6 prisioneiros palestinos escapam de prisão israelense de segurança máxima cavando túnel

Agentes israelenses analisam túnel pelo qual os seis prisioneiros palestinos escaparam da prisão de Gilboa no dia 06/09/2021. Foto: Reprodução Redes Sociais 

Havia 4.650 palestinos presos nas masmorras israelenses até o dia 6 de setembro, quando esse número decaiu após seis presos políticos escaparem da prisão de Gilboa, no norte do território palestino ocupado, considerada de segurança máxima. Ao longo de meses, os companheiros de cela haviam cavado um túnel com uma colher a partir do chão do banheiro, em uma verdadeira humilhação para a potência ocupante sionista. 

A fuga, digna de roteiro de filme, foi descoberta apenas no início da manhã, durante uma contagem dos presos, segundo o monopólio de imprensa Haaretz. O jornal afirmou que a saída do túnel foi encontrada a alguns metros dos muros da prisão e estava escondida por ervas daninhas.

A prisão de Gilboa era conhecida como "Cofre" por ser considerada mais segura do que um cofre de banco em decorrência das suas celas de 66 toneladas de concreto. Assim, depois da notícia da fuga se espalhar, tornou-se imediatamente um motivo de chacota para Israel, uma vez que uma simples colher desafiou todo o sistema de opressão da ocupação.

O monopólio de imprensa israelense afirmou que cinco dos presos eram membros da Jihad Islâmica Palestina (JIP), grupo que compõe o campo da Resistência Nacional palestina, e um do Fatah, partido capitulacionista que governa a Cisjordânia. Quatro deles cumpriam penas de prisão perpétua. 

Eles foram identificados como Zakaria Zubeidi, ex-comandante das Brigadas de Mártires Al-Aqsa, do Fatah, na cidade de Jenin, na Cisjordânia; e Mahmoud Abduallah Ardah, Mohamed Qassem Ardah, Yaqoub Mahmoud Qadr, Ayham Nayef Kamanji e Munadil Yaqoub Nfeiat, todos membros das Brigadas de al-Quds, da JIP. 

No dia da fuga, membros da JIP comemoraram nas ruas da Faixa de Gaza distribuindo doces para transeuntes e motoristas. "Hoje, os heróis da Jihad Islâmica alcançaram uma nova vitória na prisão de Gilboa. Essa vitória destruiu a imagem do ocupante", disse Khamees El-Haitham, oficial da JIP. Já Fawzi Barhoum, porta-voz do Hamas, que governa Gaza, declarou: "Esta grande vitória prova mais uma vez que a vontade e a determinação de nossos bravos soldados dentro das prisões do inimigo não podem ser derrotadas".  

APÓS FUGA, ISRAEL LANÇA PUNIÇÃO COLETIVA CONTRA PALESTINOS 

Depois de ser achincalhada e humilhada pela fuga dos seis prisioneiros, a ocupação israelense deslanchou uma campanha massiva de ataques contra o povo palestino como forma de punição coletiva. Todo o território palestino ocupado da Cisjordânia foi posto sob lockdown.

Há denúncias de presos palestinos sendo brutalizados, por exemplo, na prisão de Naqqab, onde detentos afirmam que foram torturados, inclusive pelos cães de guarda, e que tiveram seus bens confiscados (roubados) pelos agentes penitenciários.  

Além disso, vários familiares dos fugitivos foram presos na manhã de 08/09, o que a organização de prisioneiros palestinos descreveu como evidente punição coletiva e tentativa de pressionar os fugitivos. Mesmo assim, os parentes dos companheiros de cela se mantiveram firmes e demonstraram orgulho pelos familiares que se libertaram.

O irmão do preso Munadil Nfeiat disse ao portal de notícias The Middle East Eye: “Meu irmão passou um total de seis anos e meio na prisão. Já se passou um ano e meio desde sua última detenção e, até o momento, nenhuma acusação foi feita contra ele”. Já a mãe de Nfeiat declarou: "O que ele fez é uma questão de orgulho, estou orgulhoso dele porque ninguém pode fazer o que ele fez”.

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