RO: Em operação infundada, PM acusa LCP pela morte de latifundiário e prende dezenas de camponeses

No dia 17 de novembro, a Polícia Militar de Rondônia (PM-RO) comandada pelo governador do estado, o fascista Marcos Rocha, prendeu mais de 30 camponeses do Acampamento Escurão, localizado no Lote 32, da Gleba de Corumbiara, em Pimenta Bueno, Rondônia. De acordo com as denúncias de apoiadores da região, os trabalhadores estão sendo acusados pela morte do latifundiário rondoniense chamado Heladio Cândido Senn, o “Nego Zen”. Estas ações fazem parte de uma série de operações policiais desencadeadas principalmente no Norte do país, que visam preparar uma guerra de grandes dimensões contra os camponeses que lutam pelo direito à terra.

As prisões de homens, mulheres e até crianças se deram no próprio acampamento após diversas incursões das tropas da PM-RO ao local. Participaram das ações a Guarnição de Força Tática e o Núcleo de Inteligência das polícias de Vilhena e Pimenta Bueno. Depois das prisões, os policiais destruíram casas, barracos, roubaram motosserras e espancaram os moradores. 

Os camponeses foram levados a uma Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp) em Vilhena, e interrogados pelo titular da Delegacia de Homicídios, o delegado Núbio Lopes. Os policiais alegaram ir até o local, devido a um homicídio ocorrido ali, mas o próprio autor do fato já havia se entregado a uma viatura policial logo após o fato. 

Como resultado, o grande aparato mobilizado para a Operação prendeu mais de 30 pessoas e alardeou que foram apreendidas algumas poucas armas de caça e de autodefesa, tão fartamente presentes em qualquer lugar do interior do país, e, sem apresentar qualquer material que embase, anunciou como se fossem pertencentes ao latifundiário morto. Porém, além da falta de embasamento, são práticas recorrentes da PM por todo o país forjar flagrantes para justificar incursões e prisões, fato que levanta suspeita sobre essa acusação policial. Recentemente, na mesma região de Santa Elina, onde antes havia o Acampamento Manoel Ribeiro, outras prisões arbitrárias com flagrantes forjados aconteceram, como a dos quatro jovens camponeses que seguem encarcerados, segundo denunciou a Liga dos Camponeses Pobres (LCP).

Mesmo após as prisões, os camponeses permaneceram altivos. Os apoiadores levaram alimentos aos trabalhadores que passaram horas privados de comer no cárcere. Não há, ainda, qualquer sentido jurídico para as prisões, como apontar indícios do suposto envolvimento individual de cada um dos 30 trabalhadores na morte do latifundiário. O único motivo para a prisão é o fato de estarem em uma área camponesa organizada pela LCP.

O acampamento está localizado a quase 200 quilômetros (km) do local onde foi morto o latifúndio Nego Zen, conhecido por colecionar diversos inimigos, entre eles latifundiários, devido às suas práticas de grileiro de terras públicas e promotor de pistolagem, segundo denúncias de movimentos camponeses.

Além de denúncias de roubos de gados de outros latifúndios, o Nego Zen já havia sido preso em setembro de 2014 devido a organização de pistolagem na região e sequestro de trabalhadores. Não há indícios de que quem cometeu o crime foram ativistas da LCP.

Segue guerra contra os camponeses

Os policiais afirmaram durante uma das invasões, em 14/11, ter participado da Operação “Nova Mutum”. Derrotada pela resistência dos camponeses das Áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira, a operação falhou no objetivo de expulsar as famílias de sua terra onde produzem e vivem dignamente. Neste mesmo dia a advogada que trabalha em defesa dos camponeses foi abordada e questionada sobre o motivo de sua ida ao local. As ações de destruição e pilhagem se assemelham aos ataques ocorridos em meados de outubro nas Áreas camponesas localizadas no outro extremo do estado. 

Os camponeses denunciam que há invasões diárias ao Acampamento. Nelas os policiais têm abordado famílias, apreendido facões, facas, canivetes, foices e demais instrumentos de trabalho, além de cometerem diversas acusações e ameaças contra as famílias.

Os ataques se intensificaram ainda mais após o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirmar as constantes declarações dos camponeses que as terras onde vivem pertencem à União.

Camponeses se organizam diante da onda de ataques que visam preparar uma guerra de grandes dimensões contra os camponeses que lutam pelo direito à terra. Foto: Banco de dados AND

Produção dos camponeses do Acampamento Escurão, localizado no cone sul de Rondônia. Foto: Banco de dados AND

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