Coreia do Sul: Meio milhão de trabalhadores realizam greve geral

Greve geral no dia 20 de outubro na Coreia do Sul. Foto: workers.org

Em 20 de outubro, uma greve geral mobilizou 550 mil trabalhadores na Coreia do Sul. Operários das áreas da construção, transporte, serviços e outros setores realizaram paralisação por um dia. Os trabalhadores sul-coreanos reivindicam direitos trabalhistas básicos em uma luta que surge contra o desemprego e os empregos informais.

Como parte da greve geral nacional, cerca de 80 mil trabalhadores participaram das manifestações multitudinárias que ocorreram em 13 cidades diferentes. Somente em Seul, na capital, cerca de 30 mil pessoas foram às ruas.  Entregadores de aplicativos engrossaram as fileiras dos manifestantes.

As pautas da greve

Os trabalhadores exigem o fim do trabalho informal: trabalho de meio período, trabalho temporário ou contratos com poucos ou nenhum benefício e exigem que as leis trabalhistas e direitos dos trabalhadores sejam estendidos a todos os trabalhadores.

Eles exigem também a nacionalização de indústrias-chave do país que vêm demitindo trabalhadores de acordo com as necessidades do imperialismo: a de fabricação de automóveis, construção naval e da aviação civil, entre outros. Exigem também que os trabalhadores participem das decisões da empresa. Tais reivindicações ocorrem em meio à atual crise econômica de superprodução, que também afeta o país asiático.

Além disso, os trabalhadores e manifestantes presentes nos protestos nacionais levantavam a reivindicação de educação pública e gratuita, assim como a expansão de conjuntos habitacionais populares.

De acordo com o sindicato que convocou a greve, a Confederação Coreana de Sindicatos (CCS), a greve será seguida por manifestações em massa em centros urbanos e no campo, culminando em uma mobilização nacional de operários e camponeses em janeiro de 2022. 

Repressão e perseguição

O governo reacionário sul-coreano do presidente Moon Jae-in tem criminalizado os protestos dos trabalhadores. Sob a falsa alegação de que por conta da pandemia não podem ser organizadas passeatas, o governo tem declarado que todas as manifestações são ilegais. Além disso, as forças de repressão foram mobilizadas para reprimir os trabalhadores.

A polícia mobilizou cerca de 12 mil policiais para construir barricadas com ônibus e cercas para evitar que as pessoas se reunissem na praça central de Gwanghwamun, em Seul, local em que historicamente ocorrem protestos. As saídas de metrô próximas também foram bloqueadas. De acordo com os monopólios de imprensa da Coreia do Sul, os manifestantes tentaram ultrapassar os bloqueios feitos pela polícia para impedir o protesto. A polícia reprimiu as tentativas e foram registrados confrontos em diversos pontos.

O primeiro-ministro do país, Kim Boo-kyum, afirmou que o governo tomaria medidas legais estritas contra “manifestações ilegais” e puniria os organizadores e participantes das manifestações. A polícia de Seul anunciou uma “unidade especial de investigação para investigar exaustivamente a greve”.

Na Coréia do Sul, os direitos à livre manifestação e à organização para reivindicar direitos são severamente restritos e a greve só é legal durante certos estágios de uma “negociação coletiva” aberta com os patrões.

A greve, inclusive, acontece pouco tempo após a prisão do presidente do Confederação Coreana de Sindicatos, Yang Kyeung-soo, após uma operação policial na sede do sindicato em 2 de setembro. Yang é o 13º presidente consecutivo da CCS a ser preso desde que a federação foi declarada ilegal pela primeira vez em 1997. A libertação de Yang, que ainda está detido, foi uma das reivindicações dos trabalhadores em greve.

Os monopólios e os trabalhadores

As massas coreanas enfrentam cada vez mais a carestia. Em 2016, 45% de toda a renda total no país era apropriada pelos 10% mais ricos. Além disso, cerca de 64 monopólios detém 84% do PIB, mas fornecem apenas 10% de todos os empregos do país.

A especulação imobiliária voraz levou a altos preços dos aluguéis e despejos em massa, e a privatização na educação e na saúde avançam cada vez mais. 

Atualmente, as dívidas de uma família coreana “média” chegam a quase o dobro de sua renda anual.

Monopólios como Samsung, Hyundai ou LG são notavelmente reconhecidos na exploração de seus operários. No início deste ano, a equipe de limpeza das torres gêmeas da LG acampou do lado de fora do prédio da empresa por 136 dias nos meses mais frios de inverno para protestar contra as demissões em massa e as péssimas condições de trabalho. A LG contratou capangas para despejar água gelada nas barracas dos trabalhadores enquanto eles dormiam.

Além disso, a precariedade é uma realidade mesmo nas empresas ditas “nacionais”, que servem para a exportação dos recursos naturais. Os mineiros de carvão do Carvão Coreia estão sofrendo de problemas de saúde por respirarem poeira de carvão e excesso de trabalho. Um mineiro de carvão relatou a situação dos trabalhadores irregulares: “O governo reduziu a força de trabalho pela metade, então nossa unidade agora tem que fazer o trabalho de duas unidades. Então, todo mundo está doente. Não há ninguém aqui que não esteja doente. Nossos salários precisam aumentar, mas permaneceram os mesmos. Trabalhamos da mesma forma que os trabalhadores regulares, mas não recebemos nem metade do salário.”

Coreia do Sul: lacaia dos ianques 

A situação na região é de ocupação militar direta pelo imperialismo na Coreia do Sul desde a Guerra de agressão à Coreia, de 1950 a 1953. O país foi dividido e a região Sul foi despedaçada e usurpada pelos imperialistas.

Mais tarde, em meados da década de 1990, a Coreia do Sul recebeu 100 bilhões de dólares em empréstimos estrangeiros. Quando a crise financeira asiática de 1997 rebentou, a economia se degenerou rapidamente à medida que o capital imperialista se retirava do país. À beira da falência, a Coreia do Sul foi forçada a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter ajuda.

Mas o empréstimo do FMI veio, como sempre, com imposições: retiradas de direitos dos trabalhadores, as empresas públicas foram privatizadas e os mercados domésticos foram completamente abertos para o capital estrangeiro, que voltou a “investir” na coreia por muito barato. Em 2004, até 44% da capitalização total do mercado de ações da Coréia do Sul pertencia a imperialistas, principalmente do Estados Unidos (USA), União Européia e Japão.

Como em toda semi-colônia, as massas não têm poder nenhum de decisão política, enquanto os imperialistas tem todo: de acordo com o Acordo de Livre Comércio USA-Coreia de 2007, o USA pode contestar legalmente quaisquer leis que consideram desfavoráveis aos seus interesses.

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