MS: Casa de reza é alvo de incêndio criminoso na Tekoha Guapo'y

Após o incêndio criminoso marcas do fogo permanecem no chão do Tekoha. Foto: Reprodução

Na noite de 2 de outubro, um incêndio criminoso destruiu completamente uma casa de reza indígena na Tekoha Guapo'y, onde moram aproximadamente 8 mil pessoas do povo Guarani Kaiowá, em Amambai, há 332 quilômetros (km) de Campo Grande em Mato Grosso do Sul (MS). 

Os indígenas relataram que o incêndio aconteceu em questão de minutos. Dois indígenas responsáveis pela segurança se ausentaram durante uma forte chuva com granizo que caiu sobre a aldeia, e quando retornaram, a casa de reza estava sendo destruída pelas chamas conforme mostram as imagens registradas em vídeo. 

Casa de reza do povo Guarani Kaiowá foi queimada, ontem 2, na Tekoha Guapo'y, Amambai, MS. “Estamos tristes porque é nosso templo sagrado. Com muito sacrifício erguemos e agora num piscar de olho foi queimado”, denúncia Elizeu Guarani coordenador executivo da Apib e Atyguasu pic.twitter.com/yXUxUmSkdk

— Apib Oficial (@ApibOficial) October 3, 2021

“Em meia hora tudo já estava destruído” relatou o cacique Elizeu Guarani em entrevista ao monopólio de imprensa Folha de São Paulo.  Disse também: “Vínhamos sofrendo ameaças constantes”.

Diante da resistência dos povos indígenas no MS, casa de reza é novamente alvo de incêndio criminoso. Foto: Reprodução

Em um pouco mais de um mês, este é o segundo incêndio criminoso executado contra casas de reza no MS. No dia 19 de agosto, outro ataque ocorreu na casa de reza da aldeia Rancho Jacaré, em Laguna Carapã, crime denunciado por AND.

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A grandiosa resistência 

Em meio à resistência contra o “marco temporal”, aumentou a tentativa de intimidação por meio da violência reacionária promovida pelos latifundiários contra os povos indígenas. Os povos indígenas, porém, permaneceram valentes na luta em defesa de seus territórios. Os Guarani Kaiowá promoveram entre os dias 21 e 24 de junho, uma grande assembleia onde conclamaram os diversos povos presentes à luta e a resistência, fato também noticiado por AND.

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Cumprindo o plano de luta por território, os indígenas também promoveram diversos bloqueios de rodovias.

No total foram realizados oito bloqueios de rodovias estaduais e federais. Trechos da BR-163 na altura do km 302 e no km 216, em Caarapó, foram bloqueados. As rodovias estaduais MS-162 e MS-379, MS-156, MS-289, MS-384, a rodovia federal BR-262 no sul do estado também foram interditadas.

O estado do Mato Grosso do Sul e o latifúndio 

Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), o estado do MS é vice-campeão nacional em concentração de terras. O Instituto afirma que “as grandes fazendas, com mais de mil hectares, perfazem 83% da extensão total dos imóveis rurais, enquanto as pequenas propriedades representam apenas 4%”, enquanto as Terras Indígenas (TIs) abrangem apenas 2,5% da área, de acordo com análise de dados georreferenciados. O ISA afirma também que o MS é o estado com mais conflitos envolvendo áreas indígenas.

Conforme o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), no Mato Grosso do Sul se concentram 39% dos 1.367 assassinatos de lideranças indígenas ocorridos no Brasil entre 2003 e 2019.

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