Peru: Camponeses se rebelam contra mineradora imperialista chinesa

Camponeses protestam contra mineradora no Peru. Foto: Observatório  de Conflitos Mineiros no Peru

Camponeses de sete comunidades de Chumbivilcas (região de Cusco) voltaram a protestar no dia 16 de agosto contra a mineradora Las Bambas (propriedade da empresa imperialista chinesa MMG), bloqueando o escoamento da exploração mineira. A manifestação ocorreu logo após a mineradora e o velho Estado não cumprirem com os acordos estabelecidos após o fim dos protestos anteriores, que duraram do dia 23/07 ao dia 02/08.

As manifestações acontecem devido à intoxicação que ocorre como consequência da passagem dos caminhões da mina no território conhecido como “corredor mineiro”. Nele existem várias comunidades camponesas que, entrando em contato com a poeira da extração, principalmente do cobre, têm suas plantações afetadas por tal poeira tóxica. A poluição sai de cima das caçambas dos caminhões e afeta também a saúde dos moradores.

Entre as exigências imediatas dos camponeses estão a irrigação da área pela mineradora para mitigar o alastramento da poeira no local. Os camponeses exigem também a indenização pelos impactos ambientais, sociais e culturais. Ademais, exigem também receber as mesmas indenizações de direitos dos trabalhadores da mineradora.

A Las Bambas foi vendida para a MMG em 2014 pela empresa suíça Glencore (Xtrata). Essa última também foi criticada e enfrentou protestos de camponeses peruanos. A compra pela MMG, de capital chinês, envolveu cerca de 10 bilhões de dólares.

A extração de Las Bambas representa 2% dos 20 milhões de toneladas de cobre produzidas no mundo (com 452 mil toneladas extraídas em 2018) e 18,8% dos 2,4 milhões de toneladas extraídas do Peru, segundo maior produtor mundial de cobre, prata e zinco.

Empresa imperialista chinesa não construiu mineroduto subterrâneo

Quando a empresa MMG comprou Las Bambas da empresa suíça Xstrata, houve a modificação do estudo de impacto ambiental. O estudo é necessário para o funcionamento da atividade de mineração.

A mudança neste documento excluiu a necessidade de um mineroduto subterrâneo para transportar o material extraído. Como consequência disso, hoje os camponeses sofrem com as consequências do transporte na superfície do material. Além disso, introduziu a construção de um armazém de concentrados de alto potencial contaminante, e o transporte das substâncias por caminhão. A concessão mineira, de 35 mil hectares, está localizada na cabeceira de uma bacia, o que tornaria ainda mais perigoso um possível derramamento tóxico.

As ‘Soluções pacíficas para conflitos sociais’ de Castillo

A primeira greve, que durou 11 dias e se iniciou no dia 23 de julho, foi suspensa após reunião entre o primeiro-ministro do governo de Pedro Castillo, Guido Bellido e “representantes” das comunidades camponesas.

O presidente reacionário disse que "junto com o povo, nosso governo renova seu compromisso de criar soluções pacíficas para os conflitos sociais. Vamos nos unir pelo Peru!" e Bellido informou que iriam instalar uma mesa de diálogo em que iria “abordar cada um dos pedidos para resolvê-los”.

Entretanto, um mês após as promessas feitas, nenhuma delas foram cumpridas. A “mesa de diálogo” com a mineradora nunca aconteceu, e os protestos recomeçaram.

Massas travam luta contra mineradoras há 17 anos

Desde 2004, quando foi aberta a convocatória para o projeto Las Bambas (e começaram as primeiras movimentações para o estabelecimento da atividade de mineração), as massas camponesas locais se rebelam. Nos 17 anos de história do projeto de mineração, os protestos seguiram. O saldo foi de cinco pessoas mortas durante confrontos. 

Em 2015, cerca de 400 pessoas da comunidade mantiveram sob custódia 100 trabalhadores das empresas contra a implementação do projeto. Até então, a atividade de mineração não havia sido iniciada pela resistência da comunidade. A detenção dos representantes da empresa durante cinco horas possibilitou a abertura de negociações com o “Escritório Nacional de Diálogo e Sustentabilidade”, a Ouvidoria e a polícia local. Em seguida, os funcionários foram liberados.

Em setembro daquele mesmo ano, veio a decisão do velho Estado de que o projeto seria implementado em janeiro de 2016. No período que se seguiu, iniciou-se uma greve de tempo indeterminado contra a mineradora. Nos enfrentamentos, ocorreram 3 mortes de camponeses e 23 pessoas ficaram feridas (15 camponeses e 8 policiais). O confronto durou mais de 6 horas. Os agentes da repressão usaram armas de fogo para reprimir o povo. 

No dia seguinte, os manifestantes queimaram dois veículos e foram reprimidos novamente pela polícia, iniciando-se um confronto. O governo decretou estado de emergência em quatro províncias de Apurímac e duas de Cusco. 

Em agosto de 2016, após a implementação do projeto, cerca de 400 membros da comunidade enfrentaram a Polícia Nacional do Peru após a repressão contra o protesto de camponeses que havia bloqueado a estrada de passagem de caminhões da mina. 

Já em outubro, durante outro confronto entre moradores e policiais por protestos contra a Las Bambas, um camponês foi assassinado pelas forças de repressão.

Em 2016 e 17, aconteceram novas greves e bloqueios contra a Las Bambas, em que outro camponês foi assassinado. Em 2018, camponeses da comunidade Fuerabamba (Apurímac) bloquearam um trecho do corredor que leva à mina Las Bambas, na área de Yavi Yavi, distrito de Cusco. Cerca de 70 camponeses realizaram os bloqueios usando pedras e paus para evitar o trânsito de caminhões. Dias depois, os manifestantes cavaram trincheiras ao longo da estrada.

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