Estudantes exigem o pagamento das bolsas: 'Contra os cortes, fortalecer a luta presencial e ocupar escolas e universidades!'

Desde o início de outubro mais de 60 mil estudantes estão sem receber o pagamento das bolsas de Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e Residência Pedagógica (RP). Foto: Banco de Dados AND

A Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe) lançou uma nota se posicionando frente ao atraso do pagamento de mais de 60 mil estudantes bolsistas. Os estudantes também repudiaram os cortes feitos pelo Congresso Nacional. A nota na íntegra está disponível no portal da entidade, disponível aqui.

Situação de ataques, obscurantismo e negacionismo

A ExNEPe inicia sua nota apontando que desde o início de outubro mais de 60 mil estudantes estão sem receber o pagamento das bolsas de Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) e Residência Pedagógica (RP). Os dois programas são destinados a estudantes que estão se formando para ser professores. 

A razão para os atrasos, segundo os estudantes, são os “constantes e sistemáticos cortes na educação e na ciência”. Os atrasos são apontados também como um “sintoma da situação de ataque” que a educação brasileira vem sofrendo, contribuindo para a “disseminação do obscurantismo e do negacionismo anticientífico, em meio ao genocídio do povo, levado a cabo por Bolsonaro e seus generais”.

Os cortes realizados no dia 07/10 refletem o cenário de “completa destruição do ensino e da ciência”, apontam os estudantes. Dos R$ 690 milhões inicialmente previstos, sobraram apenas R$ 89,8 milhões, após os cortes. Deste total, somente 9% serão para as áreas da pesquisa e tecnologia. A maior parte destes menos de R$ 90 milhões será destinado à Comissão Nacional de Energia Nuclear.

Estudantes estão sem a maior parte de sua renda

Após apontar que, no contexto atual de crescimento de desemprego, muitos professores e pedagogos também dependem da bolsa, a ExNEPe aponta o quão delicada é a situação dos estudantes: “a maioria dos estudantes do PIBID tiveram seu direito ao auxílio emergencial negado, segundo o governo, pois já recebiam o ‘grande benefício’ da bolsa. Estas bolsas são, portanto, parte fundamental da renda desses estudantes, sendo um descaso total o seu atraso”. 

Com o atraso dos pagamentos, muitos bolsistas voltaram a ser obrigados a pagar para poder realizar as suas atividades. Em muitos casos, a manutenção das atividades dos dois programas (PIBID e RP) fica afetada, uma vez que as tarefas demandam recursos financeiros para a compra de materiais, de alimentação, de deslocamento para a escola e outros custos.

O atraso busca acabar com atividades universitárias presenciais

Os estudantes de pedagogia apontam que o PIBID e a RP são “uma das poucas atividades que as Universidades têm realizado de forma presencial” mesmo que em alguns casos tais atividades ocorram de maneira parcial. A importância destes programas e de suas atividades está em oferecer “auxílio para os professores das redes de ensino público e agregando conhecimento prático para a atuação docente dos estudantes de pedagogia e licenciaturas”.

A nota também aponta que o impedimento de seguir com a realização destas atividades presenciais afeta a produção de ciência, uma vez que “o atraso das bolsas é uma forma de barrar toda e qualquer atividade universitária presencial que os estudantes têm tido contato nesses últimos dois anos”. Adicionando que elas são “a única forma de consolidar o conhecimento pedagógico verdadeiramente científico”.

A ExNEPe aponta ainda que muitos estudantes têm participado desde o início da pandemia em Comitês Sanitários que, entre outras atividades, realizam o “reforço escolar para as crianças do povo que, mesmo sem aulas, passaram de ano compulsoriamente e tiveram suas disciplinas consideradas como ‘dadas’ via remota, com atividades impressas e aulas online”. A importância das atividades é defendida pela ExNEPe, que afirma que “não se pode abandonar os filhos do povo, sem aula regular nem reforço escolar. Temos que exigir o justo e necessário investimento na extensão universitária”.

Barrar o corte de verbas com luta presencial e combativa

Os estudantes afirmam que “o negacionismo de Bolsonaro e dos obscurantistas” tem sido utilizado pelo governo. Eles apontam que as Universidades devem funcionar para que sirva ao povo, defendendo que haja o “retorno nas pesquisas, da extensão e do ensino no Ensino Superior de forma ampla que garanta o não fechamento dessas Instituições e seus programas”. E acrescentam: “as Universidades fechadas apenas sustentam o discurso da privatização e implementação completa do Ensino à Distância”.

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