MG: Ação criminosa a mando do latifundiário destrói abastecimento de água potável

No dia 27 de agosto, uma ação criminosa destruiu a estrutura de encanamento de água potável que abastecia o Acampamento Arco-íris, localizado às margens da rodovia MG-461, em Gurinhatã, Minas Gerais (MG). Mangueiras também foram cortadas e duas casas derrubadas no ato criminoso. De acordo com denúncias, o ataque aos camponeses foi executado por um dos funcionários do latifundiário proprietário da Fazenda Córrego da Jacuba/Usina Gurinhatã, para forçar a retirada dos camponeses do Acampamento.

Famílias são atacadas em ação criminosa comandada pelo latifúndio. Foto: Reprodução

O Acampamento Arco-íris resiste há 13 anos. Atualmente vivem 30 famílias na área, cerca de 80 pessoas, nas terras onde o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de Minas Gerais, vistoriou e classificou como improdutiva em 2009, após ocorrer a ocupação dos camponeses nas terras, porém até hoje não as entregou.

Mangueiras cortadas impedem famílias de acesso a água. Foto: Reprodução

Descaso do velho Estado 

A terra ocupada fazia parte da fazenda Usina Gurinhatã, que foi alvo de decreto de desapropriação para ser destinada a chamada “reforma agrária”, porém o governo federal nunca entregou de fato a área aos trabalhadores, pois o Incra não realizou a desapropriação no tempo correto, e perdeu o prazo.

Logo depois, camponeses foram noticiados de uma ordem de despejo promovida pelo Departamento Edificações e Estradas de Rodagem (Deer-MG). A ação foi considerada ilegal e arbitrária, pois é de competência do jurídico tal decisão, e ainda assim contrariaria a recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que suspende o cumprimento de despejos durante a pandemia.

História de luta e resistência

Desde a formação do acampamento foram realizados vários outros despejos, entretanto bravamente os camponeses sempre se organizavam e voltavam a ocupar a área, conforme ocorrido na madrugada do dia 01 de novembro de 2012, quando foi executada uma ação de despejo forçada por cerca de 20 policiais militares (PM). Os trabalhadores não se intimidaram com a ação e permaneceram acampados às margens da rodovia federal BR-365. No mesmo ano, depois de mais uma ação de despejo, as famílias reorganizaram acampamento na rodovia estadual a MG-461. 

Em dezembro de 2020 e janeiro de 2021, pistoleiros atearam fogo em 20 barracos, além de tentativa de intimidação com ameaças constantes. Segundo dados da Campanha despejo zero, no ano de 2020,  foram expulsas 6,3 mil famílias, e até agosto de 2021, foram 21,7 mil famílias, aumento de 340%  comparado com o ano anterior.

Quem se beneficia com os despejos?

Quem se beneficia da expulsão das famílias camponesas são latifundiários que hoje alegam ser donos da Fazenda Córrego da Jacuba. Em processos jurídicos envolvendo a posse das terras a FLE Empreendimentos Ltda. é apontada como proprietária, a empresa que segundo a página da Empresa do Brasil, tem como atividade econômica o cultivo de cana-de-açúcar, fabricação de álcool, açúcar bruto, aluguel de imóveis e criação de bovinos para corte, está no nome de Jamel Auada e Celita Tibola Auada.

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