Liga Operária: Seis anos de impunidade e descaso com as vítimas da barragem do Fundão em Mariana

Reproduzimos a nota da Liga Operária sobre os seis anos do crime cometido pela Vale, Samarco e BHP Billiton em Mariana. O rompimento da barragem Fundão matou 19 pessoas , deixou milhares desalojadas e causou um enorme desastre ambiental.


Rompimento da barragem em Mariana completou seis anos no dia 5 de novembro. Foto : Reprodução

Fora Samarco/Vale/BHP assassinas e terroristas!

No último dia 5 de novembro de 2021, completaram seis anos do crime premeditado cometido pela Vale, a laranja Samarco Mineração S.A. e o monopólio imperialista anglo-australiano BHP Billiton. O criminoso rompimento da barragem da Samarco em Antônio Pereira Comarca no município de Mariana (MG), ocorreu por volta das 16h20min na tarde de 5 de novembro de 2015, alcançando o subdistrito de Bento Rodrigues em pouco tempo e chegando em Paracatu de Baixo próximo das 18H. Essas empresas, mesmo cientes dos riscos que impunham às comunidades da região, optaram por correr o risco, de olho grande nos seus exorbitantes lucros, assassinando pelo menos 19 pessoas por meio do facilmente evitável e, portanto, criminoso rompimento da barragem da Samarco em Antônio Pereira Comarca do município de Mariana/MG. Isso porque para os grandes burgueses e imperialistas estrangeiros a vida do povo não vale nada! Como repetimos sempre: “o coração dos empresários/patrões está no bolso!” Todos os burgueses e burocratas responsáveis pelos crimes hediondos de lesa-pátria, contra a humanidade e o meio natural cometidos em Mariana seguem impunes! Enquanto isso, o povo amarga a enrolação e as promessas eleitoreiras de sempre desse velho Estado Burocrático-latifundiário, serviçal do imperialismo, principalmente ianque (Estados Unidos).

O crime ocorreu no governo dos petistas Fernando Pimentel no estado de Minas Gerais e Dilma Rousseff na presidência da “república”. Ambos, na prática, por meio de suas ações, privilegiaram a Samarco/Vale/BHP-Billiton. A Liga Operária, na época, esteve em três municípios atingidos: Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Barra Longa, onde constatamos o descaso desses governos, pois, quando estávamos acompanhando o sofrimento do povo de Paracatu de Baixo, um helicóptero sobrevoou o local, no dia 12 de novembro e a bordo estavam a presidente Dilma Rousseff e o governador de Minas Fernando Pimentel, que seguiram até Governador Valadares. Fingindo comoção em frente às câmeras falaram que iam fazer e acontecer, porém, nada fizeram a favor do povo e sim para tentar salvar as empresas. Pimentel, inclusive, atendeu a uma reivindicação antiga da Samarco, concedendo que a mesma construísse mais dois diques, sendo que um submergiu parte de Bento Rodrigues.

Além da destruição de casas em três municípios, a lama tóxica de rejeitos de minério destruiu as margens dos rios Gualaxo do Norte, Ribeirão do Carmo e Rio Doce, percorrendo ziguezagueante até o litoral do Espírito Santo. Esse lamaçal pútrido deixou sem trabalho e fonte de renda e sustento de suas famílias os camponeses, ribeirinhos, pescadores e os indígenas Krenaks - que em Resplendor às margens do Rio Doce. Enquanto isso, os governantes seguiram e seguem buscando saída para salvar os interesses das mineradoras. O então prefeito de Mariana, Duarte Junior, chegou a dizer que não sabia o que faria, pois, 80% de suas receitas dependeriam diretamente da mineração. Numa clara demonstração de como essa política de subjugação às mineradoras e aos monopólios nacionais e estrangeiros é prejudicial ao povo e ao país.

Farinha pouca, meu pirão primeiro

A impunidade pelos crimes cometidos pelas mineradoras e o Estado contra o povo e o meio natural de Mariana e região prossegue. Entra governo e sai governo, as coisas só pioram para o povo, principalmente para os mais pobres! Nas cidades por onde a lama passou muitos prefeitos se aproveitaram do fato para restaurar pontos turísticos, praças, sedes da prefeitura e até mesmo desviarem recursos, como foi constatado em alguns casos. Enquanto isso, as casas do povo que foram destruídas, até agora, continuam só nos projetos, sempre usadas como moedas de troca nas campanhas eleitorais. A Samarco/Vale/BHP-Billiton criaram a Fundação Renova, supostamente para resolver os impactos sociais e ambientais dos seus crimes, mas, na prática, para desassociar ao nome delas dos crime e com isso, criar formas de convencer as famílias atingidas a permanecer na enrolação de seus intermináveis cadastros, sem pressionar a empresa. Até hoje, as famílias seguem sem ter uma moradia definitiva em Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Gesteira – Barra Longa. Nas únicas 10 casas entregues, as famílias não tem estrutura para se manter.

Para piorar a situação, o governo de Pimentel-PT aprovou uma lei 2.946/2015 flexibilizando o licenciamento ambiental para a exploração das mineradoras, sem levar em conta os riscos de forma mais aprofundada. E, novamente, mais uma vez com a cumplicidade do Estado e do governo, o crime se repetiu em Brumadinho no dia 25 de janeiro de 2019. Fazendo cair por terra as afirmações do então presidente da Vale Fabio Schvartsman, que disse em 22 de maio de 2017, na sua posse: “Mariana nunca mais!”, em Brumadinho a Vale assassina e terrorista assassinou quase 300 pessoas e causos danos sociais e ao meio natural incalculáveis. Enquanto isso, a empresa segue lucrando, cada vez mais, mesmo após os crimes cometidos contra o povo, a fauna e a flora e enquanto as famílias amargam com suas perdas irreparáveis, como consta no site Manuelzão da UFMG: “Em 2020, um ano após o rompimento no Córrego do Feijão, a Vale superou os bancos com folga e foi a empresa brasileira que mais distribuiu dividendos aos seus acionistas, R$ 18,7 bilhões ao todo. Já no balanço do primeiro trimestre de 2021, a mineradora registrou lucro líquido de R$ 30,5 bilhões, superando em mais de 3.000% os ganhos de R$ 984 milhões do mesmo período do ano passado.” Assim como Pimentel liberou a construção dos Diques em Mariana (reivindicação da Samarco/Vale/BHP-Billiton), Zema também faz acordo com Vale, sob discurso de que recurso será utilizado para “melhorias”, tudo visando o período eleitoral, onde para buscar apoios, não mede consequências, dando mais uma demonstração de que não tem nada de “novo” em seu governo.

Crimes como os cometidos pela Vale e demais mineradoras monopolistas em Mariana e Brumadinho são consequências desse sistema caduco e podre que vigora no país. Nesse capitalismo burocrático que se sustenta por meio de um velho Estado que só serve aos interesses dos ricos e poderosos: grandes empresários, empresas transnacionais, latifundiários e banqueiros esses crimes são “efeitos colaterais”, calculados e necessários, para manter o país como mero exportador de matérias primas, roubados pelos ricos, dentro e fora da lei. A desnacionalização das empresas estatais (como fizeram com a Vale, estão fazendo com os Correios e querem acabar de fazer com a Petrobras), a destruição dos parques siderúrgicos e a subserviência às potencias estrangeiras são parte essencial dessa secularmente inalterada política de subjugação nacional, antipovo e vende-pátria que tem como principais representantes e agentes na atualidade o governo militar genocida de Bolsonaro/generais.

Somente rompendo com essas amarras poderemos pôr fim ao saqueio da nação, desenvolver a indústria nacional, gerar empregos, proteger os meios naturais e conquistar condições dignas de trabalho, moradia e vida para todo o nosso povo! Esses continuados crimes de lesa-pátria, contra a humanidade e o meio natural cometidos pelos monopólios imperialistas em nosso território só terão fim com o triunfo da Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo. Nós produzimos tudo e não temos direito a nada! Somos explorados como animais e quando morremos nossa vida vale menos do que um bicho qualquer! Agora nessa crise, de desemprego e carestia, estamos roendo os ossos enquanto os ricos comem filé e vendem nossa comida e riquezas minerais a preço de banana para as grandes potências imperialistas! É hora de rompermos com toda e qualquer ilusão com essas classes dominantes reacionárias e criminosas, assassinas, terroristas, seu velho Estado e suas eleições podres e corruptas! Chega de mentiras, ilusões e conciliação! Precisamos aprofundar e aperfeiçoar nossas formas de organização, resistência e luta!

Fora Samarco/Vale/BHP Assassinas!

Pelo fim da impunidade, casa para os atingidos, já!

Reparação imediata às vítimas das barragens do Fundão e do Feijão!

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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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