Ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mantinha ‘rachadinha’ de ao menos R$ 2 milhões

Ex-presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, está sendo investigando por embolsar salários em esquema de rachadinha. Foto: Sérgio Lima

Davi Alcolumbre, senador do Democratas (DEM) pelo Amapá, está sendo acusado de ter embolsado 90% dos salários de, no mínimo, seis ex-funcionárias. A denúncia foi feita por mulheres que foram funcionárias do Senado Federal do gabinete de Alcolumbre, que foi presidente do Senado entre 2019 e 2021. O esquema foi revelado pela revista do monopólio de imprensa Veja em matéria de capa de sua nova edição.

O esquema conhecido como “rachadinha” perdurou durante cinco anos, de janeiro de 2016 até março de 2021 e funcionava através do famigerado modo de atuação: o senador nomeava “gente de confiança” para controlar as contas de uma série de funcionários fantasmas. O grosso do dinheiro ficava com o mandatário, e uma pequena parcela ia para os contratados pelo gabinete. 

Paulo Boudens foi chefe do gabinete de Alcolumbre até 2020. Era ele quem mantinha o cartão e a senha das seis mulheres. Ele retirava todos os salários no mesmo momento em que era feito o pagamento pelo Congresso. O gabinete de Alcolumbre embolsou pelo menos 90% dos salários e pagava às mulheres um montante que variava entre R$ 800 e R$ 1.400.

Todas as seis ex-funcionárias do gabinete disseram à revista do monopólio da imprensa que só aceitaram o emprego pois na época estavam todas desempregadas e com dificuldades financeiras. Três destas mulheres foram demitidas pelo ex-presidente do Senado no momento em que estavam grávidas.

Uma delas é Larissa Alves Braga, dona de casa que estava desempregada quando foi “contratada”. Ela denuncia que seus vencimentos eram de R$ 5 mil, que recebia somente R$ 800 e que em outubro foi demitida sem aviso prévio quando ela estava grávida.

Outra ex-funcionária conta que foi demitida com oito meses de gravidez. Lilian Alves Braga exercia, no contrato, a função de “assessora júnior”, com ordenado de quase R$ 12 mil. Deste total, o gabinete de Alcolumbre embolsava mais de R$ 11 mil enquanto Lilian recebia R$ 800 como parte do esquema.

Na “seleção”, um dos critérios usado por Davi Alcolumbre (que esteve presente em ao menos uma conversa) era que as mulheres tivessem filhos. Uma das mulheres denunciou que, após ser “contratada”, recebeu um pedido para arranjar mais cinco mulheres nessa condição - tudo em benefício de aumentar a quantia de dinheiro público embolsado pelo gabinete do senador amapaense. Isso não era mero detalhe, mas se explica pelo fato de que o Senado federal paga um adicional de R$ 830 por filho em idade escolar. Outro critério era manter o absoluto sigilo sobre a condição.

Todas as envolvidas relatam que não se orgulham de ter se envolvido no esquema, mas que o fizeram pela dificuldade financeira. Em meio à grave crise que corrói os salários e leva desemprego a imensas parcelas da população, a miséria do povo é vista como oportunidade de enriquecimento pelas “suas excelências”, os políticos oficiais do velho Estado burocrático-latifundiário, que impulsionam os mais baixos e imorais esquemas de corrupção, além da demagogia populista que de dois em dois anos se vê pelo Brasil afora.

Família Bolsonaro e as rachadinhas

Todo país se acostumou a ouvir em noticiários a palavra “rachadinha” em referência ao esquema de corrupção, sobretudo por conta do caso envolvendo Flávio Bolsonaro. O filho de Bolsonaro teve seu esquema de enriquecimento ilícito desnudado em dezembro de 2018, a partir de um relatório que apontava movimentação financeira anormal de um dos assessores de Flávio no período em que era deputado estadual do Rio de Janeiro, Fabrício Queiroz.

As investigações apontaram que as transações envolviam mais de R$ 365 mil (em dinheiro vivo e cheques) somente na conta de Queiroz, que era o responsável por receber os salários de oito funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro entre 2016 e 2017. O mesmo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que mais de 20 gabinetes da Alerj apresentaram operações financeiras suspeitas, em um total de R$ 207 milhões.

Bolsonaro e Alcolumbre

Davi Alcolumbre, que foi eleito como presidente do Senado apoiado diretamente por Jair Bolsonaro em disputa contra Renan Calheiros (que neste momento, ainda antes da instauração CPI da Covid, representava o conjunto de partidos fisiológicos mal-chamados de “centrão”). Daí que Renan era visto como um oponente a ser batido pelo novo governo Bolsonaro uma vez que representava os velhos caciques políticos, que nesta época contava com um intocável Sérgio Moro no Ministério da Justiça e um animado Augusto Heleno no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) governo eleito com a promessa de combater o “toma-lá-dá-cá” de toda “velha política”.

Agora revelado, o caso de Davi Alcolumbre (que há pouco tempo atrás viu seu primo ser preso por envolvimento no tráfico internacional de drogas) é mais um elemento que se junta ao quadro atual do governo militar genocida de Bolsonaro e generais. Igualmente vende-pátria, anti-povo e corrupto como todos os demais.

Se confirmadas as denúncias, Davi Alcolumbre pode ser alvo de processo de cassação imediata de seu mandato pelo Congresso Nacional, uma vez que também seja conveniente afastá-lo. Isto é possível uma vez que o crime ocorreu durante o exercício do atual mandato do senador do Amapá. Deste modo, Davi Alcolumbre encontraria destino diferente de Flávio Bolsonaro, cuja interminável investigação é inconclusiva, pois as partes dividem-se em julgar se é ou não válida a cassação do mandato para um crime que foi ocorrido em um mandato finalizado.

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