Latifundiários patrocinam manifestação golpista do dia 7 de setembro

Bolsonaro e o presidente da Aprosoja, Antônio Galvan posam com a camisa do movimento golpista Brasil Verde e Amarelo. Foto: Reprodução

Latifundiários estão ajudando financeiramente grupos bolsonaristas para que estes possam realizar a manifestação golpista do dia 7 de setembro. As informações foram reveladas pelo site The Intercept Brasil, através de uma reportagem na qual jornalistas entraram em grupos de aplicativos utilizados por militantes bolsonaristas.

Nas conversas, os organizadores montam caravanas para ir até Brasília e outras capitais, bem como convocam todos os apoiadores a se mobilizarem para o ato do dia 7, afirmando que para Bolsonaro “restaurar a ordem” precisa mostrar força nas ruas, razão pela qual o ato deve ser numeroso.

Quando questionados sobre a forma como conseguiram recursos para bancar ônibus, vans, higiene básica, comida e estadia para centenas ou milhares de pessoas, os organizadores responderam que o pessoal do agro (latifúndio) está financiando.

Um dos bolsonaristas que mais está fazendo campanha para o ato golpista é o caminhoneiro e “youtuber” Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão. Ele convoca apoiadores de Bolsonaro a irem aos atos e afirma que o “agronegócio” irá bancar todos os custos da viagem dos militantes que queiram ir até Brasília. O bolsonarista é mais um indiciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por insuflar atos a favor do golpe militar.

Zé Trovão também diz que o objetivo dos bolsonaristas é reunir até dois milhões de pessoas na capital federal no dia do ato. Desses dois milhões, a ideia é que 10 mil permaneçam por um mês em um acampamento, no Rotary Club, também custeado por latifundiários.

Outro militante bolsonarista que está organizando caravanas para tais protestos é Amarildo dos Santos, um investigador particular catarinense e veterano do Exército. O ex-militar oferece passagem grátis para a manifestação em Brasília.

Jornalistas do The Intercept Brasil entraram em contato com o militante que confirmou que são latifundiários os que estão bancando a viagem: “tem o apoio do agronegócio. Em alguns estados, estão bancando ônibus para esse povo ir para o acampamento”, contou Amarildo.

E continuou: “Eles [os latifundiários] estão colocando à disposição 2 mil banheiros químicos lá no acampamento em Brasília, com chuveiro, café da manhã, almoço e janta de graça para esse pessoal todo, que é dessa união dos agricultores, onde vamos acampar por tempo indeterminado até o impeachment dos ministros do STF”.

Outro que confirmou o financiamento dos latifundiários a atos pró-golpe militar foi Reginaldo Verneque, “youtuber” que defende intervenção militar e que adota o pseudônimo Dom Werneck

Segundo ele: “A última ajuda que teve [de latifundiários], por exemplo, aquela que destacaram a manifestação #euautorizopresidente, que trouxe caminhões, quatro trios elétricos, os produtores [referindo-se ao “agronegócio”] ajudaram com R$ 150 cada um que fosse a Brasília. Tinha até dinheiro para lanche”, contou.

Werneck também conta que cada ônibus fretado custa entre R$ 12 mil e R$ 15 mil para os financiadores. Segundo as conversas nos grupos bolsonaristas, os ônibus já teriam sido alugados, faltando apenas pessoas para preenchê-los.O intervencionista confirma que ele próprio já recebeu dinheiro e mantimentos de latifundiários em protestos mais antigos. “Churrasco no acampamento, quem dava as carnes era o agro. Mandavam o boi inteiro. Tinha churrasco todos os dias e comida aos montes. O Nabhan que ajudava”, afirmou o golpista.

Nabhan, ao qual Dom Werneck se refere, é Luiz Anthonio Nabhan Garcia, ex-presidente da União Democrática Ruralista (UDR), organização paramilitar fundada por latifundiários para perseguir e assassinar camponeses que lutam pela terra.

Nabhan atualmente é secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, órgão “responsável” pela “reforma agrária”.

Outro latifundiário golpista bastante ativo dentro da militância bolsonarista é Antônio Galvan, presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) e um dos fundadores do Movimento Brasil Verde e Amarelo, organização criada em 2017 por latifundiários para cobrar ainda mais benesses para o setor e em favor de uma intervenção militar. Galvan chegou a ser cotado por Bolsonaro para assumir o Ministério da Agricultura.

O movimento é um dos principais financiadores dos atos golpistas. A pandilha é composta por mais de 100 associações e sindicatos ligados ao latifúndio.

Natural do Rio Grande do Sul, Galvan é um dos maiores produtores de soja do Mato Grosso. Recentemente uma de suas casas foi alvo de um mandado de busca e apreensão, expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Galvan estava na reunião em que o cantor, ex-deputado e também latifundiário Sérgio Reis, convocou os manifestantes bolsonaristas a invadir e quebrar o STF no dia 7, caso o Senado não afastasse os ministros. A reunião, a propósito, foi realizada na sede da Aprosoja em Brasília, uma mansão de luxo localizada no Lago Sul. O local também é frequentado por parlamentares da chamada “bancada ruralista”. Antes da reunião, Reis e Galvan já tinham almoçado com Bolsonaro para planejarem a manifestação.

Em um áudio, Sérgio Reis também afirmou que tinha se reunido com 40 plantadores de soja, os quais ele define como “os grandes do Brasil”. O ex-deputado confirmou que os latifundiários iriam bancar os custos das manifestações.

Bolsonaro favorece grandes latifundiários

O apoio que Bolsonaro tem recebido dos latifundiários tem base nos planos ultrarreacionários dessa classe, a mais atrasada dentro do sistema de capitalismo burocrático.

Determinados setores dos latifundiários apostam em Bolsonaro, pois este é o que tem o discurso mais radical no que tange à luta contra os camponeses pobres. Por diversas vezes Bolsonaro já afirmou que é a favor que latifundiários e pistoleiros não sejam punidos quando assassinarem camponeses e classificou organizações de luta pela terra, como a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), como organizações “terroristas”.

Outro fato que faz com que parte deste setor se alinhe com Bolsonaro é o fato do presidente falastrão enviar, somente nos últimos dois anos, mais de R$ 121 milhões para associações, sindicatos rurais e cooperativas ligadas ao latifúndio.

Dados do Portal da Transparência também revelaram que Bolsonaro  patrocinou mais de uma dúzia de feiras e eventos do setor, como a Agrotec Show Feira Agrotecnológica de Negócios, no Mato Grosso, e a 51ª Exposição e Feira Agropecuária de Castanhal, no Pará, tudo isso sem licitação.

Os recursos para tais investimentos saíram dos Ministérios da Agricultura, Economia e Defesa. 

Destaque para o Comando do Exército, que sozinho investiu três vezes mais verbas nessas organizações que a Marinha e a Aeronáutica juntas.

Outro fato que faz com que os grandes latifundiários manifestem apoio a Bolsonaro são os enormes lucros obtidos por estes durante o período da pandemia. Enquanto o povo sofre tentando se alimentar, os grandes fazendeiros arrecadam milhões exportando alimentos para fora do país.

Dados do Ministério da Economia revelam que de janeiro a julho de 2021 as exportações atingiram as cifras de 72,7 bilhões de dólares. O número é 19,9% maior do que o arrecadado no mesmo período de 2020, que por sua vez já havia batido recordes. 





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