Tailândia: Povo protesta contra o governo militar

Manifestantes protestam no dia 04/09 contra o governo militar e o genocídio pela Covid-19 impulsionado por ele. Foto: Adam Dean

Nos dias 4 e 2 de setembro ocorreram manifestações multitudinárias na capital da Tailândia, Bangkok, em rechaço ao governo militar de Prayut Chan-o-cha e as genocídio do povo promovido pelo governo reacionário em meio à Covid-19. Os manifestantes resistiram às balas de borracha, gás lacrimogêneo e canhões d’água disparados pela polícia para dispersar os protestos, e responderam com pedras e fogos de artifício na direção da repressão.

Prayut Chan-o-cha, que encabeça o regime, é o ex-chefe do exército que liderou o golpe militar em 2014. Atualmente, na posição de primeiro-ministro, tem se utilizado da pandemia para aumentar a repressão contra o povo, o que não tem demonstrado frear o aumento das infecções, mas impulsionado. 

Foi instituído um estado de emergência no país e centenas de pessoas foram presas nos últimos meses por “crimes online”. Os tailendeses presos manifestavam suas críticas ao governo em suas redes sociais e foram presos por criticar o rei Maha Vajiralongkorn Bodindradebayavarangkun, o que é contra a lei no país monarquista. Além disso, foram negadas as fianças para as detenções realizadas nos protestos atuais e nas manifestações do ano passado, também contra o governo militar e pelo fim da monarquia, a qual as massas afirmam funcionar apenas como uma parasita do povo e que mantém um relacionamento umbilical com o regime militar. 

Um exemplo disso é que a empresa que recebeu o contrato para produzir a vacina AstraZeneca nacionalmente foi uma sem experiência na fabricação de vacinas, cujo maior acionista é o rei da Tailândia. Esse é um dos motivos pelos quais os níveis de vacinação no país são baixos, enquanto as mortes aumentam.

Apenas 13% da população da Tailândia de mais de 66 milhões de pessoas foi totalmente vacinada. O país registrou mais de 1,2 milhão de infecções e 12.103 mortes desde o início da pandemia no ano passado, com a maioria dos casos e mortes ocorrendo desde abril deste ano.

Protestos tomam vulto

Os protestos, que têm ocorrido diariamente, estão se tornando cada vez mais combativos com as massas resistindo à repressão. Somente em agosto, pelo menos 10 manifestações contaram com fortes repressões que foram sucedidas de novas revoltas e resistência pelas massas. Em uma delas, um manifestante de 15 anos foi baleado pela polícia e agora se encontra na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). 

No dia 02/09, milhares de pessoas protestaram em Bangkok, no bairro central de Asoke, enquanto outros manifestantes dispararam fogos de artifício e queimaram pneus de carro perto da residência do primeiro-ministro em outra parte da cidade.

Já no dia 04/09, cerca de 300 manifestantes marcharam no centro de Bangkok carregando bandeiras vermelhas, debaixo de chuva. A manifestação ocorreu enquanto era votada a destituição ou não do primeiro-ministro, que acabou por não ser destituído.

Antes da manifestação, a polícia usou contêineres para bloquear as principais rotas para o local do protesto anunciado no Parque Lumphini. Houve forte presença de policiais em todo o centro da cidade, com policiais de choque e um caminhão com canhão d'água estacionado no cruzamento Ratchaprasong.

Os jovens reprimidos

A polícia agora usa regularmente balas de borracha, gás lacrimogêneo e canhões de água batizados com químicos que queimam a pele, além de se utilizar de prisões arbitrárias. Os manifestantes respondem nos seus próprios meios, incluindo lança-chamas e estilingues.

Nipapon Somnoi disse que seu filho, Warit Somnoi, 15 anos, havia se oferecido para deixar a escola para ajudar a família financeiramente, mas que ela não permitira. O jovem se juntou aos protestos em meados de agosto, diante da sua condição de vida e um governo militar despreocupado com a vida do povo.

As imagens de vídeo, que ela diz não suportar assistir, mostram o momento em que uma bala disparada pela polícia atingiu o pescoço de seu filho e  alojou-se em sua coluna vertebral. Seu filho está em coma há mais de duas semanas.

"Às vezes penso que uma lata de gás lacrimogêneo poderia comprar seis a oito doses de uma vacina de boa qualidade", disse a Sra. Nipapon. "O Estado continua dizendo que somos uma democracia, mas eles só escutam a sua própria voz".

Sureerat Chiwarak,  mãe de Parit Chiwarak, ativista ativo nos protestos, disse que seu filho tinha sido infectado em uma prisão superlotada em Bangkok após ser preso. O ativista disse à sua mãe que havia muito mais casos de Covid na prisão do que os números oficiais indicam.

"Algumas pessoas dizem: 'Por que você não se rende, eles têm seu filho em suas mãos, eles o colocaram na prisão'", disse a Sra. Sureerat. "Não. As crianças estão lutando pela igualdade, por que eu tenho que me render?", declara.

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