MA: Em ofensiva reacionária, camponeses sofrem tentativas de homicídio em Arari

Povoado Santa Maria, em Urbano Santos (Maranhão). Foto: Domingos Brasil

No dia 3 de janeiro, durante a noite, por volta das 21h, um pistoleiro invadiu a casa do camponês Francisco Pereira Rodrigues, de 55 anos, conhecido como “Quiqui”, e o atingiu com um disparo. O pistoleiro atingiu também sua neta de apenas 10 anos que estava na residência, localizada na comunidade Quilombola de Cedro, na Baixada Maranhense, na cidade de Arari, distante a 170 km de São Luís.

Após o crime, o atirador se escondeu na mata, nas proximidades da residência, onde posteriormente conseguiu fugir. Francisco, que foi atingido no tórax, foi submetido a procedimento cirúrgico durante a madrugada. Seu estado de saúde é grave. Sua neta recebeu atendimento médico e foi classificada com quadro de saúde estável. 

Em apenas 15 dias, já ocorreram três tentativas de homicídios na Baixada Maranhense, sendo todos moradores da comunidade Quilombola de Cedro. 

Outra tentativa de homícidio 

Na madrugada do dia 18/12, o camponês José Verde Diniz também teve sua residência invadida por três paramilitares, fortemente armados, encapuzados, dizendo-se policiais. O camponês, ao perceber a invasão, escapou, pulando pela janela do quarto. 

Vale ressaltar que José Diniz lutava por terra e sofreu um processo de criminalização, preso no ano de 2019, pelo juiz da comarca à época Luiz Emílio Bittencourt Júnior, após representação do delegado de polícia, Alcides Martins Nunes Neto e ratificada pela promotora de justiça, Lícia Ramos Cavalcante.

Um apoiador, por meio de uma rede social, revoltado, afirmou: “Quando se trata de violência contra os camponeses, as autoridades não fazem nada, mas os trabalhadores são criminalizados pelos órgãos do Estado, principalmente da polícia que humilha, ameaça e prende”.  E ainda denunciou: “O governo Flávio Dino tem lado, sua política de favorecer o ‘agronegócio’ e a grilagem de terra no Maranhão, gerando violência e morte nas comunidades que não tem proteção do estado”.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT)  apresentou dados parciais referentes ao período de 1 de janeiro a 31 de agosto de 2021, e apontou um aumento de 30% de assassinatos por Conflitos no Campo em relação a todo o ano anterior. Sendo que todos os camponeses classificados no levantamento como quilombolas que foram assassinados eram do estado do Maranhão.

Em menos de dois anos, quatro camponeses foram assassinados na cidade, e seguem impunes os crimes e assassinatos na comunidade. Entre os assassinados estão Celino e Wanderson, que eram pai e filho respectivamente; Antônio Gonçalo Diniz, camponês ativo na luta pela terra e contra o cercamento ilegal,João de Deus Moreira Rodrigues, que antes de falecer já havia sofrido tentiva de homicidio.

Localização da Baixada Maranhense. Imagem: Reprodução/IBGE.

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