RO: PM cerca Área Tiago dos Santos, impede entrada de comida e agride moradores da região

Tropas militares cercam Área Tiago Campin dos Santos. Foto: Banco de dados AND.

Há dias consecutivos mais de 3 mil de tropas reacionárias avançam sobre a Área Tiago Campin dos Santos, em Rondônia, preparando o que encobrem como despejo, porém já está relevado se tratar de uma gigantesca operação de guerra disposta a evocar toda violência reacionária contra os que lutam pela terra. O AND segue acompanhando e repercutindo as graves denúncias feitas por camponeses e apoiadores. 

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As ações de cerco contra a área se intensificaram no dia 19 de outubro. As tropas permaneceram até as 11 horas adentrando e mapeando a área, foram utilizados tratores e helicópteros. Nas imagens divulgadas é possível ver acampamento montado. 

Militares abordam moradores e impedem a entrada e saída nas áreas. Foto: Banco de dados AND.

Em preparação para massacre, as tropas montam acampamento no dia 19/10. Foto: Banco de dados AND.

Em preparação para massacre, as tropas montam acampamento no dia 19/10. Foto: Banco de dados AND.

Tropas militares cercam Área Tiago Campin dos Santos. Foto: Banco de dados AND.

Repetindo a ação ocorrida durante o ilegal despejo na mesma área em outubro de 2020, os policiais cercaram a região e estão impedindo pessoas de entrarem e sairem, agindo com truculência. As informações são da imprensa local, que acrescentam que os agentes da repressão também estão impedindo também a entrada de alimentos na área camponesa e compras de itens básicos em um mercadinho próximo ao local. Um dos moradores relata que os militares estão tomando celulares, ameaçando agredir as pessoas, principalmente as crianças. Diz ainda que os moradores do assentamento já estão sem alimento.

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O vereador José Carlos do município de Nova Mamoré, denuncia em áudio que foi abordado por uma guarnição policial e durante a revista as suas roupas que estavam em uma mala foram jogadas no barro. No retorno para casa ele foi informado que “nem um kilo de alimento entraria” na sua casa ou na área camponesa. José Carlos afirma que não irá aceitar este tipo de ação na região.

Um vídeo enviado por apoiadores mostra mais de 10 ônibus e caminhões na Vila da Penha seguindo em direção a Área Tiago Campin dos Santos, denúncias apontam que são parte da operação com possível contingente militar. 

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Prisões de camponeses

Dois camponeses foram presos em meio a operação. A alegação é que estavam sendo presos por supostamente serem parte da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e por descumprirem a ordem de despejo permanecendo na área, conforme aponta imprensa local de Rondônia.  Pertences dos trabalhadores como celular e motocicleta, foram apreendidos.

A resistência 

Diante do prenúncio de um massacre, no dia 2 de outubro, os camponeses, organizados em Assembleia Popular (AP), afirmaram mais uma vez que resistirão aos despejos e entoaram palavras de ordem como Nem que a coisa engrossa, essa terra é nossa!, É terra pra quem nela trabalha! Viva a Revolução Agrária!, É morte ao latifundiário, viva o poder camponês e operário! e Se o camponês não planta, a cidade não almoça nem janta!.

Os trabalhadores, diante do cerco e da preparação para o massacre anunciado, seguem realizando uma série de ações de resistência como incendiar pontes e bloquear estradas.

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Acuados, os militares intensificam intimidações

De acordo com as denúncias, a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e helicópteros chegaram à cidade e se concentram visando, supostamente sob o mando da Polícia Militar de Rondônia (PM-RO), pôr em prática ações da chamada Operação "Nova Mutum" para a qual estão mobilizados mais de 3 mil agentes das forças de repressão. Na ação de 19/10, estavam presentes órgãos da repressão como a PM-RO, Força Nacional, Corpo de Bombeiros Militar, Núcleo de Operações Aéreas (NOA).

Militares abordam moradores e impedem a entrada e saída nas áreas. Foto: Banco de dados AND.

A Área Tiago Campin dos Santos

A Área Tiago Campin dos Santos está localizada no distrito de Nova Mutum Paraná, zona rural de Porto Velho, e é vizinha a Área Ademar Ferreira. Ali vivem cerca de 800 famílias, que já realizaram o Corte Popular e produzem. O local já tem escola e posto de saúde e a presença dos trabalhadores tem influenciado positivamente na economia local.

Os beneficiados pela ação de despejo são os latifundiários Antônio Martins dos Santos (Galo Velho) e a família Leite. Ambos, supostos donos das antigas fazendas Norbrasil e Arco-íris (onde hoje se localiza a Área Tiago Campin dos Santos) e Santa Carmem e Boi Sossego (onde hoje se localiza a Área Ademar Ferreira).

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