Poema: "Nossos Mortos Viverão", de Iná

Descansem almas cansadas

Nossos corações baterão por vocês

Enquanto vivermos

Suas almas também viverão

 

Pelas veias abertas do tempo

Bombeia sangue

O coração vivente

E irradia memória

A vida pulsante

No mundo que nos tira

O direito à vida

De anjos operários e camponeses

Trabalhadores e estudantes

Que erguem o céu

Enquanto são soterrados

Pela crosta bruta do sofrimento

Sob o véu

De terríveis vazios

Miragens das ilusões

 

Aos sufocados

Encontrem ar na luta!

E que não nos matem mais

Por razões

De alma muda

Alvo de balas

Fome, vírus ou tortura

E das fontes concretas

Dos demônios silenciosos

Que nos devoram

De forma surda

 

Por um momento perdidos

Num mundo sem direção

Diante

Da solidão do abismo

- Miragem do imperialismo

Se jogam irmãos

Mas se encontrarão conosco

Suas memórias

Em cada passo dado

Para a libertação

  

Não esqueceremos!

Os mortos no mangue

Os cálices de sangue

E o gole silencioso

No suspiro final

Após

O violento silêncio

Do veneno

Terminar de cobrir

Uma alma gigante

Em seu último momento

 

Seguiremos firmes!

Pois podem derrubar

Os mais fortes guerreiros de nossas fileiras

Mas nunca derrubarão

Todo o batalhão!

 

Podem derrubar

Os melhores integrantes

De nossa classe

Mas não podem derrubar

A classe inteira!

 

Em meio ao mundo em chamas

O povo

Forjado nas cinzas

Nasce e renasce

Preparando o incêndio

Dos incendiadores

Podres assassinos

Almadiçoados

Pela fúria das multidões

 

Cairemos

E seremos levantados

Pararemos

E seremos puxados

Seguiremos

Unidos corações revoltados

Abrigo das almas vivas

Cujo corpo foi retirado

 

Marchamos enfileirados

Ombro a ombro

Em direção

A derrubada violenta

Da injusta miséria

Com que nos cerca

Cínicos sádicos

Em seus tronos

Sustentados

Por pilhas de ossos

 

Fantasmas

- Maldição de seus assassinos

Os farão tremer sempre

Enquanto covardes

Habitando essa terra

Nos tirarem os nossos

 

Para isso

Espíritos encontrarão abrigo

Em almas combatentes

Corações de veias abertas

Que darão

Aos matadores

De armas concretas

Sua extinção

 

Em nossas fileiras

Corações e mentes

Memórias

E certezas

A lembrança de nossos guerreiros

E guerreiras

Caídos

No peito

E a história nas mãos

 

Em frente!

Nossos mortos viverão!

 

Os filhos do presente

- o futuro dos povos

viverão!

  

e lutaremos

até o fim

para o fim

da morte

de nossas irmãs e irmãos

  

- Homenagem às vítimas da chacina do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo; à Pedro, estudante de filosofia da UFF, vítima do sofrimento silencioso, fruto da miséria social de nossa era de exploração, agravado pelo isolamento do ensino remoto; e a todas as vítimas do povo pelas mãos do Estado brasileiro burocrático, assassino a serviço do imperialismo.
 
"A eclosão" (1903), gravura à água-tinta; quinto painel do ciclo "Guerra Camponesa", de Käthe Kollwitz. Foto: Reprodução.

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