USA: Greves estouram em todo o país durante o mês de agosto

No mês de agosto operários de diferentes estados do USA realizaram greves. Trabalhadores de cinco estados da empresa Nabisco, que fazem os biscoitos Oreos, entraram em greve em agosto e prosseguem nela até agora. Em Chicago (Illinois) e em Reno (Nevada), mecânicos e motoristas de ônibus, respectivamente, também entraram em greve. Nos três casos, os trabalhadores se organizaram e entraram em greve reivindicando o fim da imposição de novos contratos com cortes de direitos, principalmente dos planos de saúde.

Além disso, mais de mil trabalhadores da mineração de carvão do Alabama iniciaram sua greve em abril e continuam nela até hoje, exigindo que seu contrato leonino seja encerrado e que recebam melhores salários com um melhor plano de saúde e o direito de afastamento do trabalho.

1.100 mineiros de carvão entram em greve em Brookwood, Alabama. Foto: United Mine Workers of America

Trabalhadores da Nabisco se rebelam!

Os trabalhadores da empresa Nabisco, cuja dona é a imperialista Mondelēz International, estão em greve desde o dia 10 de agosto. O contrato dos trabalhadores terminou em 01/06, e com isso a empresa ameaça cortar o pagamento de horas extras aos finais de semana, aumentar as horas de trabalho e impor um plano de saúde em que é o próprio operário que paga a maioria das suas despesas com saúde.

Os grevistas também protestam contra o fechamento de duas fábricas na Geórgia e em Nova Jersey. A denúncia do sindicato aponta que o fechamento é parte de um projeto para transferir os postos de trabalho de baixa remuneração para o México. Diante de tudo isso, os trabalhadores entraram em uma greve de tempo indeterminado que também atinge 5 estados.

Em relato ao jornal revolucionário estadunidense Tribune of the People, os trabalhadores afirmam que sequer tinham contrato entre 2018 e 2020, e sua aposentadoria foi cortada em 2018 em favor a uma conta “410k”, com menos benefícios. Com o novo contrato imposto, os trabalhadores em “linhas de produção de que têm a maior demanda de consumo” trabalhariam em três a quatro turnos de 12 horas por semana sem pagamento de horas extras. 

Um operário de Portland disse ao Tribune que o contrato é leonino porque todas as linhas de produção são de alta demanda. Os trabalhadores seriam lesados em até 40 mil dólares por ano com o novo contrato.  

Ele relata que é comum que seus colegas trabalhem 25 dias seguidos sem um dia de folga. Durante o pico de produção, se um operário já tiver concordado com um turno de 12 horas, a empresa pode forçar o trabalhador a fazer turnos de 15 horas.

Em solidariedade aos trabalhadores da Nabisco, a Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais, o Sindicato Internacional de Engenheiros Operacionais e o Sindicato Nacional dos Caminhoneiros estão em greve em solidariedade. Todas as entidades e associações de trabalhadores são submetidas à mesma empresa, Nabisco.

Trabalhadores da Frito-Lay de Topeka (Kansas) também enviaram comida aos trabalhadores da Nabisco em greve. Eles haviam recém terminado sua greve no final de julho exigindo melhores salários e o cumprimento dos seus direitos.

Trabalhadores da Nabisco em greve em Chicago, 2021. Foto: International Union of Bakery, Confectionery, Tobacco Workers and Grain Millers International Union.

Mecânicos e motoristas de ônibus em greve

No dia 02/08, mais de 800 mecânicos abandonaram seus trabalhos em rejeição ao último contrato oferecido por uma associação de 56 concessionárias de automóveis em toda a área da grande Chicago. O novo contrato impunha um pior plano de saúde, permitia cortes nos salários e enfraqueceria a função dos sindicatos. Além disso, os operários já vinham rechaçando a falta de apoio e treinamento para os mecânicos empregados pelas concessionárias.

Já no condado de Washoe, que inclui a cidade de Reno, cerca de 200 motoristas de ônibus da Comissão de Transporte Regional entraram em greve em 03/08, depois que o empreiteiro privado da Comissão ameaçou cortar os planos de saúde dos motoristas durante as negociações de contrato em andamento.

Nas semanas que antecederam a greve, centenas de viagens foram canceladas porque os motoristas faltaram aos seus trabalhos em massa, dizendo que “estavam doentes”, para protestar contra o fim dos planos de saúde.

Embora a Comissão seja tecnicamente uma agência pública administrada pelo governo do condado de Washoe, a gestão real das operações diárias dos ônibus é contratada por uma empresa privada: Kealis North America. De acordo com uma declaração do Sindicato Nacional de Caminhoneiros, nas negociações com os motoristas, a Kealis também quer diminuir o gasto da empresa com os planos de saúde dos trabalhadores, obrigando os sindicatos de trabalhadores a cobrir as diferenças.

Eles também estão levantando preocupações sobre dois fechamentos de fábricas recentes na Geórgia e em Nova Jersey, que o sindicato diz fazer parte de uma campanha mais ampla para transferir postos de trabalho de baixa renda para o México. 

Os mineradores de carvão do Alabama

Os mineradores de carvão do Alabama, na cidade de Brookwood, estão em greve há meses e não recuam em sua decisão de lutar pelos seus direitos. A greve, a primeira em 40 anos, mobilizou milhares de trabalhadores que realizam piquetes no local de trabalho.

As famílias dos trabalhadores têm sido um grande apoio de solidariedade, todos trabalhando em conjunto para se sustentar durante a greve, recebendo e administrando doações de pessoas solidárias à luta em todo o país.

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