AM: Latifundiários invadem e devastam território do povo Apurinã

No final do mês de julho, latifundiários invadiram e devastaram parte do território do povo Apurinã. Os indígenas relatam também tentativas de intimidação e ameaças feitas pelos reacionários. Em sua investida criminosa, os donos de terra também contaram com o auxílio da Polícia Militar local. As aldeias Cajueiro e Floresta, onde ocorreu o crime, estão localizadas no município Boca do Acre, no sudoeste do estado do Amazonas.

Nestas aldeias atualmente vivem cerca de 400 indígenas. Eles resistem às tentativas de invasão de suas terras há ao menos 70 anos. “Eles falam que vão nos expulsar daqui, que somos caboclos e que caboclos não têm direito à terra”, relatou o cacique Raimundo Pinheiro da Silva Apurinã, da aldeia Cajueiro em entrevista ao portal De olho nos ruralistas. “A gente não quer violência, mas temos de nos defender de alguma forma”, disse o cacique.

De acordo com o cacique Rosenildo Nascimento da Silva Apurinã, da aldeia Floresta, também em entrevista ao portal, no mais recente ataque cerca de dez alqueires foram destruídos. A devastação ocorreu por meio de incêndios e desmatamento. Castanheiras, copaíbas, ipês, cumarus e tucumãs estão entre as espécies afetadas.

Os indígenas denunciam que o processo de demarcação de terras que deveria ser realizado pelo velho Estado ainda não foi concluído. O processo foi iniciado há 17 anos. Os indígenas também apontam que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tinha interesses em lotear parte das terras indígenas e que a Fundação Nacional do Índio (Funai) agiu em conivência. “A gente nem sabe os motivos para não ter sido concluído”, afirmou Raimundo.

O loteamento denunciado pelos indígenas foi impulsionado pelo programa “Terra Legal”, imposto por Lula em 2010, que liberou para cadastramento de proprietários particulares as terras dos Apurinã. Analisando apenas o estado de Rondônia, também na região amazônica, a pesquisadora Ellen Cristina Francisco, constatou um aumento de 133% de cadastros declarados de grandes propriedades. 

Segundo os dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) de dezembro de 2016, o município tinha 13 hectares declarados por proprietários com sobreposição em Terras Indígenas.

Apurinã realizam averiguação no território após invasões. Foto: Reprodução

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