RJ: Moradores do Complexo do Chapadão protestam contra execução de enteado e padrasto

Durante os enterros de Samuel e Willian, moradores do Chapadão denunciaram as execuções sumárias promovidas por militares nas favelas do Rio. Foto: Reginaldo Pimenta

Moradores do Complexo do Chapadão fizeram um grande protesto durante o enterro de Samuel Vicente, de 17 anos, e seu padrasto Willian Vasconcelos da Silva, de 38. Eles foram mortos com tiros de fuzil disparados por policiais militares (PMs), na madrugada do dia 25 de Setembro, quando passavam de moto pela rua Capri, próxima ao Complexo de favelas do Chapadão, em Anchieta, zona norte do Rio de Janeiro.

O protesto aconteceu em frente ao cemitério Municipal de Olinda, em Nilópolis, na baixada Fluminense, onde padrasto e enteado foram enterrados, no dia 28/09. Cerca de 100 pessoas entre familiares dos mortos, amigos e moradores do Chapadão compareceram ao enterro levando faixas e cartazes com pedidos de justiça e punição para os PMs que mataram Samuel e Willian .

Uma grande faixa foi exposta com a frase: “Nunca foi diferente! Primeiro eles atiram pra depois ver se era morador”.

Sônia Bonfim Vicente, que teve o filho e o marido assassinados, cobrou que seja feita justiça: ''Espero que a justiça seja feita. Esses policiais destruíram minha família. Que sejam presos", disse a trabalhadora.

A execução

Samuel e Willian foram assassinados no dia 25 no complexo do Chapadão, na zona norte do Rio. Os dois levavam de moto a namorada de Samuel, Camily da Silva, de 18 anos, para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ricardo de Albuquerque. A jovem havia passado mal depois de comer um cachorro-quente.

Quando passavam pela rua Capri, no bairro de Anchieta, os três e mais uma quarta pessoa foram atingidos por tiros de fuzil disparados pelos PMs Leonardo Soares Carneiro e Edson de Almeida Santana.

Samuel e Willian morreram no local, já Camily sobreviveu e foi levada para o Hospital Estadual Carlos Chagas dentro da viatura junto com os corpos do seu namorado e do padrasto dele. A quarta vítima levou um tiro de raspão na perna.

Felizmente a jovem foi internada, passou por cirurgia e conseguiu sobreviver, porém familiares informaram em entrevista que ela está em estado de choque com toda a violência física e psicológica sofrida. Outra denúncia feita pelos familiares de Samuel e Willian é de que parentes de Camily estavam sendo coagidos por PMs dentro do Instituto Médico Legal (IML). A jovem é a principal testemunha do caso.

As armas utilizadas pelos PMs foram apreendidas e os dois PMs envolvidos no assassinato estão afastados das ruas.

“Saímos para beber fora do Complexo, em Vilar dos Teles. A minha nora passou mal por causa de um cachorro-quente, começou a vomitar, desmaiou. Meu marido colocou ela na moto, e meu filho falou ‘mãe, deixa que eu levo ela’. Eu vim andando a pé, porque de lá para minha casa era próximo. Escutamos tiro. Para mim, eles tinham passado de moto antes do tiroteio. Quando olhei para o chão, reconheci que era meu marido pelo chinelo”, contou Sônia Bonfim em entrevista ao jornal Extra, do monopólio de imprensa.

Rodrigo Mondego, procurador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Rio de Janeiro (OAB- RJ), esteve no IML para prestar assistência jurídica à família das vítimas.

Em entrevista ao jornal Extra, do monopólio de imprensa, ele contou que “a versão da polícia é de que os três seriam traficantes. A moto era do William, era legalizada. Isso já não faz sentido, porque nenhum traficante anda com moto própria para cometer crimes. Essa versão não faz absolutamente nenhum sentido, de que os três em uma moto estavam atacando a Polícia Militar”.

Samuel, Willian e Camily foram baleados por PMs quando se deslocavam até uma unidade de saúde. Foto: Reprodução

Depoimento duplicado

Os PMs entraram em contradição durante o depoimento dado na delegacia. Primeiro afirmaram que trocaram tiros com os os tripulantes da moto e que Samuel estava com um fuzil. Porém logo em seguida afirmaram que era uma pistola, arma muito menor e diferente.

Após a repercussão do caso, a Polícia Civil (PC) foi obrigada a abrir um inquérito para investigar o crime. Contudo o que se viu foi uma sequência de “erros”, “dificuldades” e “negligência”. Primeiro a PC divulgou que por “falta de efetivo policial” não iria ser a Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro que assumiria o caso, mas sim a delegacia do bairro de Ricardo de Albuquerque, a 31° Delegacia de Polícia.

O segundo “erro” é ainda mais absurdo. O relator responsável por ouvir os militares durante o depoimento ouviu apenas um dos PMs e duplicou o documento, ou seja, o depoimento dos dois PMs sobre o caso ficou idêntico, o que dificulta a investigação pois não compara as versões. O policial responsável pela duplicação disse que fez isso com o objetivo de “facilitar o trabalho”.

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