50 anos da morte de Victor Jara: Artista dará nome a avenida no Chile

Placa com o nome da Avenida Victor Jara. Foto: @Kkorleone

Quase 50 anos depois de morto, o respeitado cantor, compositor, folclorista, poeta, teatrólogo e professor chileno Victor Jara volta ao local onde foi preso pelos militares golpistas em 11 de setembro de 1973 (data em que o general Augusto Pinochet comandou um ataque contra o governo do presidente Salvador Allende, substituindo-o por uma ditadura sanguinária).

O local é a via urbana da capital onde se localiza a atual USACH (Universidade de Santiago do Chile), ex-Universidade Técnica do Estado,onde Jara dava aulas e de onde foi levado à força.

Embora assassinado brutalmente no dia 16 de setembro ele volta vivo. E vitorioso. Pois, por decisão de um Conselho Municipal, aprovada neste significativo mês de setembro, ele tornou-se nome do trecho da avenida que passa em frente ao campus universitário e que se chamava Avenida Ecuador.

SOFRIMENTO NO ESTÁDIO, VITÓRIA NO ESTÁDIO

O golpe liderado por Pinochet, no dia 11, surpreende Jara na universidade. Ele é então detido, com outros colegas, e levado ao Estádio Chile no mesmo bairro (não se trata do Estádio Nacional do Chile). O centro esportivo, convertido em campo de concentração e um dos maiores centros de detenção e tortura militares, desde 2003 se chama Estádio Victor Jara. Mais uma homenagem vitoriosa.

Sempre houve controvérsia sobre as torturas que sofreu e a verdadeira causa da sua morte. Correu um boato de que teria tido suas mãos cortadas. Porém, em 2009, na exumação do corpo, identificado pela esposa, a bailarina britânica Joan Turner, verificou-se que o sofrimento foi pior. Suas mãos foram esmigalhadas pelas coronhas das armas dos soldados. Depois disso foi fuzilado. Foram encontradas, nos restos mortais, marcas de 44 tiros.

Somente em 1990 o Estado chileno, por meio da Comissão da Verdade e da Reconciliação, reconheceu que Victor havia sido assassinado a tiros e que, depois, teve seu corpo lançado no matagal de uma favela.

IDENTIFICAM OS ASSASSINOS

Em junho de 2016, um tribunal federal de Orlando, no USA, julgou o ex-tenente Pedro Pablo Barrientos Nuñez, chileno naturalizado estadunidense, como o principal culpado de torturar e assassinar o artista. Radicado desde a década de 1990 na Flórida, Barrientos vivia do comércio de carros usados. O júri condenou-o a pagar uma indenização de 28 milhões de dólares à família (à viúva e às duas filhas do casal, Manuela e Amanda Jara).

Em julho de 2018, os tribunais chilenos processaram 10 ex-integrantes do exército por sequestro e homicídio, no caso de Jara. Nove deles foram condenados a penas de até 15 anos de prisão. As instituições judiciais do país pediram a extradição do décimo militar, o ex-tenente que vive na Flórida.

O depoimento de José Paredes, que aos 18 anos presenciou a tortura e a morte de Victor enquanto prestava o serviço militar, foi crucial para a investigação no Chile.

Mesmo assim Barrientos nega envolvimento no crime. Até 2019 não havia decisão, por parte de juízes e governo do USA, quanto à extradição.

TE RECUERDO AMANDA

Víctor Jara Martinez  nasceu no interior do país, numa família de camponeses pobres que se mudou para uma região agrícola próxima à capital Santiago quando ele era ainda pequeno. Filho de Amanda, que tinha origem indígena mapuche, e do trabalhador rural Manuel, Victor tinha 41 anos quando foi morto.

Amanda, abandonada pelo marido de temperamento problemático quando Victor era criança, era autodidata (alfabetizou-se sozinha assim como aprendeu a tocar violão, viola e piano), além de cantar canções folclóricas em casamentos e outros festejos de sua cidade natal.

Curioso notar que Amanda e Manuel foram personagens ficticios de uma das mais famosas canções do filho, “Te Recuerdo Amanda”, que falava de um apaixonado casal de operários de uma fábrica. A música foi gravada em 1969, no disco “Pongo em tus manos abiertas”.

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