusações infundadas.

"Departamentos centrais de vigilância, como a ANI, não podiam tolerar o Padre, pois ele esclareceu o povo Dalit e as comunidades tribais sobre seus direitos", afirma o PCI (Maoista), expondo este como o verdadeiro motivo por trás da incriminação de Stan Swamy "na maquinação do caso Bhima Koregaon [...] de que ele era parte da conspiração para assassinar o Primeiro Ministro Narendra Modi".

No documento, o PCI (Maoista) denuncia que a prisão de Stan Swamy, realizada sem qualquer mandado, faz parte de uma série de encarceramentos, planificados pelo velho Estado, que a polícia de Mumbai vem executando desde meados de 2018 com base no caso de Bhima Koregaon, das quais a prisão do Padre é a 16º, e que desde então, o Padre teve sua casa e centro de seu Instituto invadidos pela polícia duas vezes, que alegou ter adquirido provas de relações com Maoistas no computador de Stan Swamy; tais 'provas', entretanto, jamais viram a luz do dia.

Nas ocasiões, o Padre rechaçou a atividade reacionária, clarificando o caráter infundado das acusações, e ressaltou que, segundo decreto do governo de Jharkhand, pessoas acima de 65 anos não podem sair de suas casas, portanto, "ele deve ser investigado por conferência de vídeo. Ele acrescentou que se as agências centrais de vigilância lhe pedirem para vir a Mumbai, ele as rejeitará pela mesma razão. É extremamente desumano prender um idoso de 84 anos de idade, não considerando sua condição vulnerável.", afirmaram os revolucionários.

O PCI (Maoista) prossegue em suas denúncias, explicando o papel do velho Estado na condição de saúde de Stan Swamy: “O Padre expressou seu protesto na videoconferência que o tribunal de Mumbai aceitou, para pedir sua liberdade provisória, em 21 de maio de 2021. Ele disse que desejaria a morte do que ir ao hospital JJ, ao qual ele já havia visitado duas vezes no passado, sob os cuidados do governo. Nesta ocasião, ele falou sobre a atitude negligente dos hospitais públicos. Ele disse aos juízes que até 8 meses atrás ele poderia administrar todos os seus trabalhos pessoais sozinho, mas a cadeia de Taloja gradualmente o colocou nas más condições de saúde atuais. Ele disse aos médicos que os comprimidos no hospital JJ não tratariam sua saúde” - o Padre havia sido levado ao hospital anteriormente e alegou maus cuidados. Porém, Stan foi insistente em não querer ser levado a qualquer hospital que lhe fosse oferecido, insistindo em sua liberdade. Em sua exposição, o Partido cita Stan Swamy, que disse: “Eu não irei a um hospital [sob os ‘cuidados’ do governo fascista]. Darei meu último suspiro ao lado dos povos originários. Me dêem liberdade.”.

De acordo com os revolucionários, os médicos da prisão disseram que Stan Swamy apenas tinha uma febre, quando, na verdade, o Padre estava lutando pela sua vida, sob as condições insalubres do cárcere, e o conselho da ANI também teve a mesma atitude, alegando que Stan Swamy estava enfrentando problemas de saúde relacionados à velhice; que eles arranjaram um cuidador de idosos e que eles estão lhe fornecendo alimentos nutritivos. Tal farsa continuou até que Stan fosse incapaz de consumir seus alimentos, devido à doença de Parkinson.

Os maoistas concluem o documento, sintetizando que “foi um assassinato premeditado, “como vários acadêmicos, patriotas, democratas, ativistas, líderes políticos dos partidos de oposição, os ministros chefes de Jharkhand, Keralam e Tamilnadu e os familiares dos acusados no caso Bhima Koregaon têm dito nos últimos 3 anos. Este é sem dúvida o assassinato conjunto cometido pelo ANI, a Comissão Nacional de Direitos Humanos, o ‘Partido do Povo Indiano’ [partido hindu-fascista de Modi], o centro [no parlamento] e pelo judiciário. A luta com a exigência da retirada do caso Bhima Koregaon e a libertação imediata de todos os ativistas políticos sociais presos e presos no caso será a verdadeira homenagem ao Padre Stan Swamy.”, e apela aos escritores, artistas, jornalistas, democratas, patriotas e progressistas “para que avancem na direção de derrotar as forças hindu-brahmânicas, que constituem a base do sistema semicolonial e semifeudal e o preservam, junto do imperialismo, sistema este que se apresenta como o principal inimigo dos povos do mundo, e que os imperialistas trouxeram à tona para continuar sua exploração, impondo o mínimo de direitos civis e democráticos ao país.”.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin