LCP: 'Viva a resistência dos camponeses das áreas Tiago dos Santos e Ademar Ferreira!'

Recebemos na redação de AND e reproduzimos uma importante nota emitida no dia 20 de outubro e assinada pela Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP) acerca da grandiosa resistência empreendida pelos camponeses das Áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira em Rondônia.

Leia a nota na íntegra:


Viva a resistência dos camponeses das áreas  Tiago dos Santos e Ademar Ferreira!

Está em curso operação ilegal e criminosa movida pela Força Nacional de Segurança do genocida e fascista Bolsonaro, da PM do governador de Rondônia, marionete de latifundiários, coronel Marcos Rocha, e também outros aparatos da Secretaria de Segurança estadual, comandadas pelo carniceiro de Santa Elina, Hélio Pachá entre outros aparatos repressivos contra as famílias camponesas que vivem e produzem nas suas terras nas áreas Tiago dos Santos e Ademar Ferreira, localizadas no distrito de Nova Mutum, zona rural de Porto Velho.

Desde muitos meses atrás, quando Bolsonaro desbocou seus ataques públicos contra a LCP e a luta camponesa, tem empenhado reforços em recursos, espiões, forças policiais, etc, para reprimir a justa luta pela terra particularmente em Rondônia. Diversas operações têm sido desencadeadas, apresentadas com diferentes nomes altissonantes, mas todas com o mesmo objetivo, que é a vã pretensão de varrer com a luta pela terra, e servir aos interesses de grandes latifundiários ladrões de terra da União.

Para garantir tais objetivos, não medem esforços nem consequências, e passam por cima de suas próprias leis, cometendo toda sorte de ilegalidades contra os camponeses e quem os apoia.

No caso dessas áreas Tiago dos Santos e Ademar Ferreira, há tempos desde que a Força Nacional começou a atuar em Rondônia, ao lado da PM, tem feito incursões junto com pistoleiros nas fazendas da região disparando fuzis e escopetas contra os camponeses.

Há meses as tropas do governo serviçal dos latifundiários vem realizando incursões desse tipo nas áreas, chegando a cometer a chacina do dia 13 de agosto, quando os canalhas, covardes e bandidos fardados do BOPE, assassinaram nossos companheiros Amarildo, 49 anos, e seu filho Amaral, 17 anos, enquanto eles trabalhavam roçando seu lote, e Kevin, 21 anos, morto enquanto pilotava sua moto em direção ao seu lote. Todos mortos na hora, alvejados por disparos de fuzis, sem nenhuma chance de defesa. Na mesma ocasião também tentaram matar outro casal, alvejando o carro em que estavam e passava pelo local. O carro ficou todo crivado de bala, e só não morreram por sorte, porque os tiros não os atingiram embora tenham passado próximo a suas cabeças. Muitos outros camponeses foram alvos de disparos dos policiais e também escaparam da morte. Além de cometerem a chacina ainda realizaram prisões ilegais, entre outros abusos de praxe da PM, como por exemplo, queimar barracos, jogar óleo diesel e veneno nos poços d’água, etc.

Tentaram encobrir a chacina, com a estorinha de confronto, de que prestaram socorro, etc, mas tudo mentira! Áudios que circularam em redes sociais, de pessoas que “atenderam” na UPA de Jaci-paraná confirmam que os corpos chegaram já enrolados em lonas na carroceria de caminhonetes da polícia sem sinal de vida, e com os corpos trucidados. A verdade é essa, mataram a sangue frio, na covardia, gente pobre trabalhadora e desarmada!

E sobre tais episódios, a imprensa lixo de Rondônia, porta-voz da polícia e serviçal dos latifundiários é cúmplice! Não se cansam de repetir a exaustão sobre as mortes de policiais ocorridas na região, há um ano, do qual nunca provaram nada e os camponeses nada tem a ver. E claramente o ocorrido na época se tratou de armação feita por latifundiários e seus bandos armados (do qual o falecido tenente e outros policiais prestavam serviço de pistolagem) com vista a incriminar a luta dos camponeses na região. Mas essa mesma imprensa não cita, fala ou escreve uma linha sequer sobre a chacina de trabalhadores cometidas pelos policiais do BOPE. Muito menos dos constantes abusos cometidos diuturnamente pela polícia contra os moradores da região. Além de cumplicidade, essa imprensa vendida, regada com verbas do governo, presta serviço de abafar crime tão ignominioso. Pra essa gente, a vida de um trabalhador não tem valor algum. Uma cabeça de gado, mourão de cerca ou moita de capim tem mais valor.

O mesmo vale para os assassinatos de dois camponeses sitiantes cometidos por policiais a paisana trabalhando como guaxebas no último dia 23 de setembro na mesma região.

Os ataques contra os camponeses da área Tiago dos Santos e Ademar Ferreira nunca cessaram. Mas desde o dia 11 de outubro intensificaram os ataques e abusos contra as famílias das áreas e moradores da região, culminando na atual operação em curso.

Atualmente centenas de tropas da Força Nacional e PM cercam as áreas, apetrechados e armados até os dentes, contando com pelo menos 3 helicópteros. Na verdade o comando da PM fala em 400 efetivos, mas isto é a parte assumida pelo governo de Estado, mas além disto estão outras centenas de tropas da FNSP e outras de diferentes forças policiais, além de paramilitares e guaxebas pagos pelos latifundiários.

Seguem realizando bloqueios em todas as vias de acesso à área, e seguem fazendo revistas humilhantes, espancamentos, ameaças e intimidações. Mesmo sem nenhum tipo de mandado, coagem as pessoas a fornecer senha para vasculhar telefones, e chegam ao ponto de destruir veículos, cortando cabos ou rasgando pneus.

Nem mesmo advogados estão imunes às arbitrariedades, e também estes sofrem ameaças, e revistas vexatórias. Um vereador que transitava no local, também foi revistado e teve suas roupas deliberadamente jogadas no barro. Se tratam tais pessoas assim, se pode ter uma ideia como tratam os camponeses, considerados pelos policiais como escória.

Durante os últimos dias o cerco tem impedido a entrada de qualquer tipo de alimento ou pessoas pra dentro das áreas. Nas linhas que policiais conseguiram entrar, estão passando nas casas ameaçando as famílias, mandando retirar pertences, e prometendo que virá maquinário demolir tudo o que se construiu com tanto esforço. Seguem fazendo tais incursões inclusive no período noturno, o que é mais uma ilegalidade, como a própria operação em si já o é, onde há decisão de tribunal superior proibindo esse tipo de ação durante a pandemia. Seguem realizando prisões arbitrarias, de quem consideram ser da LCP, a quem pintam como se fosse o demônio e acusam de organização criminosa.

Há dias há relatos de camponeses que ouviram tiros e rajadas disparadas pelos policiais em diferentes pontos das áreas.

E tudo isso pra quê? Para expulsar das terras, hoje cortadas em muitas centenas de lotes, as milhares de pessoas que nelas vivem e trabalham, para entregar nas mãos de dois ou três grandes latifundiários parasitas e sanguessugas, os da família Leite e Antônio Martins dos Santos, o Galo Velho. Todos ladrões de terras, e no caso do Galo Velho notório ladrão de terras públicas, considerado um dos maiores grileiros de terras da União no Brasil, alvo de inúmeras operações por envolvimento em esquemas fraudulentos com cartórios, servidores do INCRA e juízes.

É para beneficiar esse tipo de gente, latifundiários considerados pelo próprio velho Estado como criminosos, gente parasita que nada produz, e se enriquece as custas da exploração e miséria de milhares, as custas de afundar o país e o manter no atraso secular, que se move todo esse aparato policial contra camponeses, gastando dinheiro público, dos impostos pagos pelo povo.

É pra beneficiar esses latifundiários, que se pretende jogar na rua à própria sorte milhares de famílias, que hoje vivem com dignidade, produzindo em suas terras sem depender em nada do velho Estado e suas esmolas, para voltar a engrossar a fila de desempregados, engrossar o número de pessoas na miséria, cujos filhos e filhas, esta sociedade de exploração e opressão só lhes reservam a delinquência, as drogas e outras mazelas cada vez mais presente nas cidades, numa situação de crise e putrefação sem precedentes.

É pra beneficiar esses latifundiários, que se pretende destruir tudo o que as famílias conquistaram com muita luta, suor, e sem depender do velho Estado, nem da caridade de ninguém. É pra beneficiar esses latifundiários, que estão matando, prendendo, espancando, perseguindo, ameaçando, e cometendo toda sorte de abusos contra gente honrada e trabalhadora. É pra beneficiar esses latifundiários que se comete tamanhas injustiças de forma escancarada e, inclusive, ao arrepio da lei.

Todo esse aparato e repressão movida contra os camponeses e a luta pela terra só comprovam, uma vez mais, o desespero do latifúndio, do governo que os serve, e seus porta-vozes, e confirmam que estamos no caminho justo. Se nos atacam com tanta força é porque a justa luta pela terra é o que verdadeiramente ameaça os indecentes privilégios dos poderosos e endinheirados que se nutrem deste sistema de exploração e opressão secular de nosso país em estágio de franca decomposição.

E uma vez mais repetimos, se enganam os endinheirados e reacionários que acham que vâo parar a luta pela terra com repressão, humilhação dos pobres, com perseguição, prisão e assassinatos dos dirigentes da luta popular revolucionárias ou com as chacinas covardes. Enquanto a terra estiver concentrada nas mãos de um punhado de latifundiários parasitas da Nação, a luta pela terra a favor dos camponeses vai continuar independente da vontade de quem quer que seja. E o que fazem com crescente repressão é escancarar e deixar claro que esse governo, tal como outros anteriores, é o mais fiel defensor do latifúndio, e que nem a falida “reforma agrária do governo” são capazes de aplicar. Só lhes resta o vergonhoso e criminoso papel de servir de guaxebas do latifúndio ladrão de terras da União. Mais do que isto, estão ensinando os pobres do campo que a única forma de se obter um pedaço de terra é através da violência, deixa cada vez mais claro, que a Revolução Agrária é único caminho possível para conquistarem a terra.

O povo vai conquistar sua “terra prometida”, não pela ação do governo ou de algum falastrão, mas através das massas organizadas em luta combativa e independente, através da aliança operário-camponesa, da frente única revolucionária desta com os demais trabalhadores da cidade e do campo, dos pequenos e médios proprietários, dos estudantes e intelectuais honestos. Cada vez mais as massas estão mais conscientes e dispostas a empregar todos os meios necessários para destruir essa secular chaga purulenta responsável pelos horrores da miséria, injustiças e iniquidades de nosso do nosso povo, para conquistar a terra sagrada e entregá-la, ainda que parte por parte, aos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra. Para poder remover todos obstáculos de seu caminho, para transformar a sociedade e edificar o Brasil Novo sem exploração e opressão, e onde realmente se estabeleça uma nova democracia, justiça e prosperidade para o povo e independência e soberania da Nação.

Conscientes da justeza da nossa luta é que as famílias das Áreas Tiago dos Santos e Ademar Ferreira resistem. Sabemos que essas terras que hoje trabalhamos são nossas por direito e serão de fato, passe o que passar. Sabemos que a verdade está ao nosso lado, e que a verdadeira justiça faremos com o Novo Poder que construiremos com nossas próprias mãos.

Essas terras são nossas! Estão regadas com sangue dos nossos companheiros de luta, Tiago Campin dos Santos, Ademar Ferreira, Amarildo Aparecido Rodrigues, Amaral José Stoco Rodrigues, Kevin Fernando Holanda de Souza! O sangue desses companheiros trabalhadores correm em nossas veias, eles estão presentes na nossa luta! A memória deles será honrada! Seu sangue será vingado!

Essas terras estão regadas com sangue de muitos outros trabalhadores trabalhadoras que por aqui passaram antes de nós, e pelo sangue indígena ao longo dos séculos massacrados e expulsos de seus territórios pelo latifúndio genocida, explorador, esfomeador e base da subjugação da Nação pelo imperialismo, principalmente norte-americano!

Essas terras são nossas, passe o que pssar, custe o que custar! Queremos nossas terras por direito! Aqui queremos apenas um pedaço de terra para viver, trabalhar e tirar o sustento de nossas famílias com dignidade. Queremos viver em paz, mas se nos oferecerem guerra, terão guerra! Se a ferro e fogo nos despejar das nossas terras, voltaremos amanhã de novo, tendo aprendido como enfrentá-los, pois a lei do povo, confirmada pela história em todo o mundo, é lutar e fracassar, voltar a lutar e fracassar de novo, tornar a lutar até obter a vitória completa e definitiva contra seus carrascos, exploradores e opressores! Quanto mais tempo demorar nossa vitória, mais alto será o preço que estes bandidos latifundiários ladrões de terras da União pagarão! Quem viver, verá!

Fora PM e Força Nacional das nossas áreas!

Defender a posse pelos camponeses das áreas Tiago dos Santos e Ademar Ferreira!

Conquistar a terra, destruir o latifúndio!

Viva a Revolução Agrária!

Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental – LCP

20 de outubro de 2021

Assembleia Popular das Áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira, 02 de outubro de 2021. Foto: Banco de dados AND

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