Editorial semanal – Duas vias, duas colinas

Nesta semana, os monopólios de imprensa voltam as cargas para a leitura do relatório da CPI da Covid, que promete ser “arrasador” para Bolsonaro. Os meses de denúncias reiteradas, embora tenham revelado detalhes escabrosos da rotina de governo em Brasília – inclusive o espúrio papel desempenhado por altos oficiais das Forças Armadas , não foram suficientes para fazer avançar o impeachment e, dada a posição da Procuradoria Geral da República, dificilmente resultarão em responsabilização penal do sr. Capitão do Mato & Cia. Aliás, a base de apoio deste segue fiel, e se moveu muito pouco desde o início dos depoimentos.

Em suma, como medida prática, a CPI foi um enorme palanque, que serviu a lavar a biografia de figuras medonhas como Renan Calheiros e elevar ao status de subcelebridade – ao menos entre o eleitorado de extrema-direita – o impagável Marcos Rogério, o Patético, senador por Rondônia e expressão acabada do latifúndio que domina este estado. Daqui a um mês, ninguém mais se lembrará da existência desta comissão.

Isto revela de modo claro o que este jornal tem reiterado sempre: nada temos a esperar das instâncias de governança deste Estado burocrático-latifundiário, serviçal do imperialismo, podre, carcomido e reacionário até a medula. As disputas que se dão no seu interior, entre frações das classes dominantes, nas quais, pendularmente, os que estão na oposição acusam os que estão no governo dos mesmos crimes de que estes os acusavam quando a situação era invertida, não dizem respeito aos interesses dos milhões de pobres da cidade e do campo. Perante o vindouro levantamento das massas, estes que hoje se engalfinham formarão um único bloco contrarrevolucionário, ainda que repleto de contradições e mediante conluio e pugna, a defender a sacrossanta “democracia” da grana e do sobrenome, filha bastarda de capitalismo com semifeudalidade. Uma das imagens mais grotescas deste 2021 foi ver as “Suas Excelências”, que falaram grosso com alguns peixes pequenos, baixar as cabeças e o tom de voz perante o Papagaio Luciano Hang, talvez persuadidos por sua convincente conta bancária, que no próximo ano deve pagar várias candidaturas entre os seus interrogadores.

Esta é a consequência dos senhores “democratas burgueses”. A Prevent Senior, que, ao que tudo indica, fez experimentos clínicos em humanos, sem qualquer fiscalização, segue de portas abertas. Pazuello, o Carniceiro, segue impune pelas atrocidades de Manaus. É muito raro que os tribunais burgueses alcancem os genocidas da sua própria classe, coisa só possível quando as próprias massas ameaçam pegá-los por si mesmas. Em linha geral, a Justiça só chega na forma severa dos tribunais revolucionários.

Enquanto isso, das entranhadas brigas entre as frações das classes dominantes saíram, recentemente, novas revelações empiricamente constatáveis do papel nefando do Alto Comando das Forças Armadas como Poder Moderador desta republiqueta senhorial. Uma ex-estagiária de Lewandowski, do STF, revelara em conversas de internet que o general Villas Bôas, quando era comandante do Exército, tinha “livre trânsito com todos os ministros” da Suprema Corte e gozava ainda do privilégio de ser atendido quando e como desejasse por todos eles. E mais: reiteradas vezes, a Corte mudava decisões, subitamente, após ligações ou visitas deste general, o “protagonista silencioso” (pero no mucho). Quão independentes são os poderes!, enganchados que se acham em baionetas e sujeitos como canídeos aos ditames do poder militar reacionário, medula do poder de fato de grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo, principalmente ianque.

Isto tudo posto, nesta semana, do ponto de vista do proletariado e das massas populares, a colina do povo, a atenção se volta para um acontecimento de importância incalculavelmente maior: os desdobramentos da ilegal ordem de reintegração de posse contra as Áreas Tiago dos Santos e Ademar Ferreira, em Rondônia, e a firme resistência heroica que estão desfraldando aqueles milhares de camponeses honrados, resistência que promete potencializar-se. Nesta contenda, se batem as duas vias que se prolongam, como veios, ao longo de toda a história do País: o caminho burocrático da reação e o caminho democrático do povo. A todos os democratas e revolucionários cabe uma clara tomada de posição e a manifestação de firme solidariedade de classe perante a intrépida resistência que se avizinha. Calar-se é ser cúmplice do massacre que a Polícia Militar, a Força Nacional de Segurança enviada pelo governo militar de Bolsonaro e a pistolagem - dirigidas pelo governador Pau Mandado Marcos Rocha – tramam contra os assentados. Trata-se de algo mais do que a justa luta pela terra. O que se resolve aqui são os destinos do Brasil.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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