Morre o pianista Nelson Freire aos 77 anos

Faleceu, aos 77 anos, no Rio de Janeiro, o pianista brasileiro Nelson Freire. Um dos maiores nomes do piano de sua época e grande representante da tradição pianística ímpar do Brasil.

Pianista Nelson Freire deixa amplo trabalho musical. Foto: Reprodução

‘Eu espero que o entusiasmo que sempre houve no Brasil pelo piano não desapareça. É difícil, é uma carreira muito difícil. É difícil chegar, e depois mais difícil é continuar. Mas quando você é realmente apaixonado por música, então a gente vai em frente.’

 

O Brasil, possuindo um dos mais tradicionais cenários do piano no mundo, produziu músicos incríveis como Guiomar Novaes, Magda Tagliaferro, Antonieta Rudge, Arnaldo Estrella, Jacques Klein e Anna Stella Schic. Dentre estes gigantes do piano brasileiro, o nome de Nelson José Pinto Freire facilmente é mais um que se adiciona. 

Nascido em 1944 em Boa Esperança, interior de Minas Gerais, cidade que encantou Lamartine Babo, Nelson Freire iniciou seus estudos de piano com apenas 4 anos de idade. Após 12 aulas na cidade natal, o professor uruguaio Fernandes afirmou que o prodígio já não tinha mais o que aprender dele. Em 1950, se muda com a família para o Rio de Janeiro, única e exclusivamente em busca de novas oportunidades para desenvolver a técnica do jovem pianista. É na capital fluminense que Nelson Freire se torna aluno da prestigiada professora de piano Lucia Branco, mestra dos maiores talentos daquela época, como Arthur Moreira Lima e Luiz Eça. Lucia, por sua vez, havia sido aluna do pianista belga Arthur De Greef, discípulo direto de Franz Liszt, virtuoso considerado um dos maiores pianistas de todos os tempos. é possível, portanto, traçar uma linha direta dentre Nelson e a escola romântica de interpretação pianística. Nessa época recebe aulas e esforços incessantes das professoras Lucia Branco e Nise Obino. 

No ano de 1957 o Rio de Janeiro sediou o 1º Concurso Internacional de Piano no Brasil. "O concurso abriu meu horizonte musical. Foi inesperado. Fui convidado a participar (não havia limite de idade), e dona Lucia foi logo me prevenindo, com seu vozeirão: Não pense que vai chegar às finais. Você vai competir com pianistas do mundo inteiro, com gente de 30 anos, premiada em outros concursos", contou ele em entrevista publicada na edição de novembro de 2019 na Revista Concerto. 

Nelson Freire no programa do concurso. Foto: Reprodução

Nelson chamou atenção do júri por seu enorme talento e acabou sendo o mais jovem premiado da competição. Por conta desse evento, Nelson ganha uma bolsa para estudar na Europa, no centro musical mais importante daquela época, Viena, na Áustria, para estudar com o renomado professor Bruno Seidlhofer. 

Nelson Freire e Bruno Seidlhofer. Foto: Reprodução

Aos 19 anos, Nelson conquistou o primeiro lugar no Concurso Internacional Vianna de Motta. O que aconteceu depois foi o desenvolvimento de uma carreira que fez dele um dos maiores pianistas de sua geração. Seu prestígio apenas aumentou, tendo sido um dos maiores propagandistas de Villa-Lobos, de quem gravou inúmeras obras ao redor do mundo. Dada a personalidade sempre reservada de Nelson, até o fim da década de 1990 não era incomum vê-lo citado como “o segredo mais bem guardado do piano”.

Símbolo da tradição do piano no Brasil

Nelson Freire dizia que no Brasil houve certa época que o piano só perdia em popularidade para o futebol. “O Brasil foi um centro de piano muito importante no século passado. O piano era então a televisão e o telefone celular. As famílias tinham um piano e o adoravam. [Arthur] Rubinstein passou três meses no Brasil, tocando diferentes programas. E [Ignacy Jan] Paderewski e Josef Casimir Hofmann, e todos os grandes... O amor pelo piano era tremendo, um pouco como o futebol. No Rio não dá para ser Flamengo e Fluminense ao mesmo tempo. E não podia ser da Madga Tagliaferro, que aliás era tremenda, e da Guiomar Novaes: uma ou outra. As pessoas matavam por elas.”

77 anos dedicados à música

Um grande artista de extraordinária modéstia, totalmente dedicado à música nos deixa. O renomado pianista nos presenteou com muitas interpretações cuja beleza e brilho muito especial são incomparáveis. Um homem excepcional, com grande prestígio pelo cancioneiro erudito e popular, além de incessante trabalho em torno deste.



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