PA: Acampamento São Vicente é atacado por 20 pistoleiros

No dia 3 de novembro, cerca de 20 pistoleiros encapuzados invadiram o Acampamento São Vicente onde vivem aproximadamente 80 famílias, localizado em Nova Ipixuna no estado do Pará. A área do acampamento é reivindicada pelo latifundiário Carlos Abílio Tinelli que no ano 2014 promoveu uma ação de despejo contra as famílias.

Segundo relatos de testemunhas, os pistoleiros chegaram ao local efetuando disparos de arma de fogo, espancaram camponeses entre homens, mulheres, crianças e idosos, e incendiaram as barracas. Os pistoleiros que estavam com motosserras, derrubavam moradias e colocavam fogo nos pertences pessoais das famílias, que perderam tudo. 

Durante os ataques, algumas crianças desapareceram, só sendo encontradas assustadas na mata horas depois. O grupo sequestrou 10 trabalhadores, os colocou em um carro e os levou para uma área desconhecida.

Pistoleiros disparam contra camponeses, agridem e incendeiam casas no Acampamento São Vicente. Foto: Reprodução

Pistoleiros disparam contra camponeses, agridem e incendeiam casas no Acampamento São Vicente. Foto: Reprodução

Pistoleiros disparam contra camponeses, agridem e incendeiam casas no Acampamento São Vicente. Foto: Reprodução

Entenda o Caso

Segundo o Ministério Público Federal  (MPF), o acampamento está localizado em terras da União que deveriam ser destinadas para “reforma agrária”. Em 2002, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) chegou a publicar portaria de criação de assentamento na área, nomeando o projeto como assentamento São Vinícius, mas não foi concretizado.

Na mesma época, ocorreram duas visitas técnicas do Incra que constatou que o latifúndio era improdutivo e que não cumpria a função social. Segundo o órgão, os latifundiários da família Tinelli representada por Carlos Abílio Tinelli, invadiram terras públicas e as utilizavam para especulação imobiliária, tendo ainda vendido ilegalmente 810 hectares da área. O latifundiário foi apontado ainda pela prática de grilagem, crime previsto por lei, uma vez que este não tinha o direito de regularizar o imóvel em seu nome, por já ter recebido título de outro imóvel da União.

A tomada dos camponeses

Desde então o Incra não prosseguiu com a regularização do processo que entregaria a terra para os camponeses (destinação das terras para “reforma agrária”). Diante da morosidade e descaso por parte do instituto, no ano de 2014, 60 famílias tomaram as terras.

Em seguida, os latifundiários, alegando serem proprietários das terras, solicitaram o despejo das famílias acampadas. A decisão liminar de caráter “urgente e provisória” favorável aos Tinelli foi concedida e houve uma ação de despejo das famílias camponesas. Resistindo aos ataques do latifúndio em conluio com o velho Estado, as famílias retornaram para o acampamento.

No dia anterior ao atentado a Delegacia de Conflitos Agrários visita a área

No dia 20/10 deste ano, o MPF deu prazo de 20 dias úteis ao Incra para realizar a avaliação da destinação do latifúndio. Após isso, agentes da Delegacia de Conflitos Agrários (Deca) foram até a área.

Um camponês que não quis se identificar, relatou o ocorrido ao portal Rede Brasil Atual. Ele afirmou que no dia anterior ao atentado, agentes da Deca foram até o acampamento. Falaram pra gente não esquentar a cabeça, que não ia ter problema, até a justiça decidir, se vocês perderem, vão ter de sair, assim foi a conversa. Eu fico preocupado porque tem muitas crianças e idosos no acampamento”, declarou.

De acordo com o relato da advogada popular Andréia Silvério, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Marabá ao portal de Olho nos Ruralistas: “Os camponeses não conseguiram registrar o boletim de ocorrência em Nova Ipixuna, pois não havia sequer escrivão na delegacia, as famílias entraram em contato conosco e procuramos a Deca de Marabá”.

A CPT denunciou a aliança firmada entre os latifundiários pistoleiros e o delegado Ivan Pinto da Silva da Deca de Marabá. A organização denunciou também que o delegado estaria promovendo despejos e prisões de camponeses sem ordem judicial.

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