GO: Trabalhadores sofrem com morte, acidentes e queimaduras por falta de renda para comprar gás

O trabalhador Stive Daves não resistiu as queimaduras causadas pela explosão e faleceu cinco dias após o acidente. Foto: Reprodução

Com o aumento do preço do botijão de gás de cozinha, várias famílias pobres estão cozinhando de outras formas. Essas “alternativas” são prejudiciais à saúde, como o fogão a lenha e perigosas, como cozinhar alimentos utilizando álcool. Trata-se, na realidade, da única alternativa dessas famílias que tiveram seus salários corroídos de cozinharem.

Como exemplo, somente no ano de 2021, no estado de Goiás, quatro famílias já sofreram acidentes ao utilizarem álcool para cozinhar; uma pessoa morreu

No dia 02/07, o trabalhador Stive Daves Alves dos Santos, de 33 anos, teve 50% do corpo queimado após sofrer um acidente enquanto cozinhava utilizando álcool, em sua casa no bairro Jardim Bela Vista, em Goiânia. O homem teve queimaduras no rosto, braços e tórax. Ele chegou a ser internado, porém morreu cinco dias após o acidente.

A mulher de Stive, Chirlene Correia da Silva contou que eles estavam cozinhando com álcool há alguns dias, pois estavam sem dinheiro para comprar o gás de botijão.

“Quando eu cheguei em casa, já estava tudo destruído, os móveis queimados, as roupas, tudo. Meu marido tremia muito, não conseguia falar, parecia sentir muita dor. Foi desesperador”, contou a mulher.

No dia 28/06, a jovem Yasmim Freire Silva, de 21 anos, relatou que sofreu queimaduras no corpo ao acender um fogareiro de lata improvisado, em Catalão, região sudeste de Goiás. Ela disse que estava sem gás há mais de uma semana, e que buscou outra alternativa para poder cozinhar.

A moça teve queimaduras na mão, perna e costas. “Eu gritava muito de dor e não conseguia ficar parada. Estou sem gás por falta de condições financeiras e uso latinhas para cozinhar. Quando sofri as queimaduras, eu estava fazendo um escaldado de fubá para meu irmão”, relatou Yasmim.

A moça foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Catalão. Ela sofreu queimaduras em várias partes do corpo, porém sobreviveu.

No dia 07/08, em Anápolis, membros de uma mesma família sofreram queimaduras por todo o corpo ao tentarem cozinhar feijão em um fogão de fabricação caseira utilizando álcool, por não terem dinheiro para comprar um botijão de gás.

Benta Maciel Correa, o marido dela Israel Rosa e uma sobrinha do casal, de 10 anos de idade ficaram feridos e precisaram ser internados por 20 dias, no Hospital de Queimaduras de Anápolis.

“Só lembro que o fogo pegou primeiro no meu cabelo. Minha sobrinha, que passava perto da gente, também se queimou. Eu e meu esposo ficamos na UTI’, relatou Benta.

Benta contou que a família estava comemorando o aniversário de seu cunhado, na casa do mesmo. Ela relata que só faltava cozinhar o feijão, porém não tinham dinheiro para comprar um botijão de gás, por isso tentaram cozinhar utilizando álcool. Quando Benta colocou fogo no papel, o galão com álcool que o marido segurava explodiu deixando ela, o marido e a sobrinha feridos e atingindo parte da casa.

“Era aniversário do meu cunhado, não tinha botijão de gás, só faltava cozinhar o feijão. Meu marido estava com o galão de álcool na mão, quando coloquei o fogo com o papel e o galão explodiu”, contou Benta.

A família agora continua o tratamento em casa. O casal enfrenta também dificuldade para comprar as pomadas e os protetores para passarem nas queimaduras, uma vez que estão impossibilitados de trabalhar. Benta, que é empregada doméstica, e Israel, que trabalha como entregador, estão contando com ajuda de amigos e parentes para conseguirem os medicamentos

“Nossas pomadas são manipuladas e custam mais de R$ 200. Temos que passar por no mínimo três meses, de duas em duas horas, porque a pele não pode repuxar. Contamos apenas com ajuda da família”, explicou Benta.

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O casal Benta Correa e Israel Rosa tiveram que ficar 20 dias internados por conta dos ferimentos causados após a explosão do galão de álcool. Foto: Reprodução

No dia 25/08, na cidade de Abadia de Goiás, na região metropolitana, a trabalhadora Wiviane Lima, de 23 anos, também sofreu um acidente quando um galão com álcool explodiu em sua mão quando ela tentava cozinhar.

A mulher foi socorrida e levada para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia.Ela teve várias partes do corpo queimadas e precisou passar por duas cirurgias.

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“Eu estava sem gás e já tinha cozinhado outras vezes assim, o fogo voltou na minha mão e explodiu, joguei o galão no chão e pegou fogo na casa toda”, contou Wiviane.

O marido da moça, o pedreiro Weverson Luiz disse que vai precisar sair do emprego para poder cuidar da mulher, fato que faz o casal que tem três filhos pequenos, temerem passar ainda mais dificuldades financeiras.

Por conta da explosão e consequente incêndio na casa da família, eles agora precisam de ajuda para comprar comida, móveis e materiais para reformar a casa.

“Precisamos de mantimentos, roupas para os meninos, leite, fralda e materiais para construção, o fogo queimou tudo, até a instalação elétrica da casa. Eu estava trabalhando e agora não tenho nem previsão de voltar porque vou ter que cuidar dela”, desabafou Weverson.

A trabalhadora Wiviane Lima ficou internada e passou por duas cirurgias após sofrer um acidente quando cozinhava utilizando álcool. Foto: Reprodução

Famílias não têm dinheiro para comprar gás de cozinha

O fato das famílias brasileiras terem que se arriscar cozinhando a lenha e com álcool, tem ligação com o grande aumento no preço do  gás de cozinha, que chega a custar cerca de 100 reais em várias capitais do país, número que corresponde a 10% do salário mínimo.

O alto preço do gás de cozinha é resultado da nova política de preços da Petrobras, que sob o nome de Preço Paritário de Importação (PPI), vincula o petróleo produzido no Brasil à cotação em dólar e à taxa de câmbio. Ou seja, o preço do barril no Brasil não corresponde à própria inflação no país, mas aos preços internacionais. Isso valoriza a exportação de petróleo cru e desloca o mercado para o combustível importado a despeito do combustível refinado produzido no país. Todavia, a flutuação no preço que implica a dolarização vem resultando no aumento do preço do combustível e do gás de cozinha, o que afeta a economia como um todo.

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