Colômbia: Protestos combativos prosseguem com intensos confrontos entre manifestantes e forças de repressão

Protesto em Bogotá seguem ocorrendo em defesa de direitos básicos e contra o terrorismo de Estado. Foto: AFP

Protestando contra as prisões políticas, os sequestros de manifestantes e os assassinatos policiais durante a rebelião que se iniciou em abril deste ano na Colômbia, dezenas de manifestantes na localidade de Suba combateram as tentativas de dispersão do protesto pelo Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Esmad) com coquetéis molotov, machados e facões. Os confrontos duraram até a meia noite daquele dia, em 18 de agosto.

Os confrontos ocorreram na avenida Cali com a rua 138, próximo ao Portal da TransMilenio (sistema de transporte tipo BRT) de Suba. Outro protesto ocorreu na rua 27 Sul.

As manifestações combativas da juventude seguem ocorrendo no país. Nove dias antes, no dia 09/08, aconteceram manifestações também em Suba, onde dois ônibus do monopólio de transporte público foram queimados em repúdio à repressão.

As justas manifestações de abril que desencadearam a mais feroz repressão aconteciam contra as reformas tributárias e da saúde. A reforma tributária buscou aplicar mais impostos ao setores médios (pequena e média burguesias) em benefício da grande burguesia. As medidas que visavam reformar o sistema de saúde visava aprofundar o modelo privado de atendimento de sanitário em detrimento do público, durante a maior crise sanitária do país, a pandemia do novo coronavírus.

Tudo isso enquanto a miséria assolava as massas do país, transformando a situação em um barril de pólvora. 

Os dados revelam que 54,2% da população da Colômbia vive em “insegurança alimentar” (fome). Cerca 12,7% das crianças do país sofrem de desnutrição crônica. Mais de 2,7 milhões de colombianos (dentre a população total de 50,3 milhões) sofrem de fome crônica, uma situação que se agravou com a crise geral do imperialismo e do capitalismo burocrático durante a pandemia. Segundo dados do Programa Mundial de Alimentos, em outubro de 2020, 10,9 milhões de colombianos tinham um consumo alimentar insuficiente, um número que durante os meses de agosto e setembro chegou a 12 milhões.

Durante o mês de fevereiro de 2021, a taxa de desemprego era de 15,9% (cerca de 8 milhões e 400 mil pessoas), a de informalidade era de 51,2% e a inflação em março de 2021 foi a maior em um período de cinco anos.

O Estado e sua máquina de moer jovens

A repressão da polícia e Exército colombianos contra a rebelião popular iniciada em abril deste ano mostrou-se ser uma máquina de moer jovens: até o mês de junho, dados oficiais indicavam que 70 manifestantes haviam perdido a vida devido à dura repressão aos protestos e centenas foram feridas. 

Além disso, casos atrozes da repressão reacionária contam com os acontecimentos do dia 3 de maio, considerado um dos mais violentos em termos de repressão. Nesse dia, moradores da Comuna 20 de Cali, o primeiro e maior bairro informal da terceira maior cidade da Colômbia, organizavam uma vigília em homenagem aos manifestantes mortos após cinco dias de protestos combativos.

"Por volta das 20h30 começamos a ouvir a chegada do Esmad... depois chegou um helicóptero com o hino nacional tocando e uma luz refletida emitida como se estivesse procurando pessoas", conta Reyes, um morador.

Então, sem qualquer motivo, Reyes afirma ter visto "policiais e militares encapuzados disparando armas semi-automáticas e espingardas". Foram registrados na comunidade vários mortos e desaparecidos após o evento.

Também foram amplamente divulgados e rechaçados os casos em que agentes das forças de repressão cometeram o crime hediondo de estupro contra duas jovens: uma de 17 e outra de 15 anos. Allison, de 17 anos, foi violentada em uma Unidade de Reação Imediata (URI) e logo após cometeu suicidio. Já a jovem de 15 anos foi violentada por um agente do Esmad enquanto frequentava uma manifestação.

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