Espanha: Metalúrgicos entram em greve, enfrentam a repressão e realizam piquetes e barricadas

Marcha dos metalúrgicos durante a greve. Foto: Reprodução/Twitter

Mais de 29 mil metalúrgicos da província de Cádis (localizada no Sul da Espanha, cuja capital também leva o nome de Cádis) se encontram em greve por tempo indeterminado desde o dia 15 de novembro. Os trabalhadores se opõem às empresas que tentam impor um contrato leonino de arrocho salarial. Os operários realizaram diversos protestos, piquetes e bloqueios para defender suas demandas. Neles, enfrentaram a repressão que tentava os impedir de se manifestar com balas de borracha e cassetetes.

Trabalhadores lutam contra o arrocho salarial

No dia 22/11, os trabalhadores bloquearam a rodovia CA-23, às 5 da manhã, que liga os municípios La Línea de Concepción a San Roque, onde fica a sede de várias grandes indústrias no Campo de Gibraltar.

Os bloqueios foram realizados com galhos em chamas, pedras e contêineres. Uma dúzia de viaturas e um carro blindado reprimiram os trabalhadores no local, e os operários responderam resistindo à repressão e gritando: “Somos operários, não delinquentes!”. 

No bairro de Bazán de San Fernando, os operários também formaram piquetes para interromper o trânsito na ponte de ferro, única estrada de acesso ao estaleiro da empresa imperialista Navantia (a maior construtora naval hispânica). Um grande destacamento policial foi acionado e tentou dispersar os manifestantes se utilizando da força bruta contra os trabalhadores, que se mantiveram no local e enfrentaram as forças de repressão.

O entorno da fábrica Dragados y Alestis, em Puerto Real, e a sede da Federação dos Empresários de Metal de Cádis (Femca), na capital Cádiz, também foram alvos de protestos. Os operários metalúrgicos também fecharam os acessos ao terminal de contêineres do terminal APM do porto de Algeciras.

Já no dia 19/11, centenas de trabalhadores rumaram a bloquear a ponte da Constituição de 1812, um dos únicos três acessos rodoviários a Cádiz. A polícia reprimiu a mobilização dos trabalhadores com balas de borracha. Durante o enfrentamento na ponte, dois policiais e dois guardas civis ficaram feridos - os dois últimos quando seu carro colidiu com um poste de luz derrubado - e um operário foi preso por bloquear uma estrada no Campo de Gibraltar. Isso ocorreu após os trabalhadores protestarem em frente à Femca, que estava protegida por veículos e agentes antimotim.

Em 23/11, no oitavo dia de greve, ocorreu um grande protesto na capital da província que contou com 4 mil pessoas, entre elas os operários metalúrgicos e estudantes e jovens que demonstravam sua solidariedade com os trabalhadores. Eles carregavam uma faixa escrita A juventude com a greve dos metalúrgicos! Os estudantes iniciaram também, nesse dia, uma greve em seu apoio.

A manifestação, que ocorreu durante o período da manhã, foi brutalmente reprimida pela polícia com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Os manifestantes responderam lançando pedras e garrafas. Dispersos através da força bruta, os trabalhadores e estudantes continuaram a enfrentar a polícia em diversos bairros operários como Loreto e Cerro del Moro.

Um manifestante foi detido e seis policiais foram feridos, de acordo com a TVE.

Jesús Galván, um operário, relatou ao monopólio de imprensa espanhol, o El País, que o novo contrato foi apenas o gatilho para as manifestações, mas que existem muitos outros problemas, como a falta de seguridade empregatícia: "Eu sou soldador há 25 anos e tenho 50 empresas no meu currículo. Há décadas estamos sofrendo para conseguir chegar até o final do mês", acrescenta ele.

As massas apoiam os metalúrgicos

Operários incendeiam um carro durante o segundo dia de greve dos metalúrgicos em Cádis. Foto: Marcos Moreno

No dia 20/11, mais de duas mil pessoas marcharam em um protesto na principal avenida da capital até um prédio do governo espanhol. Mesmo sob forte chuva, os presentes carregaram cartazes e entoaram palavras de ordem em apoio aos metalúrgicos grevistas.

Os manifestantes também carregavam uma grande faixa contra o fechamento da planta da fábrica de aviões Airbus em Puerto Real e exigiam a criação de novos empregos na província. Grupos de luta pelos interesses dos aposentados, professores e em defesa da saúde pública também estavam presentes.

Enquanto a marcha ocorria, mais de duzentos grevistas realizaram um piquete com panfletagem nas portas da Navantia de San Fernando, onde aconteciam os preparativos para o lançamento de um navio de guerra saudita, naquele sábado de manhã.

As reivindicações da greve

Os trabalhadores da indústria metalúrgica exigem um salário que acompanhe a inflação, com um reajuste de 2% para o primeiro ano de vigência do contrato (2022) e 3% para o segundo. Enquanto isso, os grandes empresários, através da Femca, oferecem um aumento de apenas 0,5% nos salários. A inflação na Espanha, medida a partir do índice de preço de consumo (IPC), aumentou 5,5% somente no mês de outubro. O novo contrato está em aberto há quase um ano após o antigo ter expirado em dezembro do ano passado.

A greve teve adesão, também, em diferentes municípios da província de Cádis (de mesmo nome da cidade), como San Fernando e Puerto Real. A adesão à greve no município foi de 98% segundo os sindicatos organizadores.

Empresas imperialistas geram desemprego em Cádis

A província de Cádis tem atualmente 23,16% de sua população desempregada, ou seja, 137 mil desempregados de um total de 1,25 milhão de habitantes. Isso ultrapassa o número total de habitantes da capital, que hoje vê 115 mil de seus habitantes sem emprego.

O povo da província de Cádis enfrenta há muito a exploração das grandes empresas imperialistas e as consequências das rápidas flutuações da economia e, por conta disso, atualmente, a província é a segunda em número de desempregados em todo o país. Esse número já chegou a 40,6% de desempregados no início de 2013, como consequência da crise de superprodução de 2008.

Nos últimos anos, grandes empresas como a Tabacalera, Visteon, Delphi, Gadir Solar e, agora, Airbus de Puerto Real, todas saíram de Cádis em busca de mão de obra mais barata e maiores incentivos fiscais. 

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