Tiago dos Santos: Ação de despejo seguiu mesmo após STF determinar suspensão

Tropas policiais realizam cerco e despejo arbitrários mesmo diante da suspensão. Foto: Banco de dados AND

À revelia e em flagrante violação da determinação do Supremo Tribunal Federal, continuou ocorrendo o despejo das famílias camponesas da Área Tiago Campin dos Santos, em Nova Mutum Paraná, RO, na noite de 21 e madrugada de 22 de outubro. 

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo) denuncia que a Polícia Militar de Rondônia (PM-RO) com auxílio da Força Nacional de Segurança Pública continua a operação covarde de cerco e despejo utilizando-se de agressões, torturas, e todo o aparato repressivo que dispõe. 

A entidade relata também que houve relutância por parte da Juíza de plantão Úrsula Gonçalves Theodoro de Faria Souza em despachar a decisão da ministra Carmém Lúcia no processo, mesmo horas após já ter sido comunicada da liminar do STF.

Os camponeses expulsos de suas moradias estão no alojamento improvisado na Escola Santa Julia. Neste local a água disponível está imprópria para o consumo, suja e turva, conforme denunciaram os camponeses. As massas afirmam ainda que as pessoas que chegaram na noite de quinta estão dormindo no chão e sem água. 

Em vídeo registrado por moradores da Área Tiago Campin dos Santos, organizados no alojamento, após ser perguntada desde que horas as famílias estavam sem comer após serem rendidas pela polícia, uma camponesa denunciou: “Desde de quarta de manhã, viemos comer hoje que é quinta-feira de noite”. Outro trabalhador afirmou também: “Enquanto isso eles estão comendo nossas criações, assaram nosso porco, matando os bichos”, se referindo ao fato de que os mais de 3 mil policiais estão roubando e destruindo as plantações e criações que são frutos do esforço dos camponeses.

Os trabalhadores despejados relatam ainda: "Destruíram a casa da gente, não trouxeram nossas coisas; estão tudo no meio da estrada as mudanças, ia trazer, mas não trouxe nada. Os cachorros pendurados no meio da mudança”.

As tropas policiais reacionárias relutam em acatar a decisão. O comandante-geral da PM-RO, coronel Alexandre Almeida, afirmou em coletiva na manhã de 22/10, que continuará com a megaoperação de guerra contra os camponeses e que a suspensão se refere a apenas uma das fazendas que seriam alvo da operação. 

A polícia afirmou ainda que a antiga Fazenda NorBrasil, hoje Área Tiago Campin dos Santos, era o alvo principal da Operação “Nova Mutum”.

O coronel, dissimuladamente, mesmo diante das inúmera denúncias e registros da insalubres condições e fome às quais os camponeses estão sendo submetidos, afirmou também: “Aquelas pessoas que não têm para onde ir são levados para um local conhecido como ‘Vila da Penha’, onde ficam em uma pousada, com direito à alimentação, até que consigam ir para um local mais adequado”.

De acordo com informações relatadas pelo próprio comandante da PM, o valor diário gasto para manter a operação é equivalente a R$ 1 milhão por dia e deverá se estender. 

O despejo prossegue, sob nova forma, apesar da decisão de uma ministra do STF, que dá por suspensa a ordem de despejo (“reintegração de posse”). De acordo com denúncias recebidas pela redação de AND, há no local, além das tropas, uma "equipe de apoio", uniformizada, auxiliada por diversos caminhões e que tem prosseguido com a retirada das famílias. Segundo os camponeses, tal equipe é composta por funcionários do latifúndio.

Camponeses denunciam "equipe de apoio" que segue com o despejo ilegal como funcionários do latifúndio. Foto: Banco de dados AND

As famílias expulsas organizam refeições coletivas no alojamento improvisado mesmo frente a escassez. Foto: Banco de dados AND

As famílias expulsas organizam refeições coletivas no alojamento improvisado mesmo frente a escassez. Foto: Banco de dados AND

Ao menos 400 crianças vivem atualmente na Área Tiago Campin dos Santos. Foto: Banco de dados AND

Altivos os camponeses permanecem mobilizados e organizados mesmo em meio ao despejo. Foto: Banco de dados AND

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