RS: Povo Mbya Guarani retoma mais de 700 hectares de suas terras

No dia 29 de novembro, oito famílias indígenas do povo Mbya Guarani retomaram mais de 700 hectares de suas terras que estavam sob o controle da Companhia de Energia Elétrica do Estado do Rio Grande do Sul (CEEE) administrada pela Equatorial Energia, localizada no município de Canela, no Rio Grande do Sul (RS). Entre as famílias que retomaram a área haviam muitas crianças e idosos.

A ação se deu cinco dias depois do segundo ataque em menos de um mês contra o povo Mbya Guarani no estado do RS. Conforme noticiado pelo AND, no dia 14/11, um incêndio criminoso destruiu uma casa de reza, uma casa onde ficavam alimentos e dois carros dos indígenas na aldeia Pindó Mirim, localizada na Terra Indígena (TI) Itapuã, no município de Viamão. Já no dia 24/11, duas casas de indígenas foram alvos de um incêndio criminoso na comunidade Tenondé, localizada no município de Camaquã.

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Povo Guarani Mbya realiza retomada de seus territórios no Rio Grande do Sul. Foto: Povo Guarani Mbya

O povo Mbya Guarani escolheu para a fixação da comunidade uma área que fica próxima à Usina Hidrelétrica de Bugres conhecida como “Barragem dos Bugres”, em Canela. O nome do local remete a história de expulsão dos povos indígenas da região para a construção da barragem. Bugres era a designação pejorativa dada aos indígenas pelos colonizadores.

Segundo o portal Mapa de Conflitos os bugueiros eram “homens contratados pelos governos das províncias imperiais do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina para atacar e dizimar aldeias”.

O cacique Arnildo Verá, da Aldeia Pindó Mirim Itapuã, em entrevista ao portal Brasil de Fato, afirmou que no “Rio Grande do Sul tem 57 aldeias, mas só 6 estão demarcadas pelo governo federal. A maioria são acampamentos, retomadas. Não dá para esperar o Estado né?", declarou o indígena.

Organização dos povos indígenas e retomadas

De acordo com relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) houve um crescimento de 61% de assassinatos de indígenas só no último ano. Os processos demarcatórios seguem paralisados pelo governo militar de Bolsonaro e generais. Contudo, as lutas pelo território se intensificaram e o ano de 2021 está sendo marcado por grandes retomadas históricas efetivadas por diferentes povos originários no Brasil, diversas delas noticiadas por AND.

No dia 30 de abril, o povo Mbya Guarani em uma ação planejada, destruindo barracos e cercas provindas de invasões criminosas, retomou parte de seu território, a tekoha Pindó Poty, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Entre os dias 12 a 16 de agosto, 30 guerreiros do povo Munduruku do Médio Rio Tapajós, no estado do Pará, retomaram a autodemarcação da Terra Indígena (TI) Sawré Muybu. Foram demarcados na ação uma extensão de 15 quilômetros (km) de terra. Placas de sinalização foram colocadas ao longo do percurso da autodemarcação. Os indígenas denunciam a criação de uma pista de pouso clandestina e também uma extensa área desmatada por garimpeiros.

No dia 22 de setembro, os povos indígenas Kaingang e Guarani Nhandewa conquistaram o direito de permanecer em seu território. Os indígenas lutavam pela retomada de suas terras que estão localizadas na Floresta Estadual Metropolitana, no município de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná (PR).

Durante a madrugada do dia 28 de setembro, um grupo composto por aproximadamente 400 indígenas do povo Maxakali retomou uma área de terra no município de Teófilo Otoni, Minas Gerais. A terra pública estava cedida para a construção de um campus do Instituto Federal do Norte de Minas, no entanto, seguia abandonada.

No dia 15 de outubro, cerca de 30 famílias indígenas Guarani Kaiowá retomaram o território tradicional exigindo a demarcação das terras do tekoha Teko-Ava. A ocupação ocorreu na Aldeia Boreviry, localizada no município de Naviraí, no Mato Grosso do Sul (MS).

O cacique Babau dos Tupinambá da Serra do Padeiro, em entrevista ao portal Brasil de Fato, declarou: "Estavam dizendo que os indígenas só estavam na Amazônia. E então a gente tem que fazer uma guerra de retomar. Vivemos um estado de guerra. E temos que mostrar que estamos aqui e que não vão nos aniquilar".

Entre as muitas expressões de luta em defesa do território desencadeadas de maneira atomizada por todo país, ocorreu também no mês de agosto de 2021 uma grande manifestação que mobilizou mais de 6 mil indígenas de aproximadamente 170 etnias, vindos de todas as regiões do Brasil. A manifestação que ocupou as ruas do Distrito Federal (DF) em Brasília tinha como uma das maiores contestações o chamado “Marco Temporal”. A ação contou ainda com bloqueios de ao menos 18 rodovias.

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